Desde o início de 2020, altura em que se verificaram as primeiras ocorrências em Portugal, a PSP registou 2.772 ocorrências e foram efetuadas 307 detenções de suspeitos por furto de catalisadores em todo o território nacional, confirmando o aumento exponencial deste tipo de crimes desde o início do confinamento. Balanço das autoridades: cerca de dois milhões de prejuízos causados às vitimas.
Esta quarta-feira, mais de sete dezenas de agentes foram colocados no terreno para uma operação de âmbito nacional no combate a este crime de furto, dando cumprimento a 11 mandados judiciais de busca domiciliária e 16 de busca não domiciliária, nomeadamente sucateiras e outros locais de trânsito e armazenagem referenciados durante as investigações.
A execução dos mandados resultou na concretização de 7 detenções, 6 em cumprimento de mandados de detenção e 1 em flagrante delito pelo crime de tráfico de estupefacientes, e apreensão de várias dezenas de catalisadores, 400 euros em dinheiro, 2 motores e outros componentes de viaturas furtadas, 1 arma de fogo, ferramentas utilizada nos furtos, e bidões contendo 250 litros de gasóleo suspeito de serem também provenientes de furtos.
O roubo de catalisadores de automóveis está a preocupar as autoridades em Portugal.
Depois da grande vaga de roubos de jantes e pneus dos carros estacionados na via pública, agora são os catalisadores que estão a chamar a atenção dos criminosos.
Em bom estado, aquela peça, associada ao sistema de escape dos automóveis, com a função de filtrar emissões do motor, destina-se ao mercado de revenda, num circuito que conta com a participação de oficinas menos sérias, que adquirem aqueles componentes furtados e os colocam novamente no mercado. Mas, independentemente de se encontrarem praticamente novos ou muito usados, os catalisadores também são procurados pelo valor elevado dos metais nobres na sua composição, sobretudo a platina, o ródio e o paládio.
Roubado em 2 ou 3 minutos...
As técnicas utilizadas pelos autores deste tipo de crime estão a ser estudas pelas autoridades, e sempre em evolução. A maioria dos criminosos utiliza uma serra circular elétrica convencional ou recorre ao corte a quente. De acordo com a polícia, os dois métodos, com alguma experiência, vão permitir a extração do catalisador de um automóvel em menos de 2 ou 3 minutos.
Participar e prevenir
O crescimento exponencial do fenómeno levou a criar as Equipas Regionais de Investigação à Criminalidade Automóvel (SRICA), “especializadas de investigação criminal para análise das ocorrências, das tendências reportadas e dos fluxos subsequentes”.
A PSP sublinha também que é fundamental que os lesados apresentem sempre queixa, “mesmo em caso de mera tentativa, pois ao termos conhecimento do crime poderemos iniciar a investigação e chegar mais facilmente à identificação dos seus autores”, explica fonte da PSP.
E se uma participação pode ajudar a combater este tipo de crime, há também forma de o contrariar ou, pelo menos, dificultar à ação criminosa. Nas lojas de acessórios mais especializadas estão à venda as chamadas “gaiolas”, peças metálicas especialmente concebidas para proteger os catalisadores dos roubos. Não são 100% eficazes, mas ajuda a tornar mais difícil e demorado o trabalho de extração da peça, o que pode ter um efeito dissuasor.