Neste 2019, que poderá ficar conhecido na história europeia do automóvel como o início da caça às bruxas do Diesel, muitos fabricantes estão a apontar baterias para o lançamento de novos e pequenos motores a turbo a gasolina, como seja o caso da Renault. Para o efeito, tratara-se de unidade de 4 cilindros de 1,3 litros de capacidade, desenvolvida em parceria com a Mercedes, e que está já a espalhar a sua fé da mudança em vários modelos, incluindo no Captur – que, em Portugal, continua a ser o mais procurado dos pequenos SUV.
Sucesso comercial que pode também ser apontado ao Hyundai Kauai. Continuam as listas de espera para entrega, o que estará intimamente ligado a forte conjugação de fatores: o Kauai tem formas originais, motor 1.0 turbo a gasolina de 120 cv e preço atrativo.
Neste balanço inicial, o motor 1.3 TCe permite ao Captur destacar-se na potência, com reflexos evidentes nas performances, ao rubricar ótimas acelerações. A nova mecânica a gasolina (com filtro de partículas) apresenta-se, igualmente, muito disponível nos baixos e médios regimes, sem hiatos e fortalecida pelo equilíbrio da arquitetura de 4 cilindros, mais suave e menos ruidosa face ao bloco de 3 cilindros da Hyundai. Que, não podendo ser catalogado como barulhento, não consegue ombrear com o trabalhar oleado com que o novo 1.3 TCe trabalha, ou mesmo na forma quase impercetível de atuar do stop-start nas filas de trânsito urbano.
O motor do modelo coreano resolve muito bem todas as situações do dia-a-dia, mas sente-se a menor capacidade interna (1 litros vs 1,3 litros) quando lhe é pedida a manutenção de ritmos mais altos em autoestrada. Nessas situações, o 1.3 TCe não só é mais competente, como ainda não pede em troca quantidades extra de combustível. Olhando para os consumos aferidos, existe proximidade entre ambos, em torno dos 6,5 l/100 km, mas a vantagem para o Renault justifica-se pela inferior flutuação das médias com o aumento da velocidade – no Hyundai, não é descabido ver o computador de bordo indicar valores perto dos 8 litros.
Continuando a ter as contas como foco da análise, o Kauai mostra toda a sua competitividade comercial ao ser proposto por pouco mais que 20 mil euros, sem penalizar sobremaneira a dotação de equipamento de série: conte-se com jantes de 18’’ (atenção ao preço dos pneumáticos na altura de troca...), tejadilho pintado a negro, climatização automática, câmara traseira e sensores atrás. Neste particular, a versão Exclusive do Captur, quase 3000 € mais cara, tenta compensar com iluminação exterior a cargo de (poderosos) faróis LED, pintura metalizada com tejadilho em cor contraste, aplicações em pele nos bancos e nas portas, navegação e cartão Mãos-livres.
A par deste recheio mais atraente, o Captur é o que melhor interpreta o lado familiar do conceito SUV, com carroçaria mais alta (tal como a posição de condução), acesso facilitado a habitáculo e mala, mais espaço em todas as direções e superior proliferação de locais de arrumo (abertos e fechados) com destaque para a ampla gaveta a fazer de porta-luvas. O banco traseiro do Captur pode ser ajustado longitudinalmente, permitindo oferecer mais espaço para ocupantes ou para mala, consoante as necessidades de utilização. Por sua vez, a bagageira conta com plataforma amovível que permite organizar o compartimento à medida das necessidades de utilização, sendo que o rebater dos bancos posteriores cria plataforma plana com a mala.
O interior do Kauai é quase tão largo como o do Captur, mas a inferior altura entre os assentos e o teto não permite que se obtenha a mesma sensação de espaço e liberdade a bordo. Se no equipamento de conforto o coreano perde para o SUV francês, acaba por sair na frente no que respeita aos elementos de segurança, propondo, de série, alerta para transposição involuntária da faixa de rodagem com intervenção automática no volante e ainda alerta de cansaço do condutor.
O cenário de suavidade do Renault alarga-se à forma serena e confortável com que as rodas pisam o alcatrão, com reduzidas oscilações a chegaram ao habitáculo. Neste particular, o Hyundai é um pouco mais firme e seco, mas que não é de estranhar face à escolha por pneus de perfil mais baixo. O que, em conjunto com a carroçaria mais próxima ao alcatrão, faz do Hyundai o mais dinâmico e envolvente de conduzir, mais próximo da estrada e com posição de condução bem conseguida, até porque, à volta do condutor, todos os comandos estão bem colocados, em particular o monitor central tátil.
A nova motorização turbo a gasolina trouxe novo ímpeto ao Captur, não só pelas performances, como também pela suavidade e disponibilidade de utilização. A arquitetura de 4 cilindros marca pontos pela forma oleada e quase inaudível como evoluiu na escala de rotações e com consumos referenciais para o segmento. O Hyundai Kauai mantém a racionalidade, com preço atrativo, mecânica viva e dinâmica assertiva. Mas é menos espaçoso e versátil que o Captur.