Desde que lançou o X5, em 1998, a BMW já vendeu mais de 2,2 milhões de unidades do seu primeiro SUV, que entra agora na 4.ª geração. Para o avaliarmos em confronto convidámos outro SUV alemão de sucesso, o VW Touareg, lançado em 2002, e do qual foram vendidas mais de um milhão de unidades, sendo que a 3.ª geração entrou ao serviço no ano passado.
O X5 IV é um automóvel quase totalmente novo, tendo sido desenvolvido com base em três pilares: em primeiro lugar, garantir que o novo Sports Activity Vehicle (SAV) oferece condução de feeling desportivo, mantendo elevados níveis de conforto e considerável capacidade off-road; depois, o refinamento. Trata-se, como se sabe, de um dos produtos mais caros do gama BMW, pelo que o fabricante de Munique entende que não pode falhar minimamente na elevada qualidade dos materiais utilizados e nos padrões de acabamento; o último pilar, tem a ver com a modernidade e eficácia dos sistemas de assistência à condução, sendo que a BMW não quer tornar o X5 em algo demasiado tecnológico.
Vejamos, então, o efeito prático destas premissas. Começando pela habitabilidade – o SUV da BMW cresceu 36 mm em comprimento, 66 em largura e 19 em altura, enquanto a distância entre eixos ganhou 42 mm –, o X5 mostra maior desafogo no habitáculo, disponibilizando comprimento suficiente nos bancos dianteiros para albergar pessoas de todos os tamanhos e espaço em largura referencial para a classe, com 153 mm de porta a porta, mais 7 cm que o Touareg. Nos lugares traseiros, viajam três pessoas – há possibilidade de acrescentar 3.ª fila por 2500 € – em condições ótimas de conforto, diminuindo a vantagem em largura para 2 cm face ao VW, que até supera o BMW no comprimento em 2 cm. É importante referir que, nesta 3.ª geração, a carroçaria do Touareg cresceu 77 mm em comprimento, 1 mm entre eixos e 44 mm de largura, pelo que a habitabilidade também aumentou, nomeadamente nos bancos posteriores, com os ocupantes dos lugares traseiros a beneficiarem de espaço extra. Contudo, no VW, o túnel central é bastante intrusivo no momento do passageiro do meio arrumar os pés, ao contrário do BMW, onde quase não há saliência no piso.
Depois, o volume da bagageira do Touareg evoluiu para 810 litros (mais 113), na configuração standard do compartimento. Mas atenção: o VW conta com regulação longitudinal dos assentos (as calhas têm 16 cm de curso e, esticando-se os centímetros para as pernas, encolhe-se a capacidade de carga) e inclinação dos encostos (21º, no máximo), o que lhe vale ponto extra na funcionalidade/versatilidade. A bagageira do SUV da VW pode ainda chegar aos 1800 litros com o rebatimento total dos bancos traseiros. No X5, a volumetria da mala com o habitáculo na configuração de 5 lugares, é de 650 litros, chegando aos 1870 litros com o rebatimento dos bancos traseiros. Refira-se, ainda, que ambos os automóveis contam com abertura elétrica dos portões da bagageira, sendo que o X5 tem abertura bipartida, com qualquer das portas com funcionamento elétrico de série. Quando a secção inferior está aberta, o utilizador beneficia de uma útil plataforma para pousar objetos mais pesados antes de os arrumar.
No habitáculo do X5, não há dúvida alguma de que a BMW conseguiu alcançar a sensação premium pretendida. E fê-lo recorrendo a materiais de muito boa qualidade e efetuando uma construção sem falhas, com muito cuidado nos acabamentos. A posição de condução é excelente, e não só tendo como medida a realidade dos SUV, e a ergonomia não tem falhas, com destaque para o posicionamento do ecrã a cores de 12,3’’ posicionado bem no topo da consola central, permitindo visualização e respetiva utilização sem desviar em demasia os olhos da estrada. Contudo, em termos de segurança, será sempre melhor o condutor optar por se seguir pelos dados da instrumentação, no caso também servida por ecrã a cores de 12,3’’ que fornece informações detalhadas sobre tudo e mais alguma coisa ou pelo head-up display (proposto em opção por 1440 €).
