«A contemplação do belo alimenta a alma e refresca o espírito. Cercados de beleza, nem sempre dela conseguimos fruir, tal é a azáfama e a rotina do dia-a-dia». A frase que acabámos de citar consta de um panfleto promocional do Museu do Oriente de uma oficina de pais e filhos e parece-nos perfeita para descrever os dois automóveis em confronto e o que neles podemos desfrutar. Os descapotáveis Audi A5 Cabriolet e Mercedes-Benz C Cabrio são apreciados pela sua beleza, encaixando lindamente no magnífico cenário de uma estrada junto ao mar. Muitos privilegiados conhecem a sensação.
O mais difícil neste confronto entre as versões a gasóleo destes ótimos cabrios premium, e levantando desde já a pontinha do véu sobre o desenlace da prosa, foi mesmo decidir qual é o melhor, pois o equilíbrio foi uma constante em todos os parâmetros analisados. Comecemos pelos motores, que pelo desnível de potência poderiam desenvolver diferenças nas prestações, facilitando-nos o trabalho de decidir o vencedor.
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No Audi, encontramos o conhecido 4 cilindros 2.0 TDI de 190 cv/400 Nm, acoplado a caixa automática S Tronic de dupla embraiagem de 7 relações, enquanto no Mercedes também um 4 cilindros de cilindrada superior e potência inferior: 2,1 litros de 170 cv/400 Nm, gerido por caixa automática 9G-Tronic, esta com conversor de binário.
Caixas automáticas modernas
Ambas as combinações mecânicas oferecem utilização cómoda nos modos menos agressivos das respetivas caixas de velocidades, sendo que a S Tronic nos pareceu menos expedita nas manobras a baixa velocidade, nomeadamente na passagem entre a posição de avanço e de marcha atrás. Nas regulações mais desportivas, as duas transmissões garantem espontaneidade e agilidade na engrenagem, com passagens rápidas e suaves, sendo que o Mercedes apenas disponibiliza trocas manuais através das patilhas no volante. No modo automático e em condução mais acelerada, gostámos da funcionalidade que ambos os dispositivos oferecem de efetuar reduções múltiplas, garantindo reduções mais rápidas e, consequentemente, acelerações mais eficazes.
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Nas acelerações, as diferenças são mínimas entre A5 e Classe C, como o provam as medições que realizámos e que publicamos na ficha técnica. Contudo, há ligeira vantagem do Mercedes. Por seu turno, nas recuperações, o resultado é inverso, com o A5 a superiorizar-se, ainda que por pouco. As mecânicas Diesel em análise apresentam já respeitável nível de potência, pelo que convidam por vezes a exagerar na pressão exercida no pedal do acelerador, pelo que convém que os chassis respondam à altura.
Os engenheiros da Audi fizeram ótimo trabalho na afinação do A5 Cabriolet, compensando a ausência de um tejadilho rígido, reforçando a rigidez torsional. Mas os técnicos da Mercedes também o fizeram no Classe C Cabrio, pelo que não há grandes diferenças de eficácia entre os rivais alemães, embora a divergência no tipo de tração: o Audi puxa à frente, o Mercedes atrás.
A condução agrada, mas em ambos os automóveis a informação que chega aos condutores através das respetivas direções (precisas, diretas e razoavelmente comunicativas) é de inércia superior em curva em relação às variantes coupé. Nada de muito grave, mas é verdade que se sente a diferença. E é muito natural que se sinta, sobretudo quando guiamos com a capota recolhida. Argumentos importantes revelam os dois (sempre a par…) no conforto, com superior amortecimento que os tornam em veículos de qualidade ímpar em prazenteiros passeios de cabeça ao vento.
Fiéis à capota em lona
Ora, aí entram as capotas em lona, qualquer das duas capaz de isolar muito bem o habitáculo dos ruídos exteriores e... interiores. Tanto assim é que a típica sonoridade das mecânicas Diesel só incomoda um pouco com as coberturas recolhidas… No Audi A5 Cabriolet, a capota tem funcionamento 100% elétrico, abrindo em 15 segundos e fechando em 18, podendo ser operada até velocidade máxima de 50 km/h. É também esse o limite de velocidade para operar a capota elétrica do Mercedes, que é contudo mais lenta que a do A5, abrindo e fechando em 20 segundos. Nos lugares dianteiros, o isolamento do vento é soberbo nos dois carros, mas quem viaja atrás sofre um pouco com a corrente de ar e também com o pouco espaço disponível para arrumar as pernas e com os encostos demasiado verticais.
Ainda assim, qualquer destas gerações dos descapotáveis premium são mais bondosos para quem viaja nos lugares traseiros, autorizando que pessoas até 1,80 metros consigam sentar-se nos lugares traseiros sem grande sacrifício. Isto com a capota recolhida, pois na versão fechada a coisa pode tornar-se um pouco claustrofóbica.
Estes dois descapotáveis são tão iguais na qualidade (bastante elevada!), no conforto (ídem), na dinâmica (eficaz sem desprimor do conforto) e nas prestações e eficiência dos motores (também altas), que acaba por se tornar ingrato ter que decidir um vencedor. Para desempatar, a dotação de equipamento de série: e aí o Mercedes leva ligeiríssima vantagem.