A procura de Sport Utility Vehicles (SUV) continua a acelerar e o passo seguinte é o aumento da diversidade de formatos… dentro do mesmo formato, para sedução de ainda maior número de clientes, como o que combina a imagem desportiva e a dinâmica na condução características dos coupés, com a arquitetura da carroçaria e a posição elevada dos SUV.
A BMW antecipou a tendência no final de 2007, quando começou a produção do X6 baseado no X5. A fórmula foi recebida com renitência, mas o êxito comercial que se seguiu derrotou os mais céticos e ganhou adeptos até entre os adversários, vide o GLC Coupé baseado no GLC sucessor do GLK que integra a gama da Mercedes-Benz. O X4 apareceu muito tarde no programa da 2.ª geração do X3 (F25), de 2010. E, por esse motivo, a marca decidiu não produzir qualquer atualização do derivado de 2014. Até agora, com a chegada do sucessor (G01) do SUV médio da BMW.
A nova geração X4 cresceu em todas as dimensões, na comparação com o modelo antecessor, exceto na altura. Mais 81 mm de comprimento, 37 mm de largura e 54 mm entre eixos, embora continue a ser taxado como Classe 1 devido a ter mantido regulamentar altura inferior a 1,10 m no eixo da frente, do topo da carroçaria ao solo.
O mesmo enquadramento nas portagens das autoestradas nacionais para o SUV-Coupé da Mercedes, que ao GLC convencional só cresceu (7,6 cm) no comprimento, para medidas exteriores que parecem copiadas a papel químico das do novo X4.
O BMW é um pouco mais largo (1,91 contra 1,89 m) e alto (+2 cm), sem que esta diferença tão mínima de porte signifique vantagem evidente em matéria de cotas interiores. Ao contrário, ao jugo da fita métrica, equilíbrio enorme, como atestam as medições efetuadas nos lugares traseiros, na distância para as pernas dos passageiros (no BMW, 61 a 84 cm, segundo a regulação longitudinal dos bancos posteriores, que pode ser elétrica em opção; no Mercedes espaço que oscila entre 57 e 80 cm. Maior impacto na forma como recebem a bordo tem claramente a configuração daqueles bancos, com o BMW a oferecer assentos quase 5 cm mais curtos que os do Mercedes, onde viajamos com melhores condições de conforto, com as pernas bem mais apoiadas. Pormenores...? Ainda sobre tamanhos, sublinhar que entre as consequências positivas, além do referido progresso na habitabilidade, o novo X4 oferece mais capacidade da mala (525 a 1430 litros) do que anterior, também ultrapassando a Mercedes, com mais 25 litros de volumetria útil.
Bonitos por fora, bonitos por dentro
O interior do novo X4 foi cirurgicamente modernizado, sem ceder um milímetro na tradicional qualidade de construção, requinte e imagem premium, de dinamismo e tecnologicamente sofisticada da BMW. Ao volante, corretíssima ergonomia e posição de condução ótima. Os bancos desportivos (redesenhados) e com bons apoios ajudam. No mais, mantém o comando operativo rotativo iDrive e o monitor central cimeiro ao tablier, disponível numa versão de 10,25’’ com controlo tátil. Mas, técnica e tecnologicamente, o X4 passa a dispor agora dos melhores recursos da BMW, como o Performance Control, a suspensão adaptativa M, diferencial ativo e sistema de travagem M Sport. De série, caixa automática de 8 velocidades e tração integral. O novo BMW também tem versão mais recente das tecnologias de assistência à condução e info-entretenimento, incluindo sistema iDrive com controlo vocal de série e, em opção, o referido monitor tátil obedece também a comandos gestuais.
Mais conservadora a Mercedes nas soluções que encontrou para o seu SUV, muitas que reconhecemos, diretamente decalcadas do Classe C: qualidade de construção à Mercedes, sem falhas, num habitáculo muito bem equipado e com bancos em pele e alcantara de série. E, como no BMW, conteúdos a perder de vista na lista de opcionais... Destaque para o Pack AMG que muito influencia o look exterior e interior, onde até os elegantes revestimentos em madeira de freixo estão sujeito a custo (350 €), o mesmo se passando com os estribos laterais com acabamento em alumínio (600 €).
No X4, são os conteúdos da nova versão X desportiva M (4837 €) que nos merece nota: jantes de 19’’, bancos desportivos, volante desportivo em pele, ar condicionado automático, luzes de nevoeiro LED e suspensão desportiva M, decisiva para definir a superior atitude em estrada.
‘Genéticas’ difíceis de igualar
A BMW conseguiu otimizar a dinâmica a um nível surpreendente. E mesmo não tendo a precisão cirúrgica ou a estabilidade em curva de um coupé, como SUV é modelo sobredotado, começando pela direção (Servotronic), que foi melhorada, está mais leve e, em simultâneo, mais exata. Pelo que o tato referencial que é imagem de marca de todos BMW está lá todo.
A base estrutural do X4 é mais leve e isso entende-se ao nível da condução, tendo a mesma plataforma do Série 7, designada por CLAR. Melhor génese é difícil… E para acompanhar toada assim, o GLC Coupé precisa da opcional e muito competente suspensão pneumática (2350 €). O grande mérito do SUV da Mercedes está na forma exímia como consegue compatibilizar uma condução ágil e imensamente envolvente para SUV com níveis de conforto acima da média. Depois, com todos os comandos essenciais à condução, da direção aos pedais, a apresentarem menos peso, torna-se automóvel mais convidativo para as voltinhas de todos os dias. Ter mais motor também ajuda...
O bloco 2.1 Diesel do Mercedes não só garante ritmos despachados, como está superiormente secundado, com as boas decisões da caixa de 9 velocidades a influenciarem positivamente a dinâmica.
O Diesel de 190 cv que equipa o X4 não será a mais eloquente das motorizações à disposição desta nova geração do coupé de pernas altas da marca bávara. E, mesmo se esta versão xDrive 20d não se mexe nada mal, atrasa-se nas principais acelerações e em todas as retomas. Nos consumos, o 4 cilindros da BMW também mais modesto que o 2,1 litros da Mercedes.
Mais comprido e mais baixo que o original de 2014, o novo X4, produzido sobre a mesma plataforma de Série 7, tem genética que é difícil de igualar. E a direção com peso ajuda a tornar a condução num exercício envolvente. Curiosamente, é a dinâmica que decide este primeiro duelo com o rival da Mercedes, com o GLC Coupé a valer-se de Diesel mais forte (204 cv e binário máximo que atinge 500 Nm!), associado a caixa mais capaz, para obter prestações superiores. Como dinamicamente o carro da estrela também não compromete, ainda propondo níveis de conforto mais elevados, mais equipamento-base e melhor preço...