Kia Picanto 1.0 CVVT EX vs Toyota Aygo 1.0 X-CITE

Pequenos ginastas

CONFRONTO

Por João da Silva 06-04-2019 18:30

Fotos: Gonçalo Martins

Na atualização do Aygo, a Toyota apostou em quatro vetores: renovação do design exterior, melhoria da insonorização e do prazer de condução e redução do custo de utilização do veículo. No desenho, evolução na continuidade, mantendo-se, por exemplo, o X icónico, agora com efeito tridimensional. Os faróis foram redesenhados, integrando as luzes diurnas, existindo ainda ornamentação abaixo dos faróis (em negro, negro brilhante ou prata) que acentua a assinatura X. Atrás, há a destacar somente retoques nos farolins e para-choques.

No habitáculo, a simplicidade continua a ser a nota dominante, havendo que destacar a nova cor da instrumentação (que recebe também design tridimensional tipo «turbina») e a introdução de novas cores e revestimentos. Contudo, apesar das mudanças, a qualidade continua a ser pouca, pois não se encontra outra coisa que não sejam plásticos rijos. O Toyota compensa com montagem sólida a escolha das matérias-primas pobrezinhas, o que deve ser garantia de durabilidade em boas condições e sem surgimento prematuro de ruídos parasitas.

Boa deixa para a entrada em cena do concorrente de ocasião, o Kia Picanto, que mostra, neste particular, ser de outro campeonato, apresentando mediana qualidade de construção, cuidado empregue na montagem e na escolha de alguns revestimentos de toque mais suave e agradável, em alternativa aos plásticos mais rijos e rugosos, ainda assim em clara maioria, como é habitual nesta classe.

Nota positiva merecem os dois carros no que toca à ergonomia, estando os comandos de condução bem posicionados, assim como os respetivos ecrãs para gestão dos sistemas de infoentretenimento, os quais se encontram no topo da consola central, bem à mão de semear e no campo de visão do condutor, que não tem que desviar demasiado o olhar da estrada para visualizar as informações.

Exige-se, no entanto, um alerta: as forças policiais referem existirem cada vez mais acidentes causados pela utilização dos aparelhos multimédia dos automóveis, pelo que se aconselha atenção redobrada na sua utilização.

Sobre o Kia Picanto, e já que é sobre os habitáculos que nos debruçamos, há que referir que nesta 3.ª geração o míni sul-coreano mantém configuração para cinco ocupantes, o que lhe confere desde logo vantagem sobre o Toyota Aygo, limitado a quatro pessoas, com o que isso representa em termos de versatilidade... Contudo, não deixa de ser interessante avaliar o espaço disponível nos respetivos interiores, tópico em que coreano e japonês se aproximam bastante, apesar das diferenças no tamanho das carroçarias.

Vejamos: à frente, comprimento igual, mas vantagem para o Aygo na largura, com mais três centímetros, superiorizando-se o Kia na altura por quatro centímetros; atrás, vantagem do Picanto no comprimento (mais um centímetro) e a mesma diferença a favor do Toyota na largura (mais dois centímetros). O Kia continua a oferecer os mesmos quatro centímetros a mais na altura.

Muito mais significativas são as dissemelhanças nas bagageiras, pois o Picanto apresenta compartimento com 255 litros de capacidade, apenas mais 87 litros que o do Aygo. Rebatendo os bancos traseiros do Kia, o volume de carga sobe para 1010 litros, enquanto a do Toyota se fica pelos 700 litros...

Novidade importante apresentada na atualização do Aygo foi o aumento da potência do 3 cilindros de 998 cc, que passou de 69 para 72 cv, graças a algumas alterações técnicas, incluindo-se outras ainda que contribuíram para reduzir a vibração ao ralenti. A ligeira subida de potência não se repercute de forma significativa nas prestações, mas o tricilíndrico parece realmente mais despachado nas voltas e reviravoltas citadinas.

Comparando as performances do VVT-i do Aygo com o 1.0 CVVT de 67 cv do Picanto, a vantagem vai para o último, que vence todos os parâmetros avaliados, com particular destaque para as recuperações, que se explica pelo binário ligeiramente superior do motor do Kia (98 Nm contra 93), isto apesar do coreano ser um pouco mais pesado (mais 38 kg).

Muito importante em automóveis de cidade com baixas cilindradas e potência são os consumos. Nessa batalha paralela, o Aygo leva a melhor, apresentando média de 5,1 l/100 km contra os 5,6 l/100 km do Kia. Diferenças curtas e, por isso, pouco decisivas na avaliação, até porque o Kia gasta mais, mas também anda mais...

Nota final para a condução: a Toyota pretendia que o atualizado Aygo fosse mais divertido de guiar, mas pensamos que as alterações não foram suficientes para lhe conferir tal estatuto. É, contudo, um carro bastante ágil, aquilo que se pretende, afinal, de um citadino. O Kia Picanto merece idêntica avaliação, mas acrescenta maior estabilidade direcional, além de ser um pouco mais confortável do que o Toyota em mau piso.

Quando um automóvel ou qualquer outro bem material apresenta qualidade global superior à concorrência e ainda é proposto por preço inferior, não há quaisquer dúvidas sobre qual é o produto mais vantajoso para o cliente. Claro que há sempre as questões emocionais a baralhar as contas, mas aqui interessa-nos exclusivamente o fator racional, pelo que o Kia Picanto vence de forma indiscutível este duelo com o Toyota Aygo. O automóvel coreano apenas empatou num item (o do conforto) em cinco, tendo vencido todos os outros, pelo que a sua supremacia não tem, quanto a nós, discussão.

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Ficha Técnica

Características

KIA PICANTO

X-LINE 1.0 CVVT

TOYOTA AYGO

1.0 VVT-i X-CITE

Motor
Arquitetura 3 cilindros em linha 3 cilindros em linha
Capacidade 998 cc 998 cc
Alimentação Injeção eletrónica Injeção eletrónica
Distribuição 2 a.c.c./12v 2 a.c.c./12v
Potência 67 cv/5500 rpm 72 cv/6000 rpm
Binário 98 Nm/3750 rpm 93 Nm/4400 rpm
Transmissão
Tração Dianteira Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 5 velocidades Manual de 5 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos Discos ventilados/tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/9,4 m Elétrica/10,2 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 3,595/1,595/1485 m 3,465/1,615/1,460 m
Distância entre eixos 2,4 m 2,34 m
Mala 255 - 1010 litros 168 - 198 litros
Depósito de combustível 35 litros 35 litros
Pneus F 5,5jx14 - 175/55 R14 5,5jx15 - 165/60 R15
Pneus T 5,5jx14 - 175/55 R14 5,5jx15 - 165/60 R15
Peso 953 kg 915 kg
Relação peso/potência 14,3 kg/cv 12,7 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 161 km/h 160 km/h
Acel. 0-100 km/h 14,3 s 13,8 s
Consumo médio 4,4 l/100 km 4,1 l/100 km
Emissões de CO2 101 g/km 93 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 7 anos sem limite de km 5 anos ou 160.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos 3/12 anos
Intervalos entre revisões 15000 km 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 102,81 € 101,49 €

Medições

KIA

Acelerações
0-50 km/h 4 s
0-100 / 130 km/h 13,1 s
0-400 / 0-1000 m 18,6 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 8,8 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 8,8/12,2 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 14,1/18,5 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,4/9,5 m
Consumos
Consumo médio 5,6 l/100km
Autonomia 625 km

Medições

TOYOTA

Acelerações
0-50 km/h 4,1 s
0-100 / 130 km/h 13,7 s
0-400 / 0-1000 m 19 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 10,4 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 10,5/15,8 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 16,1/24,6 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38/9,7 m
Consumos
Consumo médio 5,1 l/100km
Autonomia 686 km