Os automóveis a jogo entram de forma decidida no novo território dos pequenos modelos SUV/crossover, ambos com medidas encaixadas no segmento B, quase a beliscar a categoria dos familiares compactos.
No caso do Fiat 500X, a versão Cross Look é um bocadinho especial ao nível da imagem exterior, algo que se percebe nos cromados aplicados, assim como nos para-choques e proteções Cross em contraste (cinzento Antracite), tipo TT. Já no Arona, é o formato e a combinação das cores da carroçaria em contraste com o tejadilho (há três opções, sem custo no nível Xcellence) que o tornam tão carismático, a par de um interior moderno, a respirar qualidade, e com equipamentos avançados. Aliás, esses aspetos sobressaem mais do que no caso do Fiat, embora este tenha alguns elementos de design inspirados no icónico 500, inclusive com a zona do tablier na cor da carroçaria. A assinatura visual que é dada pelas óticas Full-LED (por 600 €) é outro dos traços diferenciadores do 500X, o qual acrescenta alguns argumentos no âmbito da segurança ativa: alerta de mudança de faixa (com intervenção da direção...), aviso de aproximação a veículo da frente e travagem automática a baixa velocidade (esta por 300 €), além de alerta de ângulo morto (pack Safety Genius por 500 €).
Nesse domínio, ao modelo da Seat só lhe falta a possibilidade de ter o aviso de faixa de rodagem, embora a travagem automática e o aviso de colisão também sejam de série. E é ainda possível incluir o assistente de ângulo morto (350 €), a que se junta o alerta de trânsito à retaguarda, este último de extrema utilidade. No lado do Fiat, a vantagem é dada pela inclusão da câmara traseira, a qual tem custo opcional no Arona (550 €).
No que diz respeito ao somatório do equipamento de conforto regista-se quase um empate técnico, uma vez que, por exemplo, os bancos forrados a pele e Alcantara do Arona estão disponíveis por 450 € e a navegação por 500 €. Por sua vez, a pele sintética dos bancos do Fiat atinge 900 €, embora a navegação seja standard. Logo, somatório quase igual! Há, assim, poucas diferenças a esse nível, mas o modelo da Seat obtém depois outra diferenciação na atmosfera interna, algo que é dado pela melhor aparência dos materiais/forros e pela envolvência mais contemporânea, divergente do estilo rétro do 500X. Todo o interface do Arona é ainda mais moderno (ecrã central, comandos, teclas, grafismo) e a versão Xcellence acrescenta detalhes que reforçam a sensação de qualidade a bordo. Estranho é que não haja qualquer iluminação nos lugares atrás, notando-se também a falta de pegas.
Quanto às mecânicas Diesel, as prestações equiparam-se, embora haja supremacia do Arona nas acelerações e em certas recuperações, mesmo que o desempenho esteja constrangido à potência em causa, e isto apesar da ótima resposta a partir das 1500 rpm (250 Nm de binário máximo), sem dificuldades no trânsito citadino. Em terreno aberto (autoestradas), o esforço do 4 cilindros é mais notado, por vezes a pedir uma 6.ª relação que não existe, ao mesmo tempo que o ruído Diesel também podia estar mais dissimulado. Em 5.ª velocidade, por exemplo, de 60 a 100 km/h, o tempo de recuperação obtido é pior (15,2 s) do que no caso do Fiat (13,4 s), mas nas outras performances é o contrário, tendo ambos velocidade máxima (anunciada) igual: 172 km/h.
Apesar do formato e da maior altura ao solo, o 500X é uma boa surpresa em termos dinâmicos, sem balanços exagerados da carroçaria em curva (com alguns componentes herdados do Jeep Renegade), a par de reações mais firmes no mau piso, é certo, mas sendo eficaz e confortável (pneus Continental ContiEco Contact5 215/55 R17). Já o maior peso da direção é menos apreciado, assim como o largo diâmetro de viragem (11,5 m), mesmo que as manobras não se tornem difíceis por isso.
Refira-se que a qualidade de condução do Arona está uns furos acima da do Fiat, tendo em conta a ótima resposta por parte das suspensões e o equilíbrio em curva, seguramente entre os melhores da categoria, senão o melhor ! E o tato da direção é excelente, tendo melhor assistência a cada momento (mais direta e exata...), independentemente das circunstâncias ou da velocidade.
Na unidade em teste, a ligação ao asfalto é ainda sublinhada pelas jantes em liga leve de 18’’ e pelos Cinturato P7 da Pirelli (215/45), conjunto proposto opcionalmente (no pack Street Xcellence, por 650 €), gerando maior firmeza (e eficácia), mas sem prejuízo do conforto. Outro trunfo é a possibilidade de recorrer aos modos ECO, Normal, Sport e Individual, para condução à la carte, embora as diferenças sejam pouco notadas. Os consumos médios são parecidos (de 4,7 a 5,5 l/100 km) e os motores (Euro 6d) recorrem a aditivo AdBlue.
O resultado final espelha a supremacia do Arona perante o revisto 500X, embora este último reequilibre as contas através de alguns trunfos que importa não desdenhar, tais como o equipamento de série, maior garantia mecânica e imagem Cross Look suplementar. No entanto, naquilo que é essencial, o Seat ultrapassa-o, sendo óbvia a melhor qualidade estrutural, assim como o interior cuidado e moderno, além de alguns equipamentos avançados. Depois, a própria condução faz (tudo) o resto, revelando inegáveis vantagens do Arona, inclusive com melhor conforto e prestações um bocadinho acima, atingindo consumos tão moderados como no caso do oponente...