Nos dois automóveis que escolhemos para este confronto encontramos sistemas de propulsão diferentes, mas que se igualam no que toca à modernidade. Vejamos: o Toyota Corolla Touring Sports 2.0 Hybrid está equipado com novíssima unidade 2 litros a gasolina que, quando casada com o motor elétrico acoplado, atingem um rendimento total de 180 cv e 392 Nm, poder de fogo que permite acelerações e recuperações vigorosas, sobretudo quando ativamos o modo de condução Sport (há ainda Normal e Eco). E mais: são efetuadas sem correspondente aumento do volume do ruído da mecânica. Acrescente-se que a solução híbrida que equipa a carrinha Toyota integra transmissão do tipo CVT (variação contínua), que não é um primor no contributo para o agrado na condução.
No Renault Mégane Sport Tourer, novo 1.7 Blue dCi de 150 cv e 340 Nm, mecânica que é produto da completa renovação que a marca francesa efetuou na gama de motores a gasóleo na sequência da entrada em vigor do método de homologação WLTP – refira-se que há uma outra variante, com 120 cv, deste 1,7 litros.
No nosso protocolo de aferição de competência em aceleração e recuperações (vulgo medições), o Toyota obteve resultados ótimos, com aceleração 0-100 km/h em 8,4 segundos, menos 2 segundos do que o Mégane. A vantagem do modelo híbrido mantém-se em todos os parâmetros de aceleração e também de recuperação, onde as diferenças mais significativas acontecem na retoma 60-100 km/h (4,6 contra 5,7 s) e 80-120 km/h (5,3 contra 7,2 s). Mas nem tudo são arranques e ultrapassagens, e a verdade é que, esquecendo a utilização extrema durante as medições, ambos os motores oferecem utilizações confortáveis e eficazes. O 1.7 Blue dCi do Mégane mostra boa disponibilidade desde os regimes mais baixos, temperamento que mantém de forma progressiva à medida que aumenta o regime e a velocidade, sobressaindo a boa relação entre mecânica e transmissão de dupla embraiagem de 6 relações, suave e rápida nas passagens. De notar, também, o ruído contido deste motor a gasóleo. Já o híbrido do Toyota é de uma suavidade que encanta em condução normal, digamos assim. Em cidade, por exemplo, este híbrido (sem recarga externa) vai gerindo as reservas de energia elétrica para desligar a todo o momento o motor a combustão, sobretudo em pára-arranca. Depois, a rolar normalmente, assim que se levanta o pé do acelerador, o 2 litros a gasolina também se desliga. E atenção, esta proposta híbrida permite andar em modo 100% elétrico até por volta dos 115 km/h. Esta engenharia de liga-desliga o motor a gasolina contribui de forma decisiva para reduzir os consumos. Durante o nosso teste, apurámos a espantosa média de 5,7 l/100 km. Não esquecer que falamos de automóvel com 180 cv... Mas atenção, o motor Diesel da Renault também se pode gabar da frugalidade, pois média de 6,1 l/100 km não é exagero algum face às prestações e desempenho geral da mecânica.
Tratando-se de carrinhas, naturalmente que as bagageiras são generosas, sobretudo a do Corolla, com 598 litros de capacidade, mais 77 que a do Mégane, e que conta com iluminação com filamentos LED, rebatimento simplificado dos bancos e rede de separação de carga entre mala e habitáculo.
E já que falamos em habitáculo, vamos a medidas: no Toyota, há nos lugares traseiros 71 centímetros em comprimento para arrumar as pernas, enquanto no Renault esse espaço tem 69 cm. Na largura, a 2.ª fila do Corolla oferece 138 cm, mais três que o Mégane, enquanto na altura, o carro francês ganha com 95 cm contra 94 do espanhol. Nos bancos da frente, sendo menos importante o comprimento, variável consoante a posição do banco, interessa-nos a largura: 143 cm no Renault e 139 no Toyota. Vantagem do carro francês no item referente ao espaço à frente, sendo pouco relevante a diferença em altura entre os automóveis.
Contudo, não nos sentamos de forma igual quando nos instalamos ao volante, com o Mégane a levar alguma vantagem, sendo certo que se trata sempre uma avaliação um pouco subjetiva. Contudo, também o Toyota tem méritos na forma como convida o condutor a sentar-se ao volante (os bancos dianteiros em pele são uma delícia em conforto e ergonomia), não havendo nada de realmente importante em termos estruturais ou ergonómicos a criticar, até porque o posto de condução está bem enquadrado com volante e demais elementos relativos à condução. Mas, simplesmente, encaixamos melhor no posto de condução da carrinha da Renault. E, já que referimos a ergonomia, registe-se as boas posições dos ecrãs centrais – ainda assim, melhor a do Toyota que o do Renault, pois o ecrã do carro japonês está no topo do tablier e muito acessível à mão do condutor – que permitem visualização e utilização sem desviar em demasia o olhar da estrada. Quanto ao acesso aos elementos dispostos na consola e visualização do ecrã central, não há reparos negativos a fazer a nenhum dos dois, mesmo se o enorme ecrã do Mégane e a respetiva configuração favoreça a utilização do sistema multimédia e a gestão das funções de bordo (o grafismo do sistema de infoentretenimento do Corolla é antiquado para modelo tão recente…), assim como à qualidade da maioria dos materiais e ao cuidado nos acabamentos, com destaque para os cuidados revestimentos em pele nas portas e tablier do Toyota.
Diferença maior entre os dois concorrentes encontramos no equipamento de série das versões GT Line (Renault) e Luxury (Toyota), sendo o segundo bastante mais abastado que o primeiro, propondo mais itens de conforto – como por exemplo estofos em pele (aquecidos à frente), teto de abrir panorâmico, abertura elétrica da tampa da bagageira, carregador indutivo para smartphone e câmara traseira de auxílio ao parqueamento –, e de segurança: cruise control adaptativo, assistente ativo de manutenção na faixa de rodagem e de ângulo morto ou ainda estacionamento inteligente com travagem autónoma que, além de alertar (e travar) para a presença de veículos a passar na traseira, à saída de um estacionamento, trava automaticamente a carrinha Toyota em situação de manobra de parqueamento entre dois veículos, evitando assim os (habituais…) pequenos toques!
E, desta vez, o híbrido a gasolina vence o automóvel com motor Diesel. O Corolla TS 2.0 Hybrid, bastante mais potente, destaca-se pelas prestações, batendo de forma clara o Renault Mégane ST em aceleração e retomas, e ainda pelos consumos frugais. No desempenho dinâmico, o carro francês é mais convincente (o Toyota é um pouco melhor em matéria de conforto) e acaba por equilibrar a contenda. No entanto, ao avaliarmos as volumetrias das bagageiras, as garantias e ainda as dotações de equipamento, o automóvel japonês ganha vantagem. Todavia, este desfecho ajuda a esclarecer as dúvidas sobre as motorizações, mas não as dissipa.