Recente no catálogo da VW, o T-Cross vem preencher toda a franja mais emocional que restava no segmento B, como alternativa ao Polo, somando-lhe a imagem desempoeirada da moda e até alguns elementos de estilo inovadores na marca, mais e melhores soluções de modularidade no interior e aposta mais forte na personalização. Até pela estampa: o novo crossover não parece muito mais pequeno que um Golf ou que um T-Roc, sendo, naturalmente, mais acanhado por dentro, pois a arquitetura técnica é a mesmíssima MQB A0 do Polo, sem tirar nem pôr. E a relação de proximidade com o competentíssimo utilitário é ponto de honra para a VW.
Exatamente como na Seat preferem dizer que o Arona é o crossover do Ibiza, muito antes de ser primo direito do T-Cross...
Estratégias de comunicação à parte, a verdade é que, no segmento B-SUV, espanhóis e alemães... falam a mesma língua. Seat Arona e VW T-Cross partilham a base técnica, as motorizações e maioria dos equipamentos. Diferem visualmente e num ou noutro detalhe.
O T-Cross, ligeiramente mais alto, parece automóvel mais matulão, surge com habitáculo bem espaçoso, à medida do que deve ser exigido a um SUV de aptidões urbanas, facilitando entradas e saídas do habitáculo, com a vantagem acrescida do banco traseiro estar em plano mais elevado face aos dianteiros, alargando a visibilidade a quem aí se sentar. O banco traseiro tem ainda o condão de acrescentar ao rebatimento 60/40 a capacidade de deslizar, por inteiro, ao longo de 14 cm, o que permite melhor organizar entre espaço para pernas ou para a mala. Esta tem capacidade base de 385 litros e que, com o banco para a frente, pode chegar aos 455. Rebatendo-se as costas, 1281 litros. Descobre-se espaço para arrumar volumes com 2,3 metros de comprimento (até ao tablier) deitando-se para a frente o encosto do banco do passageiro.
Os bancos posteriores do Arona não deslizam sobre calhas, mas a promessa de um interior espaçoso também é confirmada quando acedemos ao habitáculo, principalmente nos lugares traseiros onde cabem três adultos e onde existe realmente mais altura do que no interior de um Ibiza, que já tinha uma oferta de espaço satisfatória a esse nível.
As torres de suspensão do Arona têm um curso 3 cm mais elevado do que as do Ibiza e a altura ao solo do mini SUV é 4 cm superior à do utilitário. Mesmo assim, centro de gravidade mais baixo do que o primo da VW, que é automóvel um nadinha mais bamboleante quando conduzido a boa velocidade por traçados mais serpenteantes. Isto sem prejuízo das ótimas credenciais dinâmicas de modelo que tem chassis que chega e sobra para o desempenho da sua mecânica, mantendo-se sempre muito estável e com ótima aderência. E nota também muito positiva para o tato da direção e para a forma como esta comunica com o condutor.
Menos brilhante, a forma como a Seat procurou o mais interessante compromisso dinâmica/conforto. Com pneus de mais reduzido perfil, rmontados nas jantes de 18’’ da unidade ensaiada, o contacto com a estrada surge bem mais firme do que seria desejável em automóvel que foi pensado para se conduzir na urbe, mas ainda para permitir alguns atrevimentos por pisos não asfaltados. Aqui filosofias assumidamente distintas: mais confortável o VW; mais envolvente e ágil o Arona.
Nos dois, a posição de condução sobrelevada é tipicamente de crossover, mas os bons bancos do acabamento FR e as amplas regulações de volante e banco no Seat permitem o encaixe perfeito. Só o volante do T-Cross, com tamanho para encher a mão, agradou mais. Nos dois crossovers, os elementos de conectividade surgem em força, caso da possibilidade de carregamento de telemóvel de forma indutiva e a oferta, de série, no T-Cross do VW Connect, com diversas aplicações para interação via smartphone, qual assistente pessoal da viatura. Rica é também a oferta de personalização estética ou tecnológica. É possível dotar o T-Cross do Pacote Design Laranja (730 €), que inclui decoração do tablier, capas dos retrovisores e jantes em liga leve dessa cor; ou ainda somar o sistema de navegação com vista 3D, câmaras 360º de ajuda ao parqueamento, sistema de som Beats de 300W, acesso e arranque do tipo Mãos-Livres, assistente de máximos, etc.
O Arona conta com os mesmos bons argumentos em termos de tecnologias de conectividade do recente Ibiza, podendo estabelecer ligação com dispositivos Android auto, Apple Car Play e Mirror Link. Este é também o segundo Seat a dispor de um ecrã central tátil em vidro de 8” onde pode ser gerido e visualizado tudo o que tem a ver com funções de info-entretenimento. E na personalização, imbatível: há 68 combinações de cores possíveis para carroçaria e tejadilho do Seat.
A gama T-Cross é articulada entre as variantes de 95 e 115 cv do motor 1.0 TSI (3 cilindros, turbo, a gasolina) ou com o Diesel 1.6 TDI de 95 cv e três níveis de equipamento Base, Life e Style), estando o primeiro reservado à motorização de acesso e o último só para as mais potentes. No Arona, mais opções, distribuídas por 4 níveis de equipamento: Reference, Style, Xcellence e FR. Só o Seat está disponível com o Diesel de 115 cv e com moderno 1.5 TSI a gasolina, que funciona com ciclo de Miller, a debitar 150 cv.
É o segmento mais procurado na Europa a que a Seat e a VW se juntaram com os primos Arona e T-Cross, as versões crossover do Ibiza e do Polo, respetivamente. Além do formato da moda, essencialmente marcado pela superior altura ao solo (que parece conferir mais poder aos condutores nas cidades!), estes dois modelos concorrentes no segmento B reforçam os argumentos familiares em relação aos carros de que derivam, com interior mais espaçoso e bagageira de dimensões alargadas. Entre ambos, poucas diferenças: mais versátil o interior do VW, mais ágil e dinâmico o Seat; mais confortável o alemão, com mais opções a gama do espanhol.