Há outra identidade visual da Dacia e o Sandero não escapou a essa mudança, sendo possível destacar o novo emblema e logótipo na grelha frontal, além de outras cores de carroçaria, a par de conteúdos tecnológicos e equipamentos diferentes.
Na alteração do design – transversal às várias gamas – reflete-se a perspetiva futura de uma marca que tem sido bem-sucedida no mercado europeu, inclusive em Portugal, onde tem alcançado lugar de destaque nas vendas, quer com o SUV Duster, por exemplo, quer com este novo Sandero, inclusive na fórmula Stepway, a variante mais aventureira.

Na revisão exterior, emblema-símbolo da Dacia posicionado a meio da grelha, cujo padrão foi redesenhado, agora com tonalidade branca e as letras D e C interligadas por linhas minimalistas, ladeadas por uma faixa de luzes LED (diurnas). O logótipo é mais simples e também aparece no centro de cada jante, existindo novo «lettering» do nome da marca inscrito no painel traseiro e no volante. A zona inferior dos para-choques dianteiro e traseiro também foi modificada, assim como o desenho dos retrovisores.

No interior, a perceção da qualidade dos materiais melhorou e há outra sensação de robustez ao nível dos acabamentos e dos forros – contrariando a ideia ‘low-cost –, a que se juntam alguns conteúdos inéditos. Nesta versão Expression – desde 16.400 € –, o tecido dos bancos combina com os revestimentos do tablier, consola e portas, e a lista do equipamento de série integra, por exemplo, volante em couro ajustável em altura e profundidade, ar condicionado manual, vidros com comando elétrico, sensores de luz e chuva, luzes diurnas LED e sistema multimédia com ecrã tátil de 8’’, entre outros itens.

Acresce o pack opcional Safety (450 €) que integra sensores de parque atrás e à frente, câmara de marcha-atrás e alerta de ângulo morto, além do pack Hands-Free (também por 450 €) com cartão/acesso mãos-livres, banco do condutor regulável em altura, travão de parque elétrico e consola central elevada com apoio de braço e local de arrumação. O ar condicionado automático custa 300 €, assim como as jantes em liga leve de 16’’ (15’’ de série), enquanto a pintura metalizada é proposta por 475 €. Feitas as contas, versão Expression em teste por 18.950 €, tendo como novidade essencial o recurso a transmissão automática CVT (variação contínua), interligada ao conhecido bloco de três cilindros (999 cc) a gasolina de 90 cv.

Nas prestações, a mecânica corresponde às expetativas – e o ruído é baixo, o que só se pode elogiar –, sendo bem auxiliada pela referida caixa automática, a qual não revela hesitações numa condução dita normal. Nas transições ou acelerações bruscas, maior efeito de arrastamento, algo que é habitual neste género de transmissões, embora esse sintoma não seja constante, tanto mais se se guiar de forma moderada, inclusive com maior grau de antecipação. O arranque 0-100 km/h é cumprido abaixo do valor anunciado (13,4 s) e, apesar dos valores medianos da potência e do binário máximo, as retomas de velocidade efetuam-se sem dificuldade. É ainda possível recorrer à função L (Low) da caixa CVT, ativada no seletor, para garantir maior efeito-travão em certos momentos.

A velocidade máxima está situada perto dos 170 km/h, enquanto o consumo médio oficial é de 5,7 litros/100 km (ciclo WLTP), existindo modo ECO para aumentar a eficiência. Na verdade, essa alternativa (ativada por tecla na consola) não restringe demasiado a resposta do agregado mecânico, sendo assim possível baixar o gasto de combustível. Em média, os consumos colocam-se num patamar entre 5,8 e 6,3 litros por cada 100 km, nada distante do registo prescrito pela marca, aceitando-se bem essa homogeneidade face às prestações admitidas. No computador de bordo há relatório e pontuação com estrelas (além de dicas breves) para que o condutor possa ter abordagem mais ecológica, o que na prática se traduzirá numa condução económica.
Na dinâmica, a plataforma partilhada com o Clio da Renault (CMF-B), por exemplo, assegura ótimo equilíbrio, sem evasivas em curva, mesmo que se pudesse ter uma direção mais precisa e menor ruído de rolamento em mau piso (pneus Bridgestone Turanza 185/65 R15). A suspensão é competente para filtrar as irregularidades inconvenientes, algo que é sustentado por uma estrutura sólida (carroçaria/chassis), sem vibrações ou ruídos exagerados que trespassem para o habitáculo.

Os critérios racionais do Sandero mantêm-se em toda a linha, sendo possível elogiar a atualização de alguns equipamentos importantes, como já se referiu. Na segurança, por exemplo, de série, sistema de deteção da pressão dos pneus, ESP (controlo de estabilidade eletrónico) com ajuda ao arranque em subida e assistência automática às travagens de emergência.
As dimensões e a funcionalidade do habitáculo – tendo em conta o segmento – são outros trunfos a apontar, em simultâneo com a tal melhoria da qualidade geral e a revisão de vários pormenores, tudo razões óbvias pelas quais o modelo tem sido uma referência em vários mercados e o automóvel mais vendido a particulares, na Europa, desde 2017. Uma coerência que se mantém insuspeita.