A dúvida faz parte da construção e do caminho até a uma eventual certeza! Trata-se de condição necessária para atingir esse objetivo, embora o itinerário possa ter várias etapas. Como em tudo.
No caso dos motores Diesel, as polémicas em vigor têm tido o efeito de lançar outro género de respostas, cujo âmbito é mais consensual no que se refere às respetivas emissões dalguns gases, nomeadamente do CO2 e do conhecido NOx (óxidos de azoto) que esteve na base do famigerado Dieselgate.
Não há soluções unâmines, mas aos poucos os construtores lideram a atual fase de conversão a limites ambientais cada vez mais exigentes. E é também por aí que se poderão comparar estes novos automóveis das marcas francesas Peugeot e Renault, modelos familiares acima de tudo (7 lugares), mas sobretudo mais ecológicos e de baixo consumo.
Nesse domínio a discussão está num plano avançado, tendo em conta que o 5008 dispõe agora doutra mecânica BlueHDI a gasóleo de 1.5 litros (em vez da anterior 1.6) que foi desenvolvida a 100% pelo grupo PSA e que adota cerca de 200 novas patentes. Entre as inovações inclui-se outro sistema de tratamento de gases com catalisador seletivo de 2.ª geração e filtro de partículas, ambos mais eficazes e próximos do motor. Dessa maneira já é possível cumprir a norma Euro 6.2d, sem exceder no dia-a-dia 2,1 vezes os valores medidos em banco de ensaio. Melhor assim!
No caso do Scénic a solução é outra, graças à estreia de tecnologia híbrida associada a bloco Diesel dCi de 110 cv, que consiste na aplicação de um pequeno motor/gerador elétrico (10 kW/13,6 cv) alimentado por bateria de iões de lítio (48 volts) instalada sob o piso traseiro. Esta é capaz de armazenar energia (nas travagens e desacelerações) para enviá-la posteriormente ao bloco dCi, permitindo atingir maior binário (15 Nm extra, até 275 Nm) e melhor rendimento. Há ainda outra bateria secundária de 12V destinada a fazer funcionar luzes, climatização e demais equipamentos. Não há modo estritamente elétrico ou possibilidade de recarga externa, mas a Renault diz que a redução nos consumos e nas emissões atinge 10% à versão normal, além da melhoria ao nível das prestações.
Na prática isso acontece, uma vez que a força elétrica pressente-se na condução em vários momentos, inclusive nas acelerações inusitadas, permitindo que, apesar do elevado peso, este Grand Scénic seja despachado q.b., sem qualquer dificuldade de progressão. Mas a apreciação dinâmica é reiterada por um juízo vulgar: equilibrada, estável, mas pouco entusiasta, mesmo se se ativar o modo Sport para outro tipo de frenesim. E há ainda que contar com o efeito de travão-motor ligado à fase de regeneração, embora o conjunto híbrido atue de forma impercetível, bastando segui-lo no visor ao lado do velocímetro, na barra gráfica. O start-stop é discreto (ligado à natureza híbrida) e as últimas relações da caixa manual são longas (5.ª e 6.ª), pelo que o consumo agradece. A média mais frequente coloca-se em 5,5 l/100 km, o que num automóvel deste género é surpreendente. E essa é uma certeza... óbvia! Em tudo o resto, este Grand Scénic Hybrid Assist é igual a um Grand Scénic normal (espaçoso, modular e familiar), tendo a vantagem de ter o preço mais acessível da gama, a par da garantia de 5 anos ou 100.000 km.
No 5008, por sua vez, as garantias são doutra ordem: melhor qualidade ao nível da condução (direção, chassis e suspensões), além de prestações/recuperações acima das do adversário (ver ficha), algo que a maior potência da mecânica Diesel poderá explicar (20 cv acima da do bloco Renault), assim como o binário elevado de 300 Nm. A acústica Diesel foi atenuada e o start-stop não é brusco, como é comum nos modelos do grupo PSA, ao mesmo tempo que a caixa manual de 6 relações foi otimizada. Tudo melhor, mais suave!
A resposta do bloco BlueHDi é mais forte do que a do dCi, existindo também o modo Sport para desempenho e atitude desportiva, embora sem exagero. Mesmo que não haja grande rapidez a curvar, o Peugeot é mais eficaz a desenvencilhar-se nessas situações e o tato da direção é outro. Melhor, sem dúvida!
Outra certeza é dada pela eficácia do Advanced Grip Control (300 €), algo que é útil perante condições adversas.
Por fim, como não bela sem senão, o modelo Peugeot atinge consumo médio acima do oponente da Renault, mesmo que o valor não seja totalmente descarado: 6,2 l/100 km a ritmo cauteloso, embora seja (muito) fácil projetá-lo para patamar perto dos 7 l/100 km. É fazer contas! O esforço inicial é maior e a garantia vulgar (2 anos), embora a versão GT Line possua mais equipamentos (de série) e melhor imagem. Certo! Ponto final na discussão a favor do... 5008.