O habitáculo do Touareg não fica muito atrás em qualidade, ainda que não chegue à excelência do BMW. Mas com isto não se pense que há falhas no VW, porque de facto não há, contando igualmente com materiais nobres e acabamentos de grande qualidade. A posição de condução, contudo, é um pouco menos envolvente do que a do BMW, mesmo que o banco ofereça múltiplas regulações elétricas. Ainda assim, a ergonomia do Touareg também merece destaque pela positiva, com os comandos relativos à condução bem posicionados e impressionante Innovision Cockpit com dois painéis digitais de grandes dimensões para instrumentação e info-entretenimento, de 12’’ e 15’’, respetivamente, e ainda projeção direta de informações no para-brisas (Head-Up Display por 1320 €). Nota final para a muito boa insonorização de qualquer dos habitáculos aqui analisados.
No que toca às mecânicas, uma diferença sobressai logo à cabeça: o BMW utiliza um 6 cilindros em linha, enquanto o VW prefere um 6 cilindros em V. O X5 xDrive30d utiliza motor de 3 litros, com 265 cv e 620 Nm, a caixa automática de 8 velocidades, sistema de tração integral permanente e suspensão com amortecedores adaptativos, oferece condução muito leve, com a direção a merecer rasgados elogios pela precisão (ou não tivesse a opcional direção ativa integral, proposta por 1300 €), o que resulta numa impressionante desenvoltura num automóvel de mais de duas toneladas. Curvas, travagens, acelerações, recuperações, tudo é feito com grande competência, mas nem por isso oferecendo grande adrenalina (a não ser que se chegue realmente a situações extremas!), pois embora seja muito rápido (e as nossas medições provam-no), a fantástica insonorização e filtragem do habitáculo face ao exterior acaba por amenizar bastante a sensação de velocidade.
No Touareg, há V6 com 286 cv e 600 Nm a puxar pela carroçaria de 2070 kg, mas a verdade é que, de acordo com as nossas medições, ainda que o VW seja mais potente que o X5, é mais lento em aceleração, gastando quase mais 1 segundo que o rival no clássico arranque 0-100 km/h. À medida que a velocidade aumenta, a distância vais diminuindo, mas o X5 leva sempre vantagem. Por outro lado, nas recuperações, há maior equilíbrio. O BMW é mais rápido 0,4 s na recuperação 40-80 km/h, mas perde por 0,3 s no 60-100 km/h; empate a 4,9 s na retoma 80-120 km/h.
O VW Touareg mostrou-se mais confortável do que o X5 em mau piso. Ambos contam com suspensões pneumáticas, mas iso nem tudo ameniza quando há jantes enormes e pneus muito finos. A BMW exagerou no X5 que guiámos, dotando o carro com jantes de 22’’. O resultado é alguma pancada na passagem por mau piso, buracos e lombas sonoras. O VW, com jantes de 20’’, também não fica incólume nestas situações, mas os passageiros são menos afetados que no X5. Registe-se que o Touareg também oferece condução dinâmica e ágil, mas a direção mais vaga do que a do BMW e a maior oscilação da carroçaria em curva não permitem que tenha a mesma pontuação do X5.
Dois magníficos SUV para utilizar em asfalto ou em todo-o-terreno, pois qualquer das propostas de BMW e VW está perfeitamente habilitada a enfrentar caminhos menos académicos. O X5 é o vencedor deste confronto e isso explica-se em poucas linhas: o habitáculo tem qualidade referencial, o motor oferece prestações superiores, gastando menos que o do VW, e o comportamento dinâmico é excecional para automóvel com tanto tamanho e peso. O Touareg é SUV de elevadíssima qualidade e tem muito poucas falhas, mas face a este X5 xDrive30d isso não chega.