Projetado e fabricado na Europa, o i20 é modelo com muita importância para a Hyundai, num dos segmentos que vale mais vendas no Velho Continente, dos utilitários, apesar de estar a perder fulgor, como quase todos, para os SUV/crossover. O modelo oferece habitabilidade ao nível dos melhores da sua classe, equipamento de alta tecnologia e conforto e design requintado. Partindo-se de base bem-nascida, agora limando-se aresta aqui e ali, a berlina de segmento B coreana evoluiu na... continuidade.
Nesta atualização, as novidades incidem no i20 de cinco portas e no Active, variante com imagem e aptidões para todo o terreno, modernizando o desenho e as funcionalidades de segurança, com a adoção do sistema SmartSense, pacote de equipamentos que inclui ajuda à manutenção em faixa, alerta e travagem de emergência para evitar colisões, monitorização da atenção e ainda comutação automática da iluminação. O para-choques foi redesenhado e integra típica grelha em cascata, característica da gama de modelos mais modernos da Hyundai. Na traseira, os para-choques, as luzes e a porta da mala foram renovados, esta última passando a incluir a matrícula. Há ainda novas jantes de liga leve de 15’’ e 16’’ e permite-se as opções por teto panorâmico, que é de série nesta versão Style Plus, e entre 10 cores para a pintura da carroçaria. Outra estreia é a possibilidade de escolha da tonalidade do interior, Red Point e Blue Point ou Black e Greyish Blue.
Mais discreta foi a operação de cosmética realizada no Skoda, apesar da série de alterações relevantes que exprimem a aposta da marca checa numa categoria em… declínio. O mercado, como se referiu, pende para os SUV/crossover, categoria onde a Skoda quer ter uma palavra a dizer. Talvez por isso, mais do que um Fabia IV, temos o mesmo III em versão revista e atualizada.
Na imagem da carroçaria, apenas retoques, em especial na grelha e nas óticas. No interior destaca-se o novo painel de instrumentos, as ligações USB nos lugares traseiros, incluindo mais funcionalidades, assim como a aplicação de outros forros nos bancos, abrangendo materiais, molduras e tecidos diferentes (e novas cores), numa decoração modernizada. Há ainda novos sistemas multimédia e de infoentretenimento operados a partir do ecrã central (tátil de 5’’ e/ou 6,5’’), os mais avançados com navegação incluída.
Nos motores, novidade é a inclusão de filtro de partículas nos blocos 1.0 TSI, a par da gestão eletrónica revista. É neste motor, com uma sonoridade que, sendo controlada, denuncia claramente a sua arquitetura, que o importador da marca checa para o nosso país aposta todas as fichas. Um moderno três em linha originário do pequeno citadino up! da VW, que ganhou turbo e intercooler para crescer em potência e binário, mantendo a pequeníssima cubicagem (999 cc). Nesta variante, de 110 cv (a mais potente do 3 cilindros com injeção direta e turbo), são raras as situações em que sentimos a necessidade de recorrer à boa caixa manual de 6 velocidades para apurar regimes de motor, pois com facilidade rodamos a velocidades de cruzeiro elevadas. E também com celeridade e segurança conseguimos concretizar uma ultrapassagem. Especialmente desembaraçada é, ainda, a condução em ambiente urbano, com o 1.0 TSI a mostrar resposta expedita acima das 1500 rpm, ganhando maior pujança logo antes das 2000 rpm. E, muito importante, o consumo médio, referencial.
Com os motores Diesel definitivamente cortados do portefólio também o i20 faz gala do seu milinho a gasolina, neste confronto o mais competitivo tricilíndrico da gama, com turbo, de um litro de cilindrada e 120 cv. O motor 1.0 T-GDI revela um funcionamento agradável, mas o destaque em unidade de tão pequeno tamanho é mesmo a consistência das prestações. Desempenho exemplar em trajetos urbanos, embora não tendo músculo para correrias desenfreadas, mas mais do que suficiente disponibilidade em aceleração para garantir condução tranquila e sem sobressaltos. Ao cronómetro, mesmo com mais 10 cv do que o motor TSI que equipa o Fabia, mas com bastante menos binário e caixa mais longa, o i20 atrasa-se ligeiramente nas acelerações e retomas. Parece ter mais nervo o Fabia a gasolina. Até dinamicamente, sendo automóvel estável, que se conduz com segurança e equilíbrio, com direção que pareceu-nos sempre suficientemente precisa, com a vantagem de conjugar leveza e acerto. Por outro lado, nem tem o comportamento divertido de outros utilitários da classe.
Já o i20, assumidamente mais comprometido com o conforto, com atitude bem mais composta em qualquer tipo de piso. Como no Skoda, a posição de condução no Hyundai também não é a mais envolvente. E onde o coreano se distingue decisivamente do rival de ocasião é mesmo na superior oferta de espaço para os ocupantes.
Na volumetria das bagageiras, regista-se empate técnico.
O Skoda Fabia não é automóvel para quem valoriza o arrojo do design, mas o rigor de construção e acabamento mantém o nível elevado que é habitual nos produtos da casa checa, recorrendo a materiais que não desiludem, desenho simples e arrumadinho. Na renovação a Skoda ainda não o colocou sobre base rolante mais moderna, a plataforma modular MQB A0 do Grupo VW, a permitir outro patamar de competência dinâmica e mais qualidade de rolamento. Por isso, não surpreende que o Hyundai i20 sobressaia através de melhor compromisso entre conforto e eficácia, sendo também automóvel mais equipado e espaçoso.