A Hyundai mexeu no Tucson na medida certa, mantendo intocáveis os atributos de SUV familiar, espaçoso e com construção à prova de bala. Os retoques surgem em pontos-chave, como na atualização da imagem exterior através de óticas mais límpidas e de vincada personalidade visual, ou ainda no puxar do semblante trialeiro (que tantos gostam de ver associado ao seu carro do dia-a-dia, mesmo que a maior radicalidade de ação dinâmica seja subir passeios em cidade...), através de aplicações em cor contrastante nos para-choques. O elemento mais marcante desta segunda fase de vida do Tucson (que agora chegou ao mercado nacional) não está à vista, tratando-se da adoção da mecânica 1.6 CRDi de 116 cv que surge no lugar da anterior unidade 1.7 CRDi de 115 cv – para cumprimento de normas ambientais.
O Compass tem na imagem de jipe, que a Jeep não dispensa, um dos fatores de encanto, precisamente pela colagem ao emblemático Willys. O design une bem as pontas soltas da moda com os traços da marca, permitindo, até, elementos de personalização que o Tucson desconhece, caso da possibilidade da pintura bi-color, com tejadilho em tom contrastante à restante carroçaria. Este é um dos muitos elementos que permite ao Compass sobressair na paisagem automóvel marcadamente SUV, com personalização massificada também a diversos elementos do habitáculo, caso das diversas possibilidades para revestir os estofos, que na versão Limited surgem já cobertos de um misto de tecido e pele – no Tucson Premium, os estofos em pele obrigam a pagamento extra.
Sendo maior por fora, o Hyundai é oferece também maior habitabilidade e bagageira de dimensão superior, apresentando-se como um dos SUV do seu segmento com melhores desígnios familiares. O Compass também tem interior bem aproveitado mas, nos lugares traseiros, o Tucson oferece mais 5 cm em largura ao nível dos ombros e mais 2 cm em altura. Para mais, o habitáculo do modelo coreano, com superior superfície vidrada, é o que oferece a maior sensação de desafogo interior. A vincar o bem-estar dos passageiros, é possível ajustar o ângulo das costas do banco traseiro na proporção 60/40.
Ligeiramente mais baixo, o Compass acaba por recolher frutos na acessibilidade, até porque o Tucson inclui estribos laterais proeminentes que em nada facilitam entradas e saídas do habitáculo. Os planos de carga das malas são semelhantes, mas o acesso do Jeep é mais favorável graças à utilização de chapeleira solidária com a abertura e fecho do portão da bagageira. Melhor é também o Compass noutros aspetos práticos, como as dimensões das bolsas nas portas, bem mais largas e úteis para arrumação do que as mais estreitas do Hyundai. E, no Jeep, entre a bagageira e o habitáculo existe abertura para o transporte de objetos mais compridos.
Já na qualidade geral, a solidez de construção do Tucson fica bem patente na total ausência de ruídos e na enorme resistência dos materiais. É_certo que proliferam plásticos rijos nas zonas inferiores, mas existindo coerência visual aos restantes e sem que se possa apontar o dedo à qualidade das ligações físicas. A par desta sensação, as atualizações ergonómicas dão frutos na agora superior facilidade de interação com as funções do sistema de infoentretenimento, a cargo de monitor tátil de grandes dimensões, em posição saliente no topo do tablier, e mais à mão do condutor. Junto da alavanca da caixa de velocidades, sobram apenas botões afetos à condução, como os modos de assistência da direção (Conforto e Desportivo) ou do controlo de velocidade em descida. Travão de mão elétrico também surge de série. No Jeep, não obstante a originalidade das formas da consola central, tablier e painel de instrumentos, há comandos espalhados por diversas zonas. A instrumentação, embora completa e com elementos digitais ao centro, resulta por vezes um pouco confusa e tem leitura que não é totalmente imediata.
A adoção da mecânica 1.6 CRDi é um dos principais trunfos da atualizada geração do Tucson. Não existem ganhos nas acelerações à anterior unidade 1.7, mas é evidente a superior elasticidade do novo motor, muito homogéneo nas transições entre baixos e médios regimes, com essa sensação a ficar refletida nos valores das recuperações, melhores que antigamente. Paralelamente, este recente bloco alarga os dotes de suavidade à insonorização, quer a velocidades constantes em autoestrada, quer mesmo em aceleração. Ainda assim, e ao peso e pretensões familiares do Tucson, a versão de 136 cv deste mesmo motor deverá apresentar desempenho mais adequado ao modelo... Os 120 cv da unidade 1.6 Multijet do Compass são ligeiramente mais expeditos na resposta ao acelerador – além de que a relação peso/potência é sobejamente mais favorável ao Jeep –, modelo cuja condução em cidade sai facilitada devido às dimensões mais contidas, mesmo que a câmara traseira (de série no Hyundai) surja apenas associada ao opcional sistema de navegação (também de série no Tucson Premium). Mas não podemos esquecer o facto do Compass oferecer mais possibilidade de personalização e até mesmo a inclusão (em opção), de elementos de segurança e ajuda à condução, como a travagem autónoma em situação de emergência ou a assistência de faixa de rodagem.
O contacto das rodas do Hyundai com a estrada é mais silencioso, refletindo o trabalho mais refinado das suspensões, sempre com menor sinal de ataque às irregularidades. Taragem que se mostra igualmente eficaz na contenção dos movimentos laterais da carroçaria em curva, quando o Jeep acaba por adornar e perder precisão.
Nesta atualização do Tucson, a Hyundai apurou elementos que lhe tornam imagem e a condução mais refinadas. A nova disposição ergonómica do tablier, com monitor tátil em posição mais altaneira, e a suavidade mecânica do recente 1.6 CRDi (mesmo com performances modestas) voltam a colocar este produto como uma das mais racionais propostas do mercado, facto a que não será alheio a qualidade de fabrico e os cinco anos de garantia geral. O Compass tem no semblante exterior e no arranjo do habitáculo dois pontos emotivos. O motor é mais pujante e a condução em cidade é facilitada pelas dimensões exteriores mais contidas.