A matriz é exclusiva e de alto teor nutritivo, o que implica efeitos dinâmicos de exceção. Tão excecionais que até chegam a parecer pouco verosímeis em automóveis com tamanho acima dos 5 metros de comprimento e mais de duas toneladas de peso (2055 kg anunciados para o BMW e 2050 kg para o Porsche). Mesmo assim, em ambos, as estruturas foram aligeiradas devido à inclusão de mais alumínio ao nível das suspensões e nos painéis das carroçarias. No Série 7 destaca-se ainda o recurso a fibra de carbono nalguns componentes, num modelo que tem carroçaria mais longa (Ld) e distância entre eixos esticada à variante normal.
Essa condição percebe-se logo quando se acede ao habitáculo, cuja dimensão é superior à da do concorrente, em especial nos lugares traseiros, sendo possível conjugar inúmeras mordomias (e opções) que transformam o ambiente interior numa autêntica sala de estar. Com o pack Executive Lounge (2280 €), por exemplo, o banco do passageiro da frente é empurrado para diante e o encosto também rebate ligeiramente, havendo um suporte ajustável para que o passageiro atrás (à direita) possa apoiar os pés e relaxar as pernas. Do tipo chaise-longue, ora bem! Na consola, entre bancos, há ainda um tablet amovível que controla as várias funções de bordo. Nada falta! Aliás, todo o habitáculo está cheio deste tipo de luxos e tecnologia, quer na iluminação, ventilação e/ou aquecimento, quer no acréscimo de conforto através de vários elementos: massagens, TV, monitores multimédia encaixados nos encostos da frente, teto solar panorâmico (Sky Lounge, 2180 €) e sistema de som Hi-fi da Bowers & Wilkins, entre outros itens. Com estes conteúdos, o preço é arrastado para um valor ainda mais proibitivo, quase equivalente a um apartamento T2 em zona de prestígio.

Condução
Por sua vez, há outros custos associados ao lado dinâmico que não interessam apenas ao motorista, como por exemplo o pack Desportivo M (jantes de 20’’ com pneus mistos e de baixo perfil), além do sistema Executive Drive Pro, cujas câmaras fazem a leitura da estrada e adaptam a carga da suspensão pneumática a qualquer momento. Daí o inegável conforto, a que se junta também a eficácia gerada pelas barras estabilizadoras ativas e pela direção ativa integral (incluindo função direcional traseira, por 1500 €), além dos méritos da tração integral. Exímio!
Há, de facto, grande domínio da estrada por parte deste BMW, apenas faltando uma direção mais direta/comunicativa, com outro feeling, inclusive no modo Sport, a par doutra firmeza, algo que nos é dado pelo Panamera 4S Diesel.
A 2.ª geração do modelo da Porsche tem enunciado invejável: novo chassis e suspensões evoluídas, além de construção otimizada, a que se associa a unidade V8 Diesel biturbo (422 cv), instigada pela tremenda eficácia (e grande rapidez) da caixa automática PDK de 8 relações. Como no Série 7, o novo Panamera também pode agregar alguns extras que melhoram essa matriz dinâmica, tais como suspensão pneumática adaptativa (2207 €), jantes de 21’’ com Pirelli PZero (3395 €) e travões cerâmicos (9237 €), além de eixo traseiro direcional (2116 €).
Motores
A estreia do mais potente Diesel de 6 cilindros da atualidade (400 cv, 4 turbos) é o momento de glória tecnológica para o novo Série 7, numa aplicação com resultados bem visíveis: 4,8 s até 100 km/h e retomas de velocidade projetadas de 2,4 a 3 s (ver ficha). Notável! Como se se tratasse de um enorme empurrão. Mais impressionante do que isso é o ímpeto dado pela mecânica a qualquer rotação (760 Nm entre as 2000/3000 rpm; e 450 Nm logo às 1000 rpm), além da extrema suavidade, mesmo que haja maior ruído nas acelerações fortes. Bah!, nada de grave. A transmissão automática de 8 relações está igualmente bem sintonizada e é permitido guiar de mansinho em autoestrada, não sendo difícil aí atingir médias próximas dos 7 l/100 km.
O único problema deste 750d xDrive chama-se... Panamera, pelo menos no que diz respeito à avaliação dinâmica e também às prestações do bloco 4.0 V8 de 422 cv (origem Audi), cujo desempenho é potenciado ao máximo através da escolha do modo de condução Sport Plus (bastando pressionar o botão Sport Response no volante, incluído no pack Sport Chrono, por 1925 €), regulando as afinações do chassis e das suspensões, além da assistência da direção e a resposta da transmissão automática PDK. Nessas condições, o Panamera é (mesmo) outra coisa, além de uma espécie de míssil quando se ativa o Launch-control para arranques à piloto. E é fácil esquecer o rival Série 7 nesses momentos de maior adrenalina, bastando 4 s para chegar até 100 km/h e 15,6 s até 200 km/h. Incrível!
A correta distribuição do peso contribui para ótima estabilidade e a condução é genuína, sendo quase infernal a agilidade concedida a um automóvel deste tamanho. A força do corajoso bloco V8 é igualmente extraordinária e a precisão da direção (à Porsche!) é algo que se memoriza, mais fácil de lembrar assim que se passa para o volante do 750d. Que diferença, inclusive com o modo Sport ativado. E aí é fácil esboçar um sorriso mais rasgado para o Panamera. Lá isso é!