Ótima deixa para a entrada em cena do Kia Ceed, modelo que muito evoluiu na qualidade na geração que agora vigora, mas que fica alguns furos abaixo do rival japonês neste aspeto. Onde o Ceed leva a melhor é na habitabilidade nos lugares dianteiros, mercê dos dois centímetros a mais na largura. Atrás, empate técnico: o Kia é mais largo (novamente 2 cm), mas o Mazda oferece mais espaço em comprimento para as pernas (também 2 cm). Gostámos das posições de condução dos dois automóveis, bem como do posicionamento dos elementos relativos à condução (pedais, volante, seletor da caixa) e de gestão do sistema de infoentretenimento e do posicionamento dos ecrãs onde se operam a maior parte das regulações do automóvel. Contudo, preferimos o sistema de infoentretenimento do Mazda, mais fácil de entender e com rodela na consola para aceder aos menus. Esta solução, utilizada por muitas marcas, é, no nosso entender, a melhor e a mais segura de utilizar depois de um período de habituação. Isto ainda que consideremos que o excesso de aplicações e de dispositivos nos sistemas multimédia seja sempre um desnecessário motivo de distração.
Recuando ainda mais na análise às carroçarias e à utilização útil do espaço das mesmas, chegamos às bagageiras, onde o Kia Ceed se destaca com compartimento com 395 litros de capacidade na configuração de cinco lugares do habitáculo, mais 44 litros que a mala do Mazda3. Com o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros, a diferença sobe para 265 litros, também a favor do Kia.
Qualquer destas marcas conta com motores modernos nas respetivas gamas, quer a gasolina, quer a gasóleo. No caso concreto deste confronto, estamos perante duas unidades a gasolina bastante díspares na arquitetura (3 cilindros no 1.0 T-GDI do Ceed, 4 cilindros no Skyactiv- G do Mazda3) e na cilindrada, mas aproximando-se bastante na potência, 120 cv contra 122. Já os valores de binário também alinham pelo distanciamento da cilindrada, com 172 Nm no Ceed e 207 Nm no Mazda. Números e mais números que não explicam que as mecânicas de Ceed e Mazda3 oferecem uma condução fluida e sem hiatos, muito silenciosa e embelezada pelas trocas de caixa suaves e diretas proporcionadas pelas boas caixas manuais de 6 velocidades. Nas nossas medições apurámos que o Mazda3 é claramente melhor nas acelerações, nomeadamente no arranque 0-100 km/h, com importante diferença de 2,7 segundos. Já nas retomas, ainda que a vantagem global seja do automóvel japonês, o Kia Ceed consegue ser melhor em alguns registos, isto apesar do binário ser, como vimos, muito inferior. O turbo faz milagres... E para encerrar o capítulo das prestações, mais uma vantagem para o Mazda3, desta feita na velocidade máxima: 197 km/h contra 190 km/h.
Quanto aos consumos, tudo depende, naturalmente, dos ritmos. Contudo, cumprindo à risca o protocolo de aferição de consumos médios, apurámos média de 7,5 l/100 km para o Kia Ceed e de 6,5 l/100 km para o Mazda3. Nenhum deles é estupendo, claro, mas o do automóvel japonês ainda se aceita. Já o do Ceed parece-nos claramente exagerado para aquilo que o carro oferece em matéria de prestações.
Competência e diversão são características comuns de Ceed e Mazda3 quando fazemos a análise ao conforto e ao desempenho dinâmico. E de tal forma assim é que diríamos que se copiam quase integralmente. Ambos são confortáveis sem serem excessivamente moles, o que é, quanto a nós, o compromisso perfeito, mas nem por isso fácil de alcançar, como se sabe. Foram muitas as décadas em que os fabricantes alemães foram os únicos donos do segredo deste compromisso, mas a verdade é que há muitas outras marcas a merecerem elogios neste particular tão importante do automóvel.
A imbatível garantia de 7 anos ou 150 mil km da Kia de pouco valeram ao Ceed 1.0 T-GDI TX neste duelo com o muito bem equipado Mazda3 2.0 Skyactiv-G Excellence, que é também mais rápido a acelerar e na maioria das recuperações, gastando significativamente menos. No restante, grande equilíbrio entre os dois rivais asiáticos, que repartem vantagens em diversos aspetos da nossa avaliação.