Faz tempo que a Audi percebeu o potencial e o êxito da fórmula de miniaturização do conceito da moda e, de Q em Q, foi descendo do 7 ao 2, para finalmente passar a oferecer SUV modernaço, que é 12 cm mais curto que o A3, usa a mesma plataforma técnica, motorizações e panóplia de tecnologias, com o objetivo de copiar-lhe também o sucesso.
Agora, a DS colocou em prática no seu portefólio movimento parecido, pegando em muitos dos ingredientes que ditaram o sucesso do imponente 7 Crossback, e replicando-os num modelo mais compacto, o 3 Crossback, com o mesmo objetivo de propor alternativa credível aos fabricantes alemães.
Com 4,12 metros de comprimento e as proporções mais apreciadas do mercado automóvel, com carroçaria larga, de ombros largos, e elevada em relação ao solo, e ainda com a possibilidade de dispor de rodas de grandes dimensões, o novo SUV chique francês baseia-se na nova plataforma do Grupo PSA para modelos do segmento B (CMP), arquitetura que é também a base do vindouro Peugeot 208, e que permite a compatibilidade com motorizações elétricas. Esta plataforma é também mais leve (menos 40 kg em média, graças a materiais inovadores como aço de ultra alto limite elástico, o alumínio ou os materiais compostos), oferecendo uma maior modularidade em comprimento largura, altura e diâmetro das rodas. Nesta versão Performance Line, de série, belíssimas jantes de 17’’ Dubai. Casam bem com as linhas da carroçaria que são extremamente irreverentes, disruptivas, e ajudam a sublinhar esta espécie de posicionamento à parte na categoria dos SUV/crossovers compactos, apontando a clientela mais jovem e elitista, que valoriza todas as questões de imagem. Entre os elementos diferenciadores, originais puxadores de portas destacáveis.
Ao contrário, a Audi aposta em imagem de sobriedade, procurando claramente resultado mais... consensual.
Tecnicamente, o Q2 é modelo muito próximo do A3, o que quer dizer que tem a serviço evolução da multifacetada plataforma MQB, com via traseira mais larga e com a mesma distância entre eixos, para oferta de espaço que é generosa, mais à frente do que atrás, com bancos traseiros em posição sobrelevada, deixando o volumoso túnel de transmissão mais distante de causar transtorno.
As costas dos bancos do pequeno SUV alemão podem rebater em 60/40, ampliando a capacidade da mala até aos 1050 litros, a partir dos 405 litros que são o volume de carga na configuração simples de cinco ocupantes a bordo.
Volumetria superior à que oferece o DS, que também é automóvel ligeiramente mais acanhado e limitado nas soluções de modularidade e funcionalidade no seu interior.
No interior do automóvel francês exibe-se a mesma receita de irreverência usada na conceção da estilosa carroçaria, bom gosto decorativo e... profusão de botões, patilhas, arestas, com alguns pormenores a rever: os elevadores dos vidros colocados na consola central, a centímetros do comando do travão de parque (elétrico), que pode acionar-se sem querer...
No painel de bordo do Q2 encontram- -se todas as semelhanças com o A3, onde se exibe a qualidade muito elevada dos materiais e acabamentos daquele modelo de referência na sua categoria. A zona central do tablier, que agrupa o sistema de climatização e o monitor do infoentretenimento no topo, está cirurgicamente direcionada para o condutor, denotando cuidado estudo ergonómico que o DS ainda não alcança.
Esta versão do Q2 custa menos, trunfo valiosíssimo, sobretudo entre os construtores com estatuto premium. Mas é conseguido à custa de recheio que é manifestamente... pobre.
Também o motor de 999 cc a gasolina, com 116 cv, não resulta particularmente entusiasmante, sobretudo quando associado à imagem insuflada que fica desta espécie A3 de pernas altas. Mas tem o aliciante de ser motorização com posicionamento de preço atrativo. E, no frente a frente com o modelo da DS, que monta mais pujante mecânica 1.2 Puretech, com 130 cv, não faz má figura.
Porém, onde melhor se percebe inferior potência e binário (200 Nm contra 230 Nm do motor francês) deste 1.0 TFSI é nas retomas de velocidades a baixos regimes, como comprovam os valores aferidos na nossa sessão de medições dinâmicas. Problema: no DS 3 Crossback, para manutenção de consumos tão interessantes quanto os do Audi, exige-se contenção no pedal da direita.
As satisfatórias prestações destes modernos blocos a gasolina harmonizam-se com as boas credenciais dinâmicas de modelos com simplificada arquitetura de suspensões posteriores com eixo de torção. No Audi, a afinação de amortecimento tem ênfase na firmeza para restringir os movimentos transversais da carroçaria nas transferências de massa mais fortes, como as que sucedem nas mudanças de direção, em curva, por exemplo, mas não provoca prejuízo grave ao conforto de rolamento. O Q2 é um SUV especialmente ágil perante os da sua espécie, DS incluído.
A suspensão do 3 Crossback apresenta definição que beneficia o bom compromisso entre conforto e eficácia do comportamento, filtrando de forma competente as irregularidades do piso. Mas deste amortecimento que é macio para automóvel com imagem quase racing, resultam alguns movimentos da carroçaria que empurram levemente a frente ao curvar de forma mais apressada.
Partindo de preços base que nada têm de competitivos, Q2 e 3 Crossback partilham o posicionamento elitista… e pouco mais! O DS destaca-se pela originalidade (um must, os puxadores destacáveis nas portas...), com irreverência que o Audi... tem a menos! Contas feitas aos diferentes atributos, motor e caixa do automóvel francês acabam por fazer a diferença.