Citroën C4 Cactus

Regresso ao conforto ‘francês’

Apresentação

Por Ricardo Jorge Costa 26-02-2018 20:18

O Citroën C4 Cactus ganha maior estatuto na 2.ª geração ao substituir o compacto familiar C4. Chega na primavera de 2018, com a imagem de crossover e a inovadora suspensão com batentes progressivos hidráulicos como fatores de cativação. Resta saber se também… o preço.

É uma aposta de risco, mas coerente com o novo rumo estilístico e de inovação tecnológico em tecnologia de conforto da Citroën. O C4 Cactus é, porventura, demasiado irreverente, simplista e frugal para o comum familiar compacto, mas poderá cativar pela imagem de crossover e o conforto de rolamento, este último a atentar na próxima primavera, quando o modelo será lançado. E espera-se, pelo preço.  

O C4 Cactus, original crossover de 2014, baseado na plataforma FP1 do Grupo PSA, a mesma do utilitário C3, com que a Citroën empreendeu, com sucesso, um novo conceito de design na marca, caracterizado pelas aplicações do tipo almofadas de ar na carroçaria, denominadas de Airbumps, e uma construção simplista, especialmente no interior, para conter custos, substitui o C4, que tem sido o modelo compacto de segmento C deste fabricante desde 2004, com recurso à plataforma FP2 e um comprimento total de 4,33 metros.

Para corresponder às exigências inerentes a um automóvel compacto familiar, o Cactus teve de evoluir. Desde logo, no desenho, com a supressão do seu elemento mais singular, os Airbumps, ou melhor, a sua redução à expressão mínima indispensável para que não se corresse o risco de desvirtuar aquele componente primordial do modelo original. Baixou à dimensão de pouco mais do que frisos laterais da carroçaria. Eliminadas foram mesmo as barras de tejadilho.

No resto, a modernização estética resume-se aos novos para-choques e a grupos óticos. O que, no cômputo geral, confere ao Cactus um visual mais sóbrio e consensual, sem perder as características peculiares de crossover, com que a Citroën se fará representar no importantíssimo e concorrido segmento C europeu.

No interior, a atualização da imagem não é mais significativa, prevalecendo o minimalismo do modelo original, com o painel de instrumentos totalmente digital de reduzido tamanho e um monitor central de comando tátil de 7’’, a dominarem sobre o tablier e a consola simplista, com amplas superfícies desimpedidas. Como prova dessa redução à ínfima parte para contenção de custos, ressalva-se a continuidade do sistema de abertura em compasso dos vidros das portas traseiras, outra particularidade do antecessor e de alças como puxadores das portas.

As vastas possibilidades de personalização do habitáculo (com cinco ambientes distintos) também se mantêm como ex-libris do modelo e, em opção, disponibiliza-se tejadilho panorâmico atérmico. E apesar da referida simplicidade conceptual de base, não faltam tecnologias de apoio à condução, ao conforto e à conectividade que se encontrem nos concorrentes que irá enfrentar na categoria, como os modernos sistemas de travagem automática de emergência, de reconhecimento de sinalização de velocidade, alerta de transposição involuntária de faixa, de vigilância de ângulo morto, de assistência em subidas íngremes, de auxílio ao estacionamento (com câmara traseira), de fadiga do condutor e até o controlo de tração otimizado para todo terreno Grip Control.

A cotas interiores de habitabilidade, numa primeira apreciação, satisfazem os requisitos para um compacto familiar, tal como a bagageira com volumetria entre 358 e 1170 litros (máximo, com os bancos posteriores rebatidos).

Novos amortecedores

O desenho de rutura do novo C4 Cactus no segmento e a frugalidade do interior são «apostas de risco assumidas», como foi descrita pelos responsáveis da Citroën na estreia mundial do modelo, em Paris -, e que correspondem à nova identidade estilística do fabricante do emblema double chevron, como a marca do Grupo PSA que mais aponta ao público jovem, tem outro pilar de alicerce: a inovação tecnologia em matéria de conforto que foi reconhecida à Citroën na segunda metade do último século.

O recurso ao mecanismo hidráulico das suspensões regressa com os inéditos amortecedores com batentes hidráulicos progressivos (Progressive Hydraulic Cushions - PHC), em estreia na Europa após a primeira aplicação no C5 Aircross (SUV que é comercializado na China) e no que o novo C4 Cactus será pioneiro da sua integração em futuros veículos da Citroën.

O seu princípio de funcionamento é simples: enquanto as suspensões convencionais são compostas de um amortecedor, de uma mola e de um batente mecânico, os amortecedores PHC com PHC adicionam dois batentes hidráulicos em ambas as extremidades, um de alívio e outro de compressão.

A suspensão opera, assim, em duas etapas, de acordo com as solicitações: em situações de compressão e alívio mais ligeiras, a mola e o amortecedor controlam, em conjunto, os movimentos verticais, sem necessidade de ativar os batentes hidráulicos; em situações de compressão e alívio mais significativas, a mola e o amortecedor trabalham com os batentes superior e inferior de compressão hidráulica, retardando o movimento de uma forma progressiva, evitando, assim, as bruscas pancadas nos seus limites.

Ainda em busca do conforto perdido, a Citroën adota para o novo C4 Cactus novos bancos dianteiros com espuma de elevada densidade, que se propõem a evitar a criação do chamado efeito de compactação após longas horas de condução e a prevenir o envelhecimento após vários anos de utilização.

O novo C4 Cactus está disponível em três motorizações a gasolina, 1.2 Puretech de 82 cv, de 110 cv (com caixa manual ou automática) e 130 cv (caixa manual), enquanto na gama Diesel alinhará o 1.6 BlueHDi de 100 cv (manual) e a partir do outono de 2018 também o 1.6 BlueHDi de 120 cv (automático).

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