O DS 3 Crossback é o primeiro modelo da gama da jovem marca premium do Grupo PSA, atualmente restringida a este crossover compacto e ao congénere DS 7 Crossback em patamar superior. O elitismo da DS foi assumido pelos responsáveis do construtor francês desde a sua criação, primeiro como submarca da Citroën, em 2009, e depois como emblema autónomo, em 2014, mas só no ano transato a pretensão condiz com a realidade. Digamos que a DS já nasceu envelhecida, passou quase uma década a definhar com uma gama de modelos da Citroën em fim de ciclo de vida debaixo de uma maquilhagem vanguardista e num último assomo rejuvenesceu. Ou melhor, renasceu, por arrasto da modernização técnica e tecnológica que corre transversalmente a todas as marcas do consórcio, Peugeot, Citroën e agora também a Opel, fruto da sua aquisição entretanto. Novas plataformas e motorizações, novos estilos e conceções interiores, e todas as tecnologias mais avançadas da indústria automóvel em cada segmento têm dinamizado o Grupo PSA e, por consequência salvadora, proporcionaram à DS assumir, enfim, o seu sentido original: a jovialidade sofisticada.
O DS 3 Crossback é produto desse fundamento, acrescido do formato de automóvel que mais está em voga, crossover/SUV (e ao que está racionalmente limitada a gama da marca), e somando-lhe irreverência estética misturada com algum requinte, por fora e por dentro e até aos mais pequenos pormenores. Um apelo ao chique que faz jus à denominação dos níveis de equipamento – So Chic ou Grand Chic, este último no veículo em teste. Na carroçaria harmonizam-se (ou tenta-se) superfícies onduladas e extensos vincos e arrestas, cromados e pinturas bicolores, e o estilo dos puxadores retráteis e das jantes grandes com desenho elaborado. No habitáculo, arriscou-se um padrão em losango na decoração do tablier e outras soluções de estilo ousadas para os botões, painel de instrumentos e diversos componentes, mas assegurou-se qualidade de construção e dotação tecnológica elevadas para a categoria.
Todavia, a conceção diferenciadora da carroçaria e do interior impõe algumas contrapartidas negativas, em especial à habitabilidade, não tanto devido ao posicionamento dos bancos em plano inferior nos crossovers comparativamente aos SUV (o que se observa nos pretensos modelos concorrentes do DS 3 Crossback, Audi Q2, Mini Countryman ou VW T-Roc), mas pela reduzida superfície vidrada nos lugares posteriores que resulta do condicionamento do tamanho das janelas ao estilo (à imagem do Toyota C-HR), demasiado exíguas e criando alguma sensação de claustrofobia. Contudo, as cotas habitáveis são satisfatórias.
A posição de condução é por isso baixa (para SUV) e beneficia da correta ergonomia dos bancos (de série em pele, e com regulações elétricas opcionais, caracterizando a sofisticação do ambiente a bordo) e do volante com boa pega. Também incluído no faustoso acabamento Grand Chic, a instrumentação 100% digital e o moderno sistema de infoentrenimento em ecrã tátil de 10,3’’.
O motor de três cilindros a gasolina 1.2 turbo de 155 cv, com caixa automática de oito velocidades, não destoa das atribuições elitistas do DS 3 Crossback, conferindo-lhe as performances exigíveis a um automóvel premium. Boa elasticidade, favorecida pelo automatismo da transmissão, mas consumos além do esperado, acima da fasquia dos 8 l/100 km e com hipersensibilidade ao acelerador. Porque, na verdade, é escasso o estímulo à condução económica, e maior o ímpeto para ritmos vivos, motivado pelo acerto do chassis e respetivas ligações ao solo do DS3 Crossback. A direção precisa e os travões eficazes conspiram para isso.
Há uma pergunta que se impõe a este teste: o bom automóvel DS 3 Crossback 1.2 Puretech de 155 cv com caixa automática em bem dotado nível de acabamento Grand Chic valerá o preço inflacionado para lá de 40.000 euros? Sem mais e sucintamente, a resposta é não. Mas comparado com os (pretensos) concorrentes Mini Countryman, Audi Q2 e VW T-Roc, recomenda-se.