As vendas das versões Diesel em Portugal estão a baixar drasticamente, havendo cada vez maior preferência pelos motores a gasolina. Verifica-se, ainda, um crescimento nas vendas dos veículos elétricos, mas a verdade é que a sua representatividade é pequena, pois há muita gente que ainda não acredita na rede de carregamento/autonomia dos veículos de zero emissões. Paralelamente, os híbridos, proposta ambientalmente mais correta e (para já) mais racional que os elétricos, estão a ter mais procura.
Posto isto, colocámos frente a frente dois SUV compactos (exemplares da categoria mais vendida na europa), BMW X2 e Toyota C-HR, respetivamente em versões a gasóleo e híbrida a gasolina. No primeiro caso, trata-se da versão de entrada na gama Diesel do X2, o sDrive16d, que utiliza motor de 3 cilindros em linha com 116 cv e 270 Nm, aqui acoplado a transmissão automática com conversor de binário e 7 velocidades. Do outro lado da barricada, C-HR que utiliza a base da 4.ª geração do Prius e a mesma propulsão 1.8 HSD: 4 cilindros a gasolina de 98 cv apoiado por motor elétrico de 53 kW/72 cv alimentado por bateria de 1,3 kWh, e o primeiro associado a transmissão de variação contínua (CVT) que, refira-se, não é fantástica na suavidade e na rapidez. Em aceleração mais forte, o ruído do 1.8 torna-se muito elevado, prejudicando o conforto auditivo de tal forma que, nessas situações, nem a boa insonorização do habitáculo o filtra satisfatoriamente. Teoricamente, é possível conduzir o C-HR em modo estritamente elétrico até aos 58 km/h, isto desde que haja carga nas baterias (regeneração a partir das travagens e desacelerações), mas isso raramente acontece, a não ser no pára-arranca ou em manobras de estacionamento. Contudo, apesar do funcionamento puramente elétrico ser muito reduzido, a solução híbrida contribui para obter consumos bastante frugais, como o prova a média de 5,6 litros a cada 100 quilómetros que apurámos, apenas mais 1,7 l/100 km do que o valor anunciado. Ora, isto quer dizer que com um depósito de gasolina (43 litros) é possível percorrer cerca de 800 quilómetros – variável tendo em conta o modo de condução escolhido, sendo que há modo Sport para maiores correrias –, que custam, tendo em conta o preço médio da gasolina sem chumbo 95, à volta de 70 €.
No caso do X2 sDrive16d, os consumos também não são um problema, como se percebe pela média de 5,7 l/100 km, garantia de quase 900 quilómetros de autonomia com um depósito de 51 litros que custa cerca de 74 € a encher de gasóleo simples. Contas feitas, pagamos mais 4 € para encher o depósito do BMW, mas fazemos mais 100 quilómetros. A diferença não é assim tão relevante, pois tudo depende do tipo de condução, bem como das variações no preço dos combustíveis, que aproximam cada vez mais o gasóleo da gasolina...
No que se refere às prestações, vantagem do X2 nas acelerações, que vence, e com vantagem significativa, todos os parâmetros analisados. Contudo, nas retomas, o C-HR dá-lhe o troco, mostrando-se mais despachado em dois dos registos (40-80 km/h e 80-120 km/h), enquanto o BMW vence no 60-100 km/h. É também o modelo alemão que leva a melhor na avaliação à velocidade máxima, com 192 km/h contra 170 do Toyota.
Este melhor desempenho global do X2 nas prestações encontra paralelo no comportamento, com o carro bávaro a fazer jus aos pergaminhos dinâmicos da marca alemã, oferecendo uma condução fluida em qualquer percurso, sobressaindo a forma eficaz como lida com as viragens, sendo contidas as oscilações da carroçaria mesmo quando há curvas e contracurvas para negociar. Não desgostámos de conduzir o C-HR, muito pelo contrário. A diferença na dinâmica face ao BMW tem a ver com a competência do alemão e não com demérito do automóvel japonês. O crossover da Toyota tem direção leve que facilita as manobras em locais apertados e é giro de guiar em zonas sinuosas, embora não tenha a eficácia do X2. Conhecemos este produto e podemos ainda acrescentar que é bom o compromisso entre dinâmica e conforto, ainda que as jantes de 18’’ da unidade que testámos a tornassem mais sensível a irregularidades do piso, bem como a outros obstáculos no percurso. De defeito igual padece este X2, cujas jantes de 19’’ impedem que avaliemos em rigor os níveis de conforto.
Nesta batalha entre Diesel e híbrido a gasolina, vence... o Diesel! Mas não se empolguem já os defensores do gasóleo, nem deprimam os fãs dos híbridos, pois não foi só pela mecânica que o carro alemão ganhou, mas também pelo maior equilíbrio geral: é mais espaçoso e tem mala maior, é mais dinâmico e tem mais qualidade. O C-HR leva vantagem nos consumos, no preço e no equipamento, mas falha decisivamente na volumetria da bagageira e na versatilidade.