Abrimos a porta do Opel Insignia e o que encontramos é um ambiente moderno, sofisticado e claramente premium. Sem favor: o habitáculo do Insignia bate-se com os dos compatriotas da BMW, Mercedes ou Audi. Enfim, se formos ver mesmo tudo ao pormenor, talvez alguns (muito poucos) materiais do Opel não sejam tão nobres quanto os dos daqueles, mas no cômputo geral, a ideia que fica é que o Insignia perde muito pouco para as berlinas premium, sobretudo para o BMW Série 3, o modelo que escolhemos para comparar com a berlina em formato coupé da Opel.
O Insignia que testámos estava equipado com belíssimos estofos em couro perfurado de cor castanha que contribuem muito para a perceção de qualidade do habitáculo. Claro que uma versão com estofos em tecido não suscitaria a mesma sensação, mas isso é algo que também sucede com os premium. No Opel, merece referência a boa posição de condução e a colocação correta de todos os comandos relativos à condução e ainda a localização elevada do ecrã que permite gerir o sistema multimédia e outros sistemas do automóvel (ecrã legível e fácil de utilizar).
No BMW, não há nada de surpreendente: a sobriedade do costume, ergonomia exemplar e muita qualidade de materiais e acabamentos. Mas nada nos surpreende... Aliás, o habitáculo do Série 3 parece até um pouco envelhecido, algo que não tem efeito pontual no nosso confronto, mas que não pode deixar de ser referido.
Quanto a espaço, o Insignia destaca-se com largura superior à frente e atrás e também em comprimento para pernas nos lugares traseiros (o Insignia Grand Sport cresceu 5,5 cm no comprimento e 9,2 cm na distância entre eixos, o que permitiu aumentar o espaço em comprimento nos lugares traseiros), um argumento importante sabendo-se que este tipo de automóveis são ainda tidos como hipótese de transporte familiar pela minoria que ainda não se deixou contaminar pela febre dos SUV. Para esses, é importante ainda referir que a volumetria das bagageiras de Série 3 e Insignia é praticamente igual (480 e 490 litros, respetivamente), diferindo contudo na forma de acesso: enquanto no Opel, o portão eleva o óculo traseiro, criando ampla abertura para carregamento, no BMW é apenas possível abrir a tampa, oferecendo acesso muito mais acanhado e que acaba por se tornar pouco prático se houver necessidade de transportar objetos de maior dimensão.
Motor
Por baixo do capot do Insignia encontramos o bloco de 4 cilindros, 2 litros e turbo que transita da primeira geração do modelo, debitando 170 cv e 400 Nm que lhe confere boa capacidade de aceleração e elasticidade, facto a que não é alheia a bem escalonada caixa manual de seis velocidades. Suave e silencioso, este propulsor potencia as aspirações estatutárias da elegante berlina. No confronto direto com o 4 cilindros do BMW, que tem também 2 litros de capacidade, mas menos 20 cv (150) e 80 Nm (320), o Diesel do Opel é ligeiramente mais rápido na aceleração 0-100 km/h, mas é nas recuperações que se destaca (e muito!), como se comprova nas nossas medições.
Dinâmica
Nesta categoria, há diversos automóveis que se destacam pela eficácia e índices de diversão do desempenho dinâmico. Ora, no Insignia, a dinâmica alinha com a eficácia da mecânica. Sendo um automóvel de dimensões avantajadas (quase cinco metros de comprimento), chega a surpreender a agilidade e o equilíbrio que demonstra a curvar, não se intimidando com traçados recheados de curvas e contracurvas. Gostámos do tato da direção e do acerto da mesma, a qual garante entradas precisas em curva. Não é um desportivo, e mesmo por isso não vamos alongar-nos no desempenho dinâmico, mas pensamos ser importante salientar se também é diversão que procura num familiar, este automóvel pode ser uma boa hipótese para si.
Mas atenção: ainda que o Insignia mereça rasgados elogios na dinâmica, a verdade é que tem aqui pela frente um dos automóveis dinamicamente mais eficazes e divertidos do segmento (para muitos, é mesmo o melhor). O Série 3 há muito que tem fama (e proveito) de ser automóvel que convida a condução entusiasmada, desde logo por ser um tração traseira, depois porque o chassis é equilibradíssimo, a rigidez torcional elevada e a frente obediente, deixando-se guiar com acerto e rapidez através de uma direção que oferece muito feeling ao condutor. Não se pode dizer que seja um automóvel muito fácil de guiar depressa para a maioria dos condutores (a tração traseira pode pregar algumas partidas...), mas para os mais experientes na condução acelerada é um deleite.
E o melhor de tudo isto é que o conforto não sai muito penalizado. E falamos do Série 3 (cujas suspensões foram suavizadas nesta geração) e também o Insignia, cuja unidade testada estava equipada com jantes de 20 polegadas. Em bom piso, a serenidade é característica comum a ambos, mas em piso mais degradado, a filtragem não nos pareceu tão elevada como, por exemplo, no Audi A4.
Economia
Por fim, a vertente económica: olhando para o final da ficha técnica percebemos que os preços de BMW 318d e Opel Insignia Grand Sport diferem em apenas 50 € (o que não é habitual entre um premium e um generalista), mas as maiores dissemelhanças estão um pouco mais acima, nos equipamentos, onde a disparidade é quase escandalosa. A berlina da Opel tem tudo e mais alguma coisa no que concerne aos equipamentos de conforto (de relevante, só os bancos em pele são opcionais) e de segurança, enquanto o Série 3 tem muito pouco. Nisto, só o Insignia é premium.