O conceito de carrinha atrevida, com apontamentos estéticos de jipe (ou, nos tempos modernos, de SUV) e altura ao solo elevada em alguns centímetros, tem vindo a resistir às modas dos crossovers. Começou com a Volvo (Cross Country) e Audi (allroad) para depois se alargar a outros construtores, caso da Toyota, que já o tinha feito com a anterior carrinha Auris, e volta agora a conferir espírito aventureiro à Corolla TS, por intermédio da versão Trek, marca de bicicletas.
Como não poderia deixar de ser, a altura ao solo foi elevada em 20 mm e as cavas de roda contam com plásticos salientes, de cor negra, como que a alargar os ombros à carrinha e a recriar uma imagem de poder extra. Existem mais alguns apontamentos estéticos afetos ao espírito aventureiro, caso da específica grelha dianteira e aplicações cinza contraste nos para-choques, com proteções inferiores da carroçaria. O detalhe (estético) menos conseguido será, porventura, o design das jantes em liga leve a dois tons, de 17’’, que calçam pneus Falken Ziex 914B, na medida 225/45.
Na senda do espírito «João Valentão», a Toyota também adaptou o habitáculo com revestimentos apropriados, em tecido lavável, com especificidade da decoração a dois tons, onde não falta a cor castanha. Tonalidade escolhida, igualmente, para o friso presente no tablier e em torno das saídas de ventilação.
Nesta toada mais prática e menos luxuosa, a versão Trek não apresenta os apontamentos em pele de outras versões da Corolla TS, mas não descura a presença de muitos outros equipamentos de série, com ênfase nas ajudas à condução, casos do cruise control adaptativo, conjuntos óticos com iluminação LED e comutação automática de máximos, aviso e correção face às saídas de faixa e alerta de colisão com deteção de peões e ciclistas. A câmara traseira serve de ajuda às manobras, embora faltem os sensores de parqueamento.
Como não poderia deixar de ser, também, a versão Trek do Corolla surge animada por mecânica de propulsão híbrida, com a unidade testada a contar com o mais recente motor 2.0 que associado a unidade elétrica produz um total de 180 cv, cujo ritmo permitido é bem mais despachado face à unidade 1.8 híbrida (122 cv), sem que os consumos subam muito além dos 5,5 l/100 km.
A condução, com caixa automática, surge simplificada em todos os ambientes – em particular os citadinos – com arranques suaves proporcionados pelo motor elétrico, que muito ajuda a conter os gastos com combustível. Com direção muito ligeira e resposta sempre espontânea ao acelerador, não faltam os modos de condução para vincar o espírito e a entrega de todo o conjunto.
Nota-se a diferença no amortecimento face às Corolla TS mais baixinhas, sempre com tónica no conforto e bem-estar. Mas o ligeiro aumento da distância ao solo não chega para alargar a versatilidade de utilização fora de estrada, em particular face a concorrentes (mais altos) como Skoda Octavia Scout.
A sigla Trek, resultado da parceria entre a Toyota e o fabricante de bicicletas de igual nome, induz espírito mais aventureiro à carrinha Corolla, embora quase totalmente direcionado para o plano estético, com a aproximação visual a um SUV/crossover. A superior altura ao solo (20 mm) acaba por ser mais-valia prática por proporcionar acesso mais simplificado ao (amplo) habitáculo e mala do que a conferir superior liberdade de ação por caminhos não asfaltados. Os sete anos de garantia e a mecânica híbrida, poupada, são outros trunfos importantes.