Se em Portugal são colocados à venda no mercado imobiliário apartamentos T1 com não mais de 20 m2 por 150 mil euros, só e apenas porque estão localizados em zonas nobres e mais in da capital, também a DS tem direito a colocar o DS 3 Crossback na fasquia dos 30 mil euros, só e apenas porque não existe outro modelo igual! Mesmo que sob o capot esteja não mais que a versão de 100 cv do bloco tricilíndrico de 1,2 litros, sobrealimentado e associado a caixa manual de seis velocidades.
O espírito do DS 3 Crossback é mesmo o de coqueluche, fundamentado no formato da moda, somando-lhe alguma irreverência na aparência e na atenção aos pormenores. Por fora ou por dentro, é por demais evidente a inspiração em linhas angulosas, que podem mesmo ser algo agressivas no interior, com demasiados losangos a dar forma a tudo o que seja comandos ou grafismos.
Não obstante o aspeto volumoso, entrar no 3 Crossback desvenda algumas surpresas no acolhimento, quer por o habitáculo estar todo ele posicionado num plano inferior, quer pela superfície vidrada (escassa) não contribuir para a sensação de espaço. Atrás, as costas do banco resultam algo verticais.
Se e quando presente o opcional de acesso mãos-livres, os puxadores de porta destacam-se da carroçaria mal pressintam a presença da chave por perto, para depois voltarem a incrustar-se nos painéis das portas – há situações em que esta tecnologia nem sempre resulta, em particular se já estiver alguém sentado ao volante com o motor a trabalhar, querendo os restantes passageiros entrar...
A posição de condução é baixa para um crossover, com alguns pergaminhos desportivos, que podem ser realçados pela variante de equipamento/acabamento Performance Line, onde pontuam as jantes negras de 17’’ e os revestimentos interiores que têm como mandatária a presença de Alcantara a forrar tablier e portas. Os bancos em tecido e pele são ótimos, o mesmo acontecendo com a pega do volante – nota mais para a qualidade geral deste crossover compacto, muito acima do que é conhecido nas restantes marcas da PSA.
Pelos 30 mil euros base, pedia-se a presença de mais alguns equipamentos de origem, caso do sistema de navegação em ecrã tátil de 10,3’’ – note-se que existem teclas de atalho para os principais menus, igualmente sensíveis ao toque, pintura bi-ton ou mesmo câmara traseira. Claro que tudo isto e muito mais pode ser somado ao preço final, como na unidade testada, em que o requinte, a tecnologia e o bem-estar dinâmico pode facilmente tocar na fasquia dos 35 mil euros. Destaque para o ótimo trabalho e visibilidade proporcionada pelos faróis dianteiros de matriz LED, adaptativos à luminosidade da estrada e à presença de outros veículos, não só comutando como também adaptando o feixe e para onde apontar as luzes de máximo.
Perante tal cenário de um quase exotismo cosmopolita, a motorização 1.2 turbo de 100 cv não destoa das pretensões dinâmicas do DS 3 Crossback, com vigor mais do que suficiente e resposta pronta nos regimes intermédios, em jogo bem coordenado com o correto escalonamento da caixa manual de 6 velocidades. Os consumos ficarão quase sempre abaixo da fasquia dos 7 l/100 km, pese alguma sensibilidade dos mesmos face ao aumento de ritmo. Porque, na verdade, as ligações ao solo e a colocação rebaixada do habitáculo parecem espevitar a veia dinâmica! A direção é certinha, a dianteira rápida, mas conte-se com a intromissão do ESP a tentar equilibrar as massas e a altura da carroçaria.
A variante de 100 cv do 1.2 turbo a gasolina é mais do que suficiente para que o SUV DS 3 não defraude as pretensões premium, além de ser a única forma de encaixar transmissão manual numa motorização a gasolina – versões de 130 e 155 cv só estão disponíveis com caixa automática. Já o preço está no patamar oposto da avaliação, sendo demasiado premium...