Serão estes dois modelos realmente concorrentes? Na verdade, o novo Dacia Duster, seguindo o que são as raízes da marca romena, apresenta-se com dimensões superiores, praticamente no escalão de Nissan Qashqai, com mais 17,6 cm de comprimento ao Hyundai Kauai, o mais compacto SUV da gama Hyundai e um dos mais recentes lançamentos na classe. E qual classe? A dos mais acessíveis SUV do mercado, com pequenos motores a gasolina, que permitem esmagar o preço, capítulo onde o Dacia Duster 1.2 TCe, de 125 cv, continua a não dar tréguas: mesmo em versão de topo, é 1764 € mais barato do que o Hyundai Kauai 1.0 T-GDi de 120 cv!
Mas também sabemos que os automóveis não se medem (só) aos palmos. E, de forma curiosa, as cotas interiores do Dacia não refletem a superioridade exterior, com menos espaço em altura devido à colocação elevada dos bancos (que também poderá dificultar o acesso ao habitáculo a pessoas de mobilidade mais reduzida) e apenas com ligeira vantagem na largura disponível ao nível dos ombros, no banco traseiro, podendo ajudar a acomodar três pessoas, em caso de necessidade. Bem distintas são as dimensões da bagageira, onde o Dacia impõe os pergaminhos familiares, propondo mais 84 litros distribuídos por compartimento bem mais fundo até às costas do banco traseiro e com muito mais centímetros livres até à chapeleira – sob o piso, o Hyundai propõe, de série, pneu suplente, item que tem de ser pago à parte no Dacia. Rebatendo os bancos, o Duster reforça a superioridade, não obstante ser no Hyundai que é obtido o piso mais plano.
Para esta segunda geração do SUV, a marca romena do Grupo Renault conferiu ao Duster superiores cuidados na construção e muito melhorou pormenores de âmbito low cost que marcaram a primeira geração. Agora, o habitáculo não só surge superiormente imune a ruídos exteriores (seja de motor, rolamento ou aerodinâmicos), como já apresenta firme assinatura de design e ergonomia. São exemplo, a orientação da consola central para o condutor ou as aplicações a imitar alumínio no tablier, saídas de ventilação e volante. Este agora regulável em altura e profundidade que, juntamente com banco muito mais ergonómico e confortável, permite melhor acomodação aos comandos.
No Kauai, com habitáculo mais junto ao solo e inferior superfície vidrada, regista-se a menor sensação de espaço a bordo. A construção é rigorosa e mais consistente e nota-se o uso de plásticos menos brilhantes, não só nas zonas mais diretamente visíveis, como também nas áreas de toque e desgaste mais imediato, como os botões dos vidros elétricos.
O monitor tátil do Kauai, colocado no topo do tablier, acaba por estar mais à mão ao igualmente tátil ecrá que reúne as principais funções de bordo do Duster. Se bem que o Dacia acrescente na oferta a presença de sistema de navegação com sempre útil aviso de velocidade máxima na via circulante. Ainda nas ajudas à condução, Dacia com alerta de presença de veículo no ângulo morto, enquanto o Hyundai inclui assistente ativo de manutenção na faixa de rodagem e deteção de cansaço do condutor. Para a cidade, ambos contam com ajudas práticas, como sensores de estacionamento traseiros com câmara de auxílio à marcha-atrás e assistente de arranque em subida.
As caixas de velocidades, ambas de 6 velocidades, têm comando preciso e dócil, tal como a embraiagem.
Com motores a gasolina, estas poderão ser versões que irão passar a maior parte do seu tempo em cidade (ou seja, em curtos trajetos), mas estão perfeitamente aptas a rolar fora das urbes, pois estas pequenas mecânicas exibem boas performances, tanto nas acelerações, como na disponibilidade em ganhar velocidade em baixos e médios regimes. A sobrealimentação funciona como uma fisga impulsionadora, e sempre sem descurar a suavidade das reações, sendo este o principal fator de destaque a mecânicas Diesel.
Obviamente que o reverso da medalha serão os consumos mais altos, e com o 1.2 TCe do Duster (mesmo podendo ser utilizado em modo Eco) a pedir mais em troca, com média extra que poderá superar em 1 l/100 km o apetite do três cilindros coreano.
Além de ter centro de gravidade mais baixo, o Kauai surge com amortecimento mais firme e direção precisa para garantir agilidade muito acima da média. O Duster, mais ao estilo jipe, embora seguro e previsível, bamboleia mais ao sabor da suspensão macia.