Já não basta ser elegante ou (mesmo) bonito para que o êxito seja imediato! Como em tudo, a beleza quase sempre levanta suspeitas sobre as restantes qualidades ou competências. Num automóvel bem parecido esse problema pode surgir com mais frequência do que se pensa, até porque se a imagem está bem resolvida e é atraente, talvez possa interessar que o resto esteja de acordo com esses pressupostos. Olhando para os adversários em causa é provável que não haja nenhuma dúvida acerca do código estético que projetam; ou seja, quanto mais SUV melhor, que é essa a tendência atual, tendo o XC40 a vantagem de pertencer a emblema com notoriedade premium, ao contrário da Peugeot que se afirma como marca generalista, do tipo prêt-à-porter, embora os lançamentos mais recentes tenham estilo sofisticado. Para ambos, a personalização interior (luzes, forros e materiais, por exemplo) é alargada e existe a possibilidade de adicionar vários equipamentos de conforto e de segurança ativa ou passiva. Sem que haja falhas! Ainda bem.
Num elenco com tantas mordomias e luxos é importante que se contabilize o que é de série e o que não é, neste caso com vantagem do 3008, que na versão GT acaba por surpreender. Está bem equipado (tem tudo!) e alguns opcionais são mais acessíveis do que é habitual na categoria (ver ficha técnica), como por exemplo os bancos em couro Nappa Mistral (encostos um pouco duros, é verdade, talvez por causa da inclusão das massagens!), sistema de som Hi-Fi Premium Focal (por 850 €), câmara traseira com imagens a 360º (350 €), além de teto panorâmico (incluindo cortina, por 1000 €) e Advance Grip Control (por 300 €), este último otimizando a aderência nos pisos difíceis (lama, neve ou gelo), através de ordens eletrónicas dadas ao ABS e ESP, além de alterar as leis da transmissão e da gestão do motor. Para maior segurança, não há dúvida!
Se se comparar, a versão Momentum do XC40 não é tão generosa no que se refere ao equipamento de série e o custo dalguns opcionais só se torna atrativo se se incluírem em pack especial, como no caso do denominado Versatility Pro (1058 €), que agrega a abertura automática do portão da mala, rede separadora de carga, rebatimento elétrico dos bancos traseiros e acesso mãos-livres ao habitáculo (Keyless Entry).
A atmosfera interna do novo XC40 é elegante, decalcada dos maiores XC60 e XC90, ao mesmo tempo que a qualidade dos revestimentos é insuspeita, a par de montagem correta, mesmo que a aplicação de alguns materiais reciclados (no interior das portas, chão do habitáculo e piso da mala) possa criar uma imagem dúbia, até porque o toque desses tecidos é áspero, algo grosseiro. Quanto ao resto, nada a dizer, uma vez que o baby Volvo assume o ADN da marca, recorrendo até ao avançado sistema de infotainment Sensus, com ecrã tátil de 12’’ no centro do tablier. Vá pelos seus dedos...! Intuitivo, fácil de operar, como se se tratasse de um tablet. Já no 3008, o ambiente é do tipo high-tech e a funcionalidade parecida, embora dispersa (ecrã coadjuvado por teclas-piano de atalho, na consola, para acesso aos vários menus), sendo possível modificar inúmeras funções (e o estilo gráfico), assim como diversos parâmetros do veículo. Desde a seleção Sport até à ativação/desativação das ajudas eletrónicas à condução, neste caso com destaque para o alerta de mudança de faixa (aviso acústico) e para a intervenção da direção na correção das trajetórias. Basta forçar um bocadinho o volante para que esse efeito seja anulado... O XC40 recorre a igual expediente e a travagem automática em cidade (a baixa velocidade) é outra assistência a valorizar. Nessa matéria, ambos são parecidos e... avançados.
Estrada, ‘movimentos’ e mecânica
No que é essencial a atitude dinâmica do 3008 GT é mais positiva ou, como se diz agora, mais... assertiva, quer pelo desempenho gerado pelo chassis/carroçaria (nada oscilante em curva), quer pela reação firme das suspensões, mesmo que o ruído de rolamento seja mais elevado (pneus Continental ContiCross Contact LX2, por inerência do Advance Grip Control) do que no caso do Volvo, este equipado com pneus Michelin Primacy 4, e isto apesar dos vidros laminados/duplos do Peugeot e do bom isolamento acústico do habitáculo, apenas beliscado por decibéis incómodos quando se abusa na aceleração. Aí sim há outra rispidez, que é menos notada por parte do bloco D3 do XC40, embora este não possa competir sequer ao nível dos resultados alcançados, sendo batido de forma flagrante em todas as medições efetuadas, principalmente nas principais retomas de velocidade, tanto mais que o 3008 (com preço equiparado!) tem a vantagem de recorrer à caixa automática EAT8, cuja capacidade de resposta coloca este SUV da Peugeot noutro patamar ao nível da condução. A referida EAT8 não exibe grande arrastamento a baixa rotação e é possível dedilhá-la através de patilhas no volante para trocas sequenciais rápidas. Podia ser ainda melhor, mas enfim, estamos ao volante de um familiar! Esse efeito provoca uma reação mais veemente do motor 2.0 BlueHDI, percebendo-se de imediato a maior potência ao D3 da Volvo, e só é pena que o ruído da condução à bruta não seja inferior. O XC40 nunca tem essa toada tão enérgica, mesmo no acerto Dynamic, embora assegure conforto elevado (menos seco em mau piso), além de controlo fácil e seguro. À Volvo! A direção do 3008 é ainda mais precisa/exata e o pequeno volante é top. Face a tantas qualidades, não há razões para se criarem suspeitas. Antes assim.
O novíssimo SUV compacto da Volvo enfrenta sem complexos a 2.ª geração do 3008, mesmo que as versões a jogo tenham certas diferenças, algo que é atenuado pela proximidade do preço. Assim, a questão é muito simples: pelo mesmo custo, qual é a compra que compensa? E a resposta aparenta ser óbvia, tendo em conta os resultados projetados pela avaliação em cada item da tabela, aí com o Peugeot a destacar-se nalguns aspetos essenciais, tais como a própria dinâmica/condução, prestações, além do equipamento e interior GT. Mas também é claro que o XC40 exibe qualidade(s) muito próxima(s), sem defraudar as expectativas da imagem.