O nome Supra é património protegido, por designar desportivo da Toyota com adeptos em todo o Mundo. Percebemo-lo percorrendo páginas de fãs na Internet, hiperativas desde as primeiras notícias sobre a produção de geração nova, que remontam a 2012, quando a marca nipónica anunciou a extensão da parceria com a BMW iniciada em 2011. No plano, ao lado do desenvolvimento da tecnologia da pilha de combustível (fuel cell), antecipando o futuro da eletrificação do automóvel, figurava a conceção de desportivos. Teoricamente, somando as competências dos dois pesos pesados, mais hipóteses de sucesso. Na prática, concentrando-nos no produto e ignorando os conservadores resistentes às mudanças – ou as vozes dos Velhos do Restelo – idem, aspas, aspas!
O Supra desenvolvido em paralelo com o Z4 não é um Toyota sucedâneo de um BMW! Não! No entanto, indiscutivelmente, trata-se de um alemão de quimono. Antecipando conclusão, neste teste, encontrámos muitas mais vantagens do que desvantagens. Socorrendo-se dos alemães, os nipónicos produziram carro excitante que honra história com início em 1978. Nas duas primeiras gerações, tratava-se de derivado do Celica. O corte do cordão umbilical registou-se em 1986, por ocasião do lançamento do A70. Até 2002, quando o modelo foi descontinuado, consequência da perda rápida da popularidade da espécie, A80 em 1993.
Mas, acelere-se até… 2019. No A90, manutenção de todas as características que associamos ao Supra, da tração às rodas traseiras ao motor dianteiro com arquitetura de 6 cilindros, dos dois lugares no cockpit ao desenho disruptivo – é-o muito mais no exterior do que no habitáculo, onde as impressões digitais da BMW são claríssimas no hardware e no software, com o sistema de info-entretenimento como expressão máxima do impacto dos alemães no projeto liderado por Tetsuya Tada, com a colaboração do presidente da marca, Akio Toyota, fã de desportivos com capacidade (re)conhecida como… piloto!
Mantendo-nos no habitáculo, no centro do painel de bordo, monitor de 8’’ a cores. No ecrã com comando tátil para seleção de menus, elegem-se as informações apresentadas (estas funções também podem realizar-se em seletor rotativo na consola entre os bancos, como acontece nos BMW, ao lado do botão que ativa o modo de ação mais desportivo, Sport). Os comandos da climatização ou dos vidros também são iguais aos de diversos modelos da marca alemã. Já a instrumentação digital (conta-rotações no centro do mostrador digital) e o volante têm desenhos específicos. Os bancos possuem apoios excecionais e regulações elétricas. A posição de condução baixa combina com a orientação desportiva do Supra e é possível adaptá-la quer à morfologia, quer às preferências individuais.
Os acessos ao cockpit não são amplos, o desenho e as formas da carroçaria penalizam a visibilidade, devido à superfície vidrada reduzida e a capacidade e o número de compartimentos para arrumações também figuram na lista de fraquezas do Supra. A bagageira tem 290 litros, mais nove do que a mala do Z4, que é um roadster, e pode abrir-se desde o exterior apenas no comando à distância. Em contrapartida, chega-se-lhe a partir do interior, entre os bancos, devido à ausência de separador, descontando a barra anti-aproximação montada imediatamente atrás dos encostos (liga as torres da suspensão posterior e melhora a rigidez do chassis, beneficiando, diretamente, tanto a estabilidade como a precisão em curva).
O Supra não belisca a imagem da qualidade da Toyota na qualidade dos materiais e da montagem. Pelo contrário, à vista, pelo menos, apenas revestimentos de… primeira! O equipamento também é ótimo: à venda no nosso País, encontra-se apenas esta versão Legacy, que tem só a pintura metalizada como opcional. O pacote Supra Safety integra todas as assistências eletrónicas modernas, do regulador de velocidade ativo com função Stop & Go (e, assim, condução muito mais relaxada em engarrafamentos e semáforos) à travagem automática com reconhecimento de ciclistas e peões, do alerta de saída involuntária da faixa de rodagem (capacidade de atuação na direção entre as competências) à leitura de sinais de trânsito.
Divertido e rápido
Desenvolvido pela Gazoo Racing, a divisão responsável pelas atividades desportivas da Toyota nos Mundiais de Ralis (WRC) e Resistência (WEC) e no Super GT, campeonato superpopular no Japão, o Supra encontra-se equipado com o mesmo motor do BMW Z4 M40i. Esta mecânica de 6 cilindros em linha posicionada na frente do automóvel, longitudinalmente, tem 3 litros de capacidade, combina a injeção direta com a distribuição variável e a tecnologia da sobrealimentação turbo, conta com filtro de partículas para descontaminação otimizada dos gases de escape e é apoiada por caixa automática de 8 velocidades. O sistema possui controlo de arranque, modo de condução por inércia (só funciona com o pé direito fora do pedal do acelerador e o programa Sport inativo!) e função manual ativada de forma sequencial em patilhas no volante ou no seletor arrumado na consola entre os bancos.
No Supra, dois modos de condução, Normal e Sport. O sistema intervém no amortecimento, na assistência da direção elétrica, na sensibilidade de resposta do motor ao acelerador e, ainda, na sonoridade do escape, mais impactante no programa desportivo. O chassis integra suspensões independentes nos dois eixos com amortecedores comandados de forma eletrónica (AVS), o que permite regulação da firmeza, sistema de travagem com discos sobredimensionados (Brembo) e diferencial ativo no eixo posterior que distribui o binário entre as rodas traseiras de acordo com as necessidades de tração.
Dinamicamente, Supra (quase...) irrepreensível, por cumprir a promessa de diversão na condução! Comparado com os quatro antecessores, espartanos, o Toyota novo é muito mais refinado – no conforto acústico e de rolamento ou no equipamento, por exemplo. Existem máquinas mais excitantes na categoria, sim, mas este desportivo compacto, potente e veloz impressiona de forma muito positiva na agilidade, na estabilidade e na precisão, mesmo aproximando-nos do limite da aderência. O funcionamento pouco intrusivo da eletrónica beneficia-o e esta característica sublinha a qualidade excecional da base do Toyota, que transmite confiança ao dono do volante, após adaptação ao temperamento de máquina que também tem direção informativa e rápida, travões potentes e resistentes à fadiga, suspensão tolerante q.b. em pisos degradados e irregulares, etc. No passado, os Supra eram (muito!) mais exigentes e menos previsíveis.
A mecânica comporta-se otimamente desde baixo regime, reagindo com prontidão a todos os movimentos no pedal do acelerador. Todavia, fá-lo de forma linear e progressiva, não explosiva, característica que não agrada a todos os adeptos de desportivos. O comportamento da caixa de 8 velocidades contribui para este desempenho, no modo automático. No manual, sensações melhores quer nas acelerações, quer nas recuperações! O Toyota é só 40 kg mais leve do que o Z4. Logo, coupé e roadster também são semelhantes nas performances. Nos dois casos, os números entusiasmam.
A90 é o nome de código da 5.ª geração do Supra, a 1.ª desenvolvida em parceria com a BMW. O desportivo de dois lugares é menos espartano e imprevisível do que os quatro antecessores. Trata-se de qualidade, não de defeito! O Toyota conduz-se depressa com muita segurança, com chassis, caixa e motor a proporcionarem-nos performances e reações excitantes, que combinam com as linhas empolgantes da carroçaria. E conduz-se bem no quotidiano, devido à capacidade da suspensão.