A Mazda operou uma atualização de pormenor no CX-3 por necessidade de reposicionar o seu modelo face ao novo protocolo de homologação de consumos e gases de escape.
Contudo, a marca de Hiroshima aproveitou para dar uns retoques na imagem: grelha dianteira redesenhada, alterações no formato das tomadas de ar e na base do spoiler, pequena mudança nos grupos óticos traseiros, novas jantes em liga leve de 18 polegadas e cor «Soul Red Crystal» com mais 20% de saturação e tonalidade 50% mais profunda que a anterior «Soul Red». Por dentro, novas cores e detalhes nos estofos e novo apoio de braços na consola central, que foi reformulada para integrar o travão de mão elétrico e receber inédita caixa porta-objetos.
Estruturalmente, a Mazda refere outros acertos na suspensão, procurando maior conforto acústico e de rolamento, bem como um comportamento dinâmico mais cativante. Mas muito mais importante é a introdução na gama de mecânica 1.8 a gasóleo de 115 cv para substituir o 1.5 de 105 cv, motorização que motiva este confronto entre o SUV compacto japonês e o Seat Arona equipado com 1.6 TDI também de 115 cv.
Sobressai, desde logo, a diferença de cilindrada entre as mecânicas, com o 1,8 litros do CX-3 a oferecer uma sensação de motor mais cheio, o que tem naturalmente muito a ver com a superior capacidade. Depois, a superior disponibilidade demonstrada pelo Skyactiv-D para recuperar é também facilmente percebida, o que tem explicação no binário 20 Nm superior ao 1.6 TDI do Seat. Sensações que se confirmam com as nossas medições: no arranque 0-100 km/h, 9,7 s contra 10,2 s, diferença que diminui ligeiramente aos 400 metros (17,1 vs. 17,3 s); nas retomas, ainda com vantagem para o Mazda, diferenças mais significativas na retoma 60-100 km/h em 5.ª (9,1 contra 11,9) e na recuperação 80-120 km/h em 6.ª, com 12,1 vs. 16,9 s. Nas velocidades máximas, quase um empate, com 184 km/h para o CX-3 (que face à versão 1.5 subiu 7 km/h) e 185 km/h para o Seat Arona.
Certamente mais importantes do que as prestações nesta categoria e o nível de motorização são os consumos. De acordo com os nossos medições, o consumo real do CX-3 é de 5,5 l/100 km, um valor muito positivo e que deve ser altamente valorizado, tendo em conta as prestações e, sobretudo, o maior agrado de utilização que proporciona. Menos rápido, o Arona 1.6 TDI registou média ainda melhor, com 5,2 l/100 km. Não é novidade alguma a frugalidade revelada por esta mecânica, certamente uma das mais económicas do seu género que está particularmente bem associada ao pequeno SUV da Seat.
No reverso da medalha das boas prestações e consumos do Mazda está o escalão superior no Imposto Sobre Veículos (ISV) e o encarecimento do Imposto Único de Circulação (IUC) que representa a utilização de motor com 1759 cc. Contas feitas, o CX-3 1.8 Skyactiv-D teve um aumento de preço na ordem dos 1400 € face à versão 1.5 e paga 258,78 € de Imposto de Circulação, quando o 1.5 pagava 146,79 €, precisamente o valor pelo qual é taxado o Seat Arona. E já que de dinheiro falamos, os rivais de ocasião estão muito equilibrados no preço, nada havendo a daí retirar em termos de pontuação.
Noutro âmbito, o do conforto de rolamento e desempenho dinâmico, há também equilíbrio entre CX-3 e Arona. Ambos utilizam jantes em liga leve de 18’’, o que claramente prejudica a filtragem dos pisos mais pobres, tornando-os muito sensíveis a buracos, bandas sonoras e outras armadilhas muito comuns das estradas portuguesas, onde até algumas autoestradas já apresentam pisos deteriorados. Depois, na forma como interagem com a estrada, mais concretamente com as curvas e contracurvas e rotundas e com tudo aquilo que põe à prova a agilidade de um automóvel, é o Mazda que se superioriza um pouco, simplesmente porque nos oferece melhor feeling de condução. No que toca à eficácia dinâmica e segurança em curva, o empate é redondo, mas também nos interessa apontar as dissemelhanças naquilo que contribui para maior prazer ao volante.
Outro aspeto relevante nestes SUV é, claro, a habitabilidade. E nisso, leva a melhor o carro espanhol, pois oferece mais espaço em largura à frente (5 cm) e atrás (6 cm), bem como maior espaço em comprimento para pernas nos bancos traseiros (4 cm). Num e noutro, todavia, lugares traseiros ao meio são mais desconfortáveis que os laterais, existindo ainda, também em ambos, proeminentes e incómodos túneis na zona de arrumação dos pés.
Recuando até ao fim das carroçarias, encontramos bagageiras de tamanhos distintos: aqui, ganha o Seat, com 400 litros de volumetria contra os 350 do Mazda. Diferença significativa. Ambos os automóveis oferecem idênticas soluções de rebatimento (60:40) para aumentarem o espaço para bagagens: Arona fica com 1280 litros, o CX-3 com 1260 litros. Diferença irrisória.
Nota final para a qualidade de construção, muito sólida, destes dois automóveis, bem como para os materiais de razoável qualidade. Há plásticos rijos nos respetivos habitáculos, claro, mas a qualidade geral em termos de revestimentos agrada bastante. Na ergonomia, entendemos dar mais um ponto ao Mazda pelo melhor posicionamento (flutuante, no ângulo de visão do condutor) do ecrã central.
O Mazda CX-3 ganhou pujança com a adoção de mecânica de 1,8 litros e 115 cv (mais 10 do que no 1.5), o que lhe garante prestações superiores, sem grande penalização dos consumos. Contudo, encareceu o preço da proposta a gasóleo, bem como o valor a pagar de IUC. Neste confronto com o Seat Arona, equipado com 1.6 TDI mais adequado à nossa fiscalidade, e com iguais 115 cv, o Mazda sai vencedor precisamente por apresentar melhores prestações que antes, ficando muito próximo do mais vantajoso consumo médio do Arona. Mas, na verdade, a vitória facilmente poderia pender para o Seat, tendo esta liça sido decidida por pormenores.