A quem dê importância ao tema, há que dizer que este carro tem o condão de ser diferente de tudo e de todos, sabendo conjugar as doses certas de irreverência e de elegância, condensadas em pouco mais de 4,1 metros do formato da moda: SUV. Por isso, o DS 3 Crossback é mais forma que função; mais imagem e paixão. Porque, abrindo portas, nem o habitáculo apresenta o desafogo esperado, nem a bagageira (só de 350 litros) se consegue bater com alguma pseudo concorrência. Pseudo, sim, porque o DS 3 Crossback é pequeno só no comprimento, esticando-se por demais no preço, como que a fazer parte da receita elitista que este modelo procura construir, para mais quando dotado de (cada vez mais taxada) motorização Diesel.
Sob o capot, a já conhecida unidade 1.5 da família BlueHDi, na variante de 100 cv, aqui curiosamente associada a caixa manual de 6 velocidades (costuma surgir combinada com a de 5 relações), que ajuda a explorar a potência contida e os 250 Nm de binário. E se as relações iniciais e intermédias estão bem ajustadas, já a sexta relação é demasiado longa – como é facilmente comprovado nos mais de 18 segundos necessário na recuperação de 80 a 120 km/h, pelo que este DS 3 1.5 BlueHDI apresenta algumas limitações em manter ritmos mais elevados em autoestrada, precisando que se engrene a 5.ª velocidade com alguma frequência, em particular nas subidas mais pronunciadas.
Mas, rolando-se a velocidades contidas e em baixos regimes, esta mecânica permite ao computador de bordo do DS registar consumos abaixo dos 5 l/100 km, marca bastante interessante, pelo que dificilmente os gastos médios em uso quotidiano irão superar os 6 litros. Mas este será um dos poucos fatores racionais num pequeno crossover que custa, à partida, mais de 32 mil euros, ou seja, 2615 € acima da variante 1.2 turbo a gasolina, com os mesmos 100 cv. Comparando diretamente o desempenho das duas mecânicas, o gasolina ganha em todas as performances aferidas, em particular nas acelerações acima dos 100 km/h, pedindo em troca cerca de mais 1,2 l/100 km de gasolina.
Mas face à afinação dinâmica do DS 3 Crossback, o mais enérgico motor a gasolina encaixará melhor nas pretensões do modelo, particularmente entre quem não percorra mais que 15.000 km anuais.
A posição de condução, além de bem enquadrada, cruza na perfeição os atributos de um SUV com a envolvência de um desportivo, pelo que o 3 Crossback dá-se bem em todos os ambientes de utilização – só peca por alguma falta de visibilidade na zona posterior.
O habitáculo, marcado por construção rigorosa ao nível do que é exigido nas marcas premium, tem nesta versão So Chic ambiente marcado pela Inspiração Bastille, definida pela conjugação de revestimentos a negro e bronze, que pode ser alterado (mediante pagamento...) ao gosto do cliente. Monitor central tátil e painel de instrumentos digital ajudam a traçar a imagem moderna do modelo, bem como os puxadores de portas retráteis, as assinaturas luminosas exteriores a cargo dos efeitos gerados pelas óticas LED, ampla escolha de jantes e ainda a possibilidade de combinar a cor da carroçaria com tom de tejadilho (preto ou vermelho).
É o caso mais evidente de crossover mais voltado para a forma do que para a função. O que faz sentido, sendo um produto de marca que se quer assumir como premium, mas, na nossa opinião, é difícil justificar os preços do DS 3 Crossback, mesmo que a qualidade geral seja elevada, a experiência de condução única e a riqueza de pormenores imensa. Este Diesel tem nos baixos consumos o único fator de racionalidade.