Por motivos de força maior - adequação a normas mais restritivas de emissões e consumos -, a Porsche rendeu-se aos motores turbo, que marcam o acrescento do prefixo numeral 718 às gamas Cayman/Boxster. Assim, adeus 6 cilindros atmosféricos boxer; bem-vindo 4 cilindros boxer turbo! Este capaz de conferir 300 cv ao 718 Cayman e performances de exceção.
A BMW já há muito aderiu à via da sobrealimentação para cuidar de toda a gama de motores, com enfoque neste bloco 3 litros de 6 cilindros que serve de base a muitas versões picantes da marca, com potências que se estendem dos 306 cv aos 500 cv do M4 GTS! Pelo meio, este M240i (que ao anterior M235i representa subida de forma dos 326 para os atuais 340 cv) que, não chegando aos níveis do M2 (370 cv) tem a particularidade de ser automóvel muito mais sociável no dia-a-dia, com menos aparato estético, níveis de conforto que podem realmente tomar esse nome, e performances/desempenho capazes de o catapultarem para o reino da pilotagem. Basta a letra M antes da sigla numérica para antever que aqui se esconde algo de especial, e não apenas um Série 2 Coupé que, na nossa opinião, é a carroçaria mais equilibrada e que oferece a melhor leitura dinâmica entre toda a gama BMW.
Para o M240i, suspensão desportiva rebaixada 10 mm, travões de capacidade reforçada (com pinça azul a dar o alerta de performance), pneus específicos (Michelin Pilot Super Sport, sendo impossível personalizar jantes/dimensão das rodas) em conjunto com direção desportiva variável (2 voltas entre topos). Pode somar-se suspensão de amortecimento variável para reforçar a versatilidade entre conforto e dinâmica e escolher o modo de condução que mais se adequa a cada momento.
Puxando pelos galões deste conjunto marcado pelos 500 Nm e muito bem acompanhado pela caixa automática de 8 velocidades, a suavidade e a disponibilidade no quotidiano são elevadas, mas causam arrepios na espinha puxando pelas rotações do 6 cilindros, que canta em tom pujante e grave, que em curva combina com o chiar da macia borracha das rodas traseiras. Depois, mesmo sem autoblocante, é fácil controlar todos os movimentos via direção que precisa de reduzidas intervenções nas correções, de tão direta que é, permitindo que o chassis baile ao sabor do (muito) binário.
No 718 Cayman é preciso mente aberta para lidar com a distinta sonoridade do 2 litros turbo de 4 cilindros aos antigos 6 cilindros atmosféricos, mesmo somando-se o opcional escape desportivo (2325 €). Pode ficar 40 cv abaixo na escala de potência ao BMW, mas com a certeza que todos são soberanamente aproveitados em aceleração, devido à fenomenal capacidade motriz, com a contribuição da colocação central do motor e largos pneus traseiros.
Além de que a caixa automática PDK é igualmente exímia nas ainda mais rápidas trocas à unidade ZF do BMW. Nas nossas medições, o Porsche só terá dificuldades em apanhar o M240i quando já embalado (os valores das recuperações são muito próximos, espelhando bem a capacidade de impulso gerada pelos 500 Nm do BMW aos 380 Nm do Porsche), mesmo sendo o 718 Cayman mais leve.
Da conceção das carroçarias (rasteirinho coupé de dois lugares sem compromissos a coupé de 4 lugares da BMW, capaz de cumprir tarefas familiares), retiram-se algumas imediatas ilações sobre o potencial dinâmico do Porsche, para mais sendo esta marca uma referência absoluta no campo desportivo. A unidade testada conta ainda com reforços dinâmicos, caso da suspensão PASM rebaixada (1476 €), direção assistida Plus (270 €), autoblocante mecânico PTV (1353 €), ou mesmo conjunto pneumático em jantes de 20’’ (2583 €) e o Pacote Sport Chrono (2300 €) que inclui comando rotativo no volante para escolha dos modos de condução, incluindo Launch Control e função Sport Response que, durante 20 segundos, otimiza todos os órgãos mecânicos do veículo para a máxima performance, que muito apuram a forma de lidar com a estrada.
Como tal, o 718 Cayman, além de pujante na resposta ao acelerador, com o 2 litros turbo a apresentar desempenho viciante já na fase final do conta-rotações, agiliza-se de modo 100% coordenado com as intenções do condutor. É um verdadeiro e muito eficaz desportivo, capaz de curvar a velocidades impressionantes, sempre colado à estrada, dominado por uma fúria de luta com o cronómetro. É preciso muita rotação (ou velocidade) para tirar este chassis do sério, em completa discordância com o muito vivo M240i, que desativando-se as ajudas eletrónicas está sempre pronto para se atravessar ao mais impetuoso toque no acelerador!
O Porsche tem ainda a faculdade de se direcionar na perfeição fruto da leveza do eixo dianteiro e inclui modo Sport do PSM, perfeito para brincar!
Embora o M240i seja um desportivo à séria, conjugando facilidade de interação com afinco em curva e muita velocidade nascida na mecânica 6 cilindros, o certo é que a suspensão, que parece firme e justa, contribui para a inclinação da carroçaria em curva, mais percetível depois de vivenciado o perfeito controlo de movimentos do baixinho e muito bem afinado 718 Cayman. Um e outro com motores excecionais, muito ganhando com a sobrealimentação: mais velocidade e emoção!