À 12.ª geração (e com mais de 45 milhões de unidades espalhadas pelo Mundo), a gama Toyota volta a ganhar força, em particular na Europa, com a carrinha a mostrar fortíssimas credenciais familiares, que cruzam bem com a solução de propulsão híbrida no que aos fatores racionais diz respeito. E também na originalidade da motorização, sendo a única do género em segmento ainda dominado por mecânicas Diesel, caso da igualmente recém-lançada Kia Ceed SW 1.6 CRDi, uma das atuais rainhas da racionalidade.
Em sintonia, Kia e Toyota propõem sete anos de garantia geral, ótimo cartão de visita de uma previsível durabilidade e fiabilidade dos produtos. Também próximas estão Ceed SW e Corolla Touring Sports na volumetria das bagageiras: se a carrinha coreana apresenta o maior compartimento de carga do segmento, com 628 litros, a nova Corolla TS aproxima-se bem perto, com 598 litros, conseguindo-os com a ajuda do aumento da distância entre eixos face à berlina Corolla de cinco portas, o que também muito ajuda à obtenção de muito espaço livre para as pernas dos ocupantes do banco traseiro (75 vs 68 cm), embora exista equivalência de habitabilidade em relação à largura e altura.
Voltando às bagageiras, se a da Kia vence na volumetria e na quantidade (formato e utilidade) de alçapões sob o piso, o compartimento de carga da Corolla TS conta com piso reversível, chapeleira que recolhe à ordem de um simples toque, rede de separação de carga – que pode também ser erguida com os bancos rebatidos – e simplicidade de rebatimento mediante patilhas colocadas na mala, além de original iluminação em LED nas paredes laterais da mala, a todo o comprimento da mesma. Tudo junto ajuda a cimentar a liderança na versatilidade, mesmo que no habitáculo ambos os modelos contem com igual número e semelhante disposição de locais de arrumo, todos eles práticos e bem à mão.
Os interiores surgem à prova de falhas na montagem, com solidez consolidada, somando alguns rasgos de originalidade, caso das costuras no tablier. A disposição ergonómica é, mais uma vez, semelhante, girando em torno do monitor central tátil que concentra a maioria das funcionalidades a bordo.
O habitáculo da versão TX da Kia Ceed surge apaparicado com bancos revestidos a pele e tecido e de formato mais cómodo, colhendo ainda vantagem pontual no equipamento com a presença de sensores de parque atrás e navegação. A versão Square do Corolla destaca-se nas ajudas à condução, com cruise control adaptativo, faróis LED e aviso de aproximação em caso de acidente. No Corolla, ainda, tejadilho e capas dos retrovisores pintados a negro e painel de instrumentos com elemento central digital.
A aposta em solução de propulsão híbrida na Toyota (que já desistiu dos Diesel) contribui de forma essencial para a descontração vivida ao volante do novo Corolla. Ao motor 1.8 a gasolina associa- -se a disponibilidade imediata da unidade elétrica, a qual acumula autonomia para percorrer pequenas distâncias sem intervenção da mecânica a gasolina. Mas mais importante do que a pergunta «quantos quilómetros faz em modo elétrico?» será a capacidade de gestão do módulo híbrido, que permite que o motor elétrico atue a solo durante mais algum tempo, desligando o 1.8 a gasolina mal se tire o pé do acelerador. Até mesmo a unidade de transmissão, do tipo CVT, responde agora de forma mais progressiva, trabalhando para a referida serenidade experimentada a bordo, especialmente em cidade. Pedindo-se rendimento à mecânica, as performances não são o seu forte, demorando segundos extras a ganhar velocidade face ao 1.6 Diesel da Kia.
No modelo coreano, solução mais tradicionalista, a cargo de recente unidade 4 cilindros da família CRDi, com 136 cv, e que quando acompanhada pela caixa automática de dupla embraiagem e sete relações, vê o binário máximo subir até aos 320 Nm (280 Nm com caixa manual de 6 velocidades). Mesmo sendo unidade de ruído contido e trato refinado, não atinge o grau de serenidade do conjunto híbrido da Toyota, embora as performances aferidas e as sensações de ganho de velocidade sejam evidentemente mais lestas. Por outro lado, o constante liga-desliga do motor a gasolina do Corolla resulta em consumos a rondar os 5 l/100 km (e até menos em cidade); o tradicionalmente mais poupado Diesel dificilmente baixa dos 5,8 l/100 km.