A abrir, opinião estética pessoal: o Kia é um carro bonito, muito elegante e equilibrado, mas o Ford Focus é uma estampa! Finalmente, a marca da oval azul consegue dotar o compacto de uma imagem racing e simultaneamente elegante, o que não é fácil. Bom, mas apesar do design ser fator decisivo na escolha de quem compra carro, não é isso que nos cabe avaliar.
Neste confronto temos um frente-a-frente entre versões a gasóleo de Focus e Ceed. O primeiro utiliza mecânica de 4 cilindros em linha, de 1,5 litros e 120 cv/300 Nm, gerido por caixa automática de 8 velocidades. Este motor, que deverá ser um dos mais procurados em Portugal (desconhecemos se a primazia das preferências ainda irá para a caixa manual de 6 velocidades ou se a transmissão automática se imporá de vez...), não é dos mais silenciosos que conhecemos, mas a resposta agrada desde as baixas rotações, mostrando-se suave a desenvolver e com consumos comedidos. A caixa automática tem comando rotativo, tal como o da Jaguar, um upgrade de estilo e que nada perde em eficácia de utilização, requerendo apenas alguma habituação para não se estar constantemente a olhar para a mão direita durante as manobras. De resto, a caixa de oito velocidades mostrou suavidade a ritmos tranquilos, sendo preferível utilizá-la em modo automático do que manualmente através das patilhas no volante, o que a torna um pouco mais lenta na resposta.
No Kia, motor mais potente, com 136 cv/320 Nm. Mecânica de 4 cilindros e 1,6 litros, nesta versão gerida por caixa automática de 7 velocidades, que agrada sobremaneira no que toca à suavidade e agradabilidade de utilização, sendo sempre muito fluida a desenvolver e com ruído contido. As prestações são superiores às do Focus, o que não admira tendo em conta a diferença de potência e binário, mas também o consumo é inferior, com média apurada de 5,6 l/100 km contra 6,1 do Ford. Em resumo, dois motores bons de conduzir e que se distinguem essencialmente pelas prestações que oferecem.
Diferença muito maior encontramos no desempenho dinâmico. Vamos por partes, começando agora pelo Ceed. O automóvel coreano recebeu importantes mudanças na suspensão, com os responsáveis da marca a afirmarem a procura por ‘oferecer nível de conforto de carro de família, mas também diversão’. Nas gerações anteriores, elogiámos bastante o conforto e a suavidade, mas apontámos críticas ao desempenho dinâmico, sobretudo a acentuada subviragem. Agora, às alterações efetuadas nas suspensões dianteira e traseira e ainda na direção assistida elétrica (17% mais direta do que antes), podemos afirmar, sem rodeios, que além de níveis de conforto ótimos, o desempenho dinâmico é de alto nível, revelando-se mais ágil e previsível e com muito menor rolamento da carroçaria em curva. Mais: a direção revela-se mais direta e fornece melhor feedback do contacto das rodas dianteiras com o asfalto. Há ainda a acrescentar uma avaliação que consideramos fundamental: o impacto em piso estragado é sólido, revelando firmeza e não rigidez, ou seja, sentimos aquele 'conforto sólido' que habitualmente é virtude exclusiva de automóveis premium...
No Focus, no que toca à dinâmica, não se espera outra coisa que não seja a excelência. Mas, e se dissermos que os engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento dessa área do desempenho do automóvel se superaram? Pois, assim parece. É certo que a mecânica não tinha a patanisca adequada para avaliar tudo ao pormenor, mas com algum empenho e a puxar bem pelo 1,5 litros Diesel, conseguimos perceber a excelência do desempenho dinâmico, simplesmente mais eficaz e divertido que nunca! E atenção, nesta transição de geração, as versões que não são topos de gama ficaram sem suspensões independentes nas quatro rodas, pelo que o carro aqui analisado conta com arquitetura de eixo posterior de torção. Mas as virtudes dinâmicas estão lá: é o carro mais ágil, fácil de conduzir e divertido do segmento.
Por fim, refira-se que os materiais do interior do Focus são agora de melhor qualidade, uma evolução fundamental para se equiparar à concorrência. Nem tudo é fantástico, mas está melhor, havendo uma alternância entre plásticos rijos e borrachas de boa qualidade, sobretudo nas zonas mais altas do interior. Também a consola está mais fácil de utilizar, pois diminuíram o número de botões, sendo possível utilizar o ecrã tátil (bem posicionado no topo do tablier) para diversas funções. Avaliação idêntica na qualidade merece o Kia, mas está ligeiramente abaixo na habitabilidade, pois oferece um pouco menos de espaço em comprimento e em largura nos bancos traseiros.
Como evoluiu o Kia Ceed! O compacto é atualmente o modelo mais competitivo da marca coreana, com ótimo rácio preço/qualidade/equipamento/garantia. Mais: é competente na dinâmica, além de seguro e confortável. Tirando alguns aspetos menos bons do acabamento, é difícil encontrar defeitos a este automóvel. Por outro lado, temos o Focus: simplesmente o carro mais divertido de guiar deste segmento, mas neste confronto com motor menos potente e mais gastador que acaba por condicionar o resultado.