Opel Mokka-e Ultimate vs Mazda MX-30 e-Skyactiv Excellence

Predadores da selva urbana

CONFRONTO

Por Paulo Sérgio Cardoso 29-05-2022 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

De imagem marcante e motorizações 100% eletrificadas, estes dois SUV têm total foco cosmopolita. Não lhes peçam muitos quilómetros em viagem; aproveite-se, sim, as tecnologias, os equipamentos e a vivacidade dinâmica dos motores elétricos.

Dois modelos de raízes citadinas, originais e coloridos, que não dispensam o formato SUV e que ficam bem nas fotos do mural do Instagram! Some-se a faceta de sustentabilidade garantida pelas motorizações elétricas, e eis um par de veículos em pleno estado de graça, centrados com as atuais tendências e apontados aos benefícios fiscais para empresas.

Opel de nova geração

O Mokka assina o atual momento de viragem estilística (e técnica) da Opel, com base do Grupo Stellantis que permite suportar a eletrificação total – modelo que coexiste com versões de mecânicas térmicas, ao contrário do que acontece na Mazda, onde o MX-30, por agora, só se encontra disponível nesta variante 100% elétrica. O Opel faz uso de uma bateria de maior capacidade (50 kW vs 35,5 kW brutos) que lhe garante superior versatilidade de utilização: não foi difícil confirmar os cerca de 300 km de autonomia em condução mista, sem surpresa, 100 km acima do que o Mazda se mostrou capaz. Mas, como acontece em todos os elétricos, estes 300 km facilmente se transformam em 200 em cenário de autoestrada e com ar condicionado ligado, com o computador de bordo a assinalar consumo médio a rondar os 20 kWh/100 km – em circuitos urbano/misto, o Mokka-e regista consumos na ordem dos 16,5, ou seja, sempre mais elevados face ao seu rival de ocasião, que assim aproveita melhor a bateria mais curta.

Relativamente ao Mazda (que se fica por modos de regeneração selecionados nas patilhas no volante), o Opel propõe sistema de modos de condução e transmissão com função regenerativa ‘B’ que permite adaptar a entrega do motor e melhor gerir a autonomia. Tudo muito bem explanado nos dois monitores digitais (instrumentação e multimédia) em diversos menus e informações alusivas ao sistema elétrico, não só de grafismos atraentes, como de navegação simplificada – apenas o software tem alguns momentos de atraso na resposta. Aliás, todo o ambiente interior do Opel é marcado por conceção vanguardista, e ligada ao condutor, inclusive na inclinação da consola central, para a esquerda, melhor envolvendo o posto de comando. Entre tanta digitalização, de louvar a manutenção de comandos físicos para a climatização.

Esta versão topo de gama, Ultimate, tem visual e ambiente reforçado pelos revestimentos em Alcantara e pele nos bancos e portas e painéis interiores em piano black.  Mesmo sendo mais pequeno por fora, as cotas habitáveis do Mokka equivalem-se às das do Mazda(o Opel tem apenas um pouco menos de espaço em largura, à frente, e reduzido ângulo de abertura das pequenas portas traseiras), perdendo também no volume da bagageira – não obstante permitir a organização do espaço em dois planos de carga.

A diferença está nas portas!

A Mazda apostou nas portas traseiras freestyle, de abertura invertida, para fazer do MX-30 um carro peculiar e que soubesse explorar a veia diferenciadora da propulsão elétrica. Mesmo com abertura quase a 90º de todas as portas, as traseiras só abrem mediante a abertura das da frente, o que prejudica a funcionalidade. Mas fruto da ausência de pilar B, o acesso atrás não se torna complicado, apenas... diferenciado, e pode ser realizado mesmo com passageiros sentados à frente. Seja à frente ou atrás, os bancos são ergonómicos e ajudam a promover o conforto e o bem-estar, onde nem falta apoio de braços central traseiro. Nesta versão de topo, além dos cuidados revestimentos em couro Vintage Leatherette (artificial) e tecido (com têxteis feitos a partir de garrafas recicladas), o banco do condutor oferece ajustes elétricos; a cortiça utilizada a bordo é de origem portuguesa.

Mais confortável, com direção mais coesa e superior sensação de robustez nas ligações ao solo – não obstante o peso final mais alto justificado pelos reforços estruturais que minimizam a ausência de pilar ‘B’ central – o Mazda dá também mostras de mais cuidados nos acabamentos e na montagem. Mas a ergonomia e algumas funcionalidades do interior pecam por falhas motivadas por soluções pretensamente... diferenciadoras. É o caso da dificuldade em percecionar a informação no monitor inferior da consola central, touchscreen de 7’’ dedicado à climatização (iluminação fraca e muitos reflexos); da ausência de locais de arrumo à mão, uma vez que o mais amplo fica sob a consola central flutuante, resultando pouco prático e de acesso dificultado; ou ainda no manuseamento da alavanca da caixa de velocidades, que obriga a um movimento lateral e pouco natural.

O painel de instrumentos, mais analógico que digital, é menos vanguardista, e dedica pouco destaque à informação sobre a autonomia