A designação Active é comum aos automóveis a jogo e em ambos os casos não se trata apenas de um modelo da gama, mas antes uma espécie de desdobramento do próprio de um formato original, com maior distância ao solo: mais 18 mm no Ford e 20 mm no Hyundai.
O Fiesta Active+, por exemplo, tem exatamente a mesma base do utilitário, embora esteja disfarçado de crossover e assuma outra dinâmica devido à referida elevação ao solo. Todavia, sem correr riscos, uma vez que cada um desses centímetros conta, pressentindo-se na condução.
Antes disso, ressalva-se a imagem próxima da de um SUV/crossover, numa diferenciação clara em relação ao Fiesta original, com a integração de proteções inferiores a negro nos para-choques e em redor das cavas das rodas, frisos cromados, barras no tejadilho (opção) e outras jantes em liga leve (17’’).
Para o Hyundai Active, a fórmula é idêntica, sendo até mais expressiva na secção frontal, quer pela proteção existente junto à grelha, quer pelos restantes contornos, e de onde sobressai ainda o tejadilho a negro. À semelhança do i20, o Active foi ligeiramente atualizado, com a revisão a abranger o retocar o desenho dos para-choques e o formato das luzes/óticas, além do portão da mala, e incluindo ainda outras jantes e cores exteriores.
Nos dois veículos, a versatilidade sai melhorada pela maior facilidade na entrada e saída dos habitáculos, e há ainda superior funcionalidade devida aos acessos mais práticos à área de carga. Quando se confrontam as dimensões interiores, o i20 leva vantagem, tendo mais centímetros em várias direções, embora as diferenças não sejam abissais. No entanto, isso entende-se na largura ao nível dos ombros, à frente e atrás, assim como na distância existente para as pernas na fila posterior (entre bancos). A bagageira do Hyundai também se revela mais funcional devido ao estrado duplo existente (ajustável em duas posições), o qual permite criar uma espécie de fundo falso.
Se o Ford é mais apertado e estreito, também é possível dar conta de que a sua atmosfera inspira maior elegância, sublinhada pela melhor qualidade dos forros e dos materiais, cuja aparência está acima da do i20. Este até exibe excelente montagem, mas que contrapõe a plásticos mais ásperos (rugosos) junto ao tablier e nos painéis inferiores das portas. Alguns dos conteúdos também concorrem para essa perceção, mesmo que a revisão efetuada neste i20 tenha trazido vários equipamentos que o modelo não dispunha, passando a ter agora mais ajudas eletrónicas à condução, como por exemplo o aviso de saída involuntária de faixa (tecla à esquerda do volante) e a travagem automática de emergência. Nessa matéria, há uma vantagem ampla do Ford, que tem mais dispositivos de segurança e outros luxos a bordo (de série ou em opção), e a possibilidade de beneficiar de campanha da marca para acrescentar gratuitamente, e à escolha, alguns dos opcionais de fábrica até 800 €.
A posição ao volante é mais envolvente no Ford (e mais fácil de ajustar de forma correta), até porque neste i20 Active é quase natural que as pernas/joelhos fiquem muito perto da coluna da direção, obrigando a regulações cuidadosas para se obter o melhor compromisso.
Regressando à diferença da distância ao solo destas versões face à da dos modelos convencionais, importa dizer que a vertente dinâmica não é (muito) afetada por esse pressuposto, tendo o Fiesta ótima apreciação, sem que a estrutura balance demasiado em curva, tendo um comportamento mais equilibrado do que o adversário. O ruído de estrada (pneus Continental Conti Sport Contact3 205/45) deveria ser inferior e as atitudes da suspensão menos secas no mau piso, mas no alcatrão regular demonstra ser bem confortável. O mesmo sucede com o Hyundai, cuja firmeza ao solo se deve mais aos Pirelli Cinturato P7 associados às jantes em liga leve de 17’’ do que à ação do amortecimento, este último a resolver adequadamente os contratempos impostos de vários asfaltos. Regista-se uma boa aderência em curva e a reação do chassis é equilibrada, sem excessos, embora a oscilação da carroçaria seja menos neutral do que no Ford.
A direção assistida do Hyundai i20 Active não é tão exata e isso altera quase tudo, a que se juntam alguns ruídos aerodinâmicos (no para-brisas e próximo do vidro no lado do condutor). E nem sequer há modos de condução diferenciados como no rival (ECO, Normal e Escorregadio).
Quanto às mecânicas de três cilindros, o 1.0 EcoBoost tem provas dadas, embora o bloco 1.0 T-GDI obtenha prestações equivalentes e consiga ultrapassar o adversário em certas acelerações. Mas por pouco. Em ambos, a condução é despachada e o ruído de funcionamento não é elevado, a par de fracas vibrações/ ressonâncias, embora a progressão (e resposta) do bloco Ford não seja tão esforçada, até porque recorre a transmissão de 6 velocidades (melhor escalonada), por contraponto à caixa de 5 relações do Hyundai, quase sempre a pedir 6.ª nos regimes mais altos. E isso também é vantajoso para os lados do encorpado Fiesta, o qual acaba por exibir consumos médios inferiores.
O propósito é idêntico e partilham até a designação Active, ambos com uma certa inspiração crossover que encaixa bem nos cânones atuais. No entanto, sem esquecer que a imagem conta (e aí o i20 até parece estar em melhor posição do que o discreto Fiesta...), o modelo da Ford é superior nalguns aspetos, inclusive no que se refere à modernidade do habitáculo (forros e materiais) e lista de equipamentos, quer no conforto, quer na segurança. Apesar disso, o i20 foi atualizado nesses domínios, tornando-se agora bem mais competitivo. No Ford, a condução e as atitudes dinâmicas são melhores, tendo uma direção mais precisa e reações estáveis.