Muitas das sessões fotográficas que efetuamos para a AUTO FOCO são absolutamente discretas para quem passa no local onde os automóveis posam para o boneco. Mas naturalmente, há exceções. Quando os automóveis são mais chamativos, seja pela cor, a exclusividade ou o tamanho.
Como é fácil de perceber pelas imagens que acompanham esta prosa, os automóveis que aqui analisamos são tudo menos discretos e um verdadeiro chamariz de atenções. Sobretudo quando os colocamos num areal à beira da estrada, tipo de piso completamente inacessível à larga maioria dos carros que por aí circula, mas que para o Jeep Wrangler Unlimited Sahara 2.2 CRD e para o Mercedes-Benz G 350 d é um alcatrão novinho em folha, ou não fossem estes modelos dois dos últimos exemplares à séria do conceito inaugurado, pela Jeep, marca da American Automobiles, e cuja designação nasce antes da década de 30 devido às necessidades do esforço de guerra americano. Os primeiros modelos, designados Willys, preenchem os requisitos necessários: leves e aptos a qualquer tipo de terreno. Em 1941, a marca ganha a designação Jeep numa demonstração da capacidade todo o terreno dos veículos, no Capitólio dos EUA, em que o condutor Irvin Haussman respondeu que o veículo se chamava Jeep. Daí à utilização do termo jipe para designar os veículos todo-o-terreno foi um curto passo, e que se explica por um processo conhecido: uma marca registada de um produto passa a designar, por um processo metonímico, uma categoria de produto, independentemente de o mesmo ser produzido por outras firmas e de ostentar um nome diferente.
Depois de um pouco de história, analisemos os jipes (lá está) deste confronto um pouco atípico pela diferença enormíssima de preço entre ambos. Cerca de 100 mil euros separam Jeep Wrangler de Mercedes Classe G, o que se explica por... Esperem, como se explica uma diferença de 100 mil euros entre dois carros?! Difícil... Esqueçamos a explicação e tentemos simplesmente perceber se cumprem realmente com o espírito jipe.
O Jeep Wrangler está equipado com novo 2.2 Diesel com 200 cv, muito bem auxiliado por caixa automática de 8 velocidades, e que garante utilização despachada, acelerando e recuperando sem esforço. Menos positivo é o ruído de funcionamento que invade o habitáculo de forma incomodativa. Não que o motor seja demasiado barulhento, nada disso, mas a insonorização do Wrangler, automóvel montado tipo puzzle, é muito deficiente, mesmo que os materiais utilizados sejam de boa qualidade e a montagem do tablier e da consola central mereçam elogios pela solidez. Em contraste, dentro do Mercedes Classe G, praticamente não se ouve o motor, a não ser que estava em esforço elevado, de tão eficaz é a insonorização. O que não admira, pois toda a estrutura, portas incluídas, são de uma grossura que não se encontra em muitos automóveis do mercado. Bom, talvez em blindados. E por aqui começam a notar-se as maiores diferenças entre os dois jipes em análise, até porque no Mercedes, o interior transpira qualidade e luxo de uma ponta à outra.
O nosso G, versão 350 d, tem novo 6 cilindros em linha com 286 cv, acoplado a caixa automática de 9 velocidades (9G-Tronic), mecânica que atira o Classe G para arranque 0-100 km/h em 8,7 segundos, bastante mais rápido que o Wrangler, que gasta 10,5 s no mesmo exercício. Diferença importante e que se explica pelos 86 cv a mais no G, que, no entanto, pesa mais 332 kg que o Jeep. Nas retomas, o Mercedes leva a melhor em todos os registos, mas com diferenças menores.
Wrangler e G contam com recursos fantásticos para off-road. No Wrangler, há tração integral Command-Trac 4WD com quatro modos: 2H (tração 4x2 e relações de caixa Altas), 4H Auto (tração Activa Permanente On-Demand e relações de caixa altas), 4H Part-Time (tração às quatro rodas temporária e relações de caixa altas), 4L (tração às quatro rodas e relações de caixa baixas) e os seguintes ângulos específicos (entrada, 35,4º; saída, 30,7º; ventral, 20º). No Classe G, encontramos tração integral permanente, redutoras e sistema de bloqueio a 100% de diferencial (central, frontal e traseiro, selecionáveis em andamento) e bons ângulos TT (entrada, 31º; saída, 30º; ventral, 26º).
Dois jipes puros e duros com tradição reinterpretados para os tempos modernos, de forma a não ser deturpado o conceito original (como se percebe facilmente pelas imagens de ambos), mas acrescentando-lhes novos e obrigatórios índices tecnológicos que lhes permitem cumprir com as regras do panorama automóvel atual. Num e noutro, mantém-se a eficácia para utilização em todo-o-terreno, para o que, no fim de contas, foram originalmente desenvolvidos.