Jaguar E-Pace R-Dynamics S PHEV

Um novo normal

TESTE

Por João Ouro 24-06-2023 14:00

Fotos: Gonçalo Martins

A fórmula dos automóveis híbridos Plug-In tem por base ingredientes comuns. Trata-se de espécie dois em um, ao permitir trajetos exclusivamente elétricos e elevada autonomia combinada. O pequeno SUV da Jaguar, abaixo do F-Pace, não é exceção à regra, cumprindo esses objetivos com motor térmico de 1498 cc (200 cv) e unidade elétrica (109 cv) montada no eixo traseiro (atuando nessas rodas).

Desta vez a soma do rendimento combinado é exata: 309 cv no total, com binário máximo de 540 Nm. Esses números fazem pressentir que as prestações estarão num patamar consentâneo com o prestígio do emblema e, de facto, esta versão é mesmo a mais potente da gama. A atuação combinada é feita através do modo Hybrid, uma vez que no EV a tração é unicamente elétrica, desde que haja carga na bateria, esta com uma capacidade de 15 kWh (11,6 úteis), instalada à retaguarda sob o piso da bagageira, mantendo-se volumetria igual à da dos outros E-Pace (470 litros).

A autonomia oficial indicada para o modo EV (limite até 135 km/h) é de 58 km em ciclo combinado e cerca de 70 km em ambiente estritamente urbano. Mas o mais provável é atingir-se um patamar perto dos 50 km, e isto numa condução moderada, sem excessos.

O modo Hybrid faz atuar os dois propulsores de forma automática, tendo em atenção o tipo de condução e a carga disponível na bateria, adaptando o respetivo funcionamento às circunstâncias. Existe a possibilidade de reservar/bloquear a carga da bateria através da função Save, usando-a mais tarde, o que dependerá da estratégia planeada pelo condutor, sendo que, neste caso, a unidade a gasolina incrementa a carga da bateria, o que gerará depois maior consumo.

Como se disse, é muito razoável apontar cerca de 50 km puramente elétricos, a que se somará depois um consumo (a gasolina) próximo dos 4,5 litros nos primeiros 100 km. Ao esgotar-se a carga da bateria (que na realidade nunca chega a zero), é possível alcançar consumos médios de 6,6 a 7,2 l/100 km (Hybrid), o que não é exagerado, tendo em conta a massa estrutural (2173 kg).

A baixa velocidade e nas manobras de parque, na maior parte das vezes, a movimentação é estritamente elétrica, o que também ajuda nos tais valores. Na pior das hipóteses, essa média poderá superar  a fasquia dos 8 litros/100 km, se a condução for restringida à ação do bloco 1.5 (de tração à frente), sendo certo que a recuperação da  energia das travagens e das desacelerações surte efeito, amealhando-se com facilidade mais quilómetros numa condução cuidada. Se se quiser retirar partido do elevado rendimento (309 cv), este E-Pace move-se de forma apressada – 6,7 s até aos 100 km/h –, mesmo sem se tratar de um SUV (muito) desportivo, uma vez que o compromisso está virado para o conforto. A carroçaria não adorna em curva (o tamanho compacto ajuda), mas a afinação macia da suspensão fá-lo oscilar nas transições mais à bruta, inclusive no modo Dinâmico (ECO e Conforto são outras opções). Quando se exagera é possível reparar na excelente motricidade (AWD/AdSR para arranques difíceis) e na acertada escolha dos Pirelli PZero 235/50.

A caixa automática podia ter outra rapidez no tal ajuste Dinâmico, algo que se percebe na ação sequencial através das patilhas no volante, mesmo na função S mais... desportiva. O ícone da relação engrenada só aparece no visor à frente do condutor nessa configuração.

Na revisão do E-Pace, os pontos de ligação da suspensão ao chassi e os apoios do motor foram reforçados, algo que a versão PHEV agradece devido ao peso. O ruído da mecânica é baixo, apesar do som expressivo por parte do bloco 1.5 quando se eleva o ritmo, mais rouco, mesmo que a suavidade híbrida/elétrica seja sempre a que está mais ativa.

A potência máxima para recargas é de 32 kW (CC): cerca de 30 minutos até 80%. Numa wallbox de 7 kW, cerca de 2,2h (AC/100%); e numa tomada doméstica (2,3 kW/AC) à volta de 6h15m. O tempo para um dia... normal.

O revisto E-Pace é um SUV completo e com boa imagem, tendo a versão PHEV ótimos trunfos: condução suave/confortável, tração 100% elétrica (autonomia efetiva à volta de 50 km) e consumos moderados, além de prestações respeitosas (309 cv) e dinâmica ajuizada. É um Jaguar em toda a aceção, notando-se isso em vários detalhes/equipamentos e, por contraponto, no preço final elevado da versão R-Dynamic S a jogo.

Preço (junho 2023):

Jaguar E-Pace R-Dynamics S PHEV - 64.260 €

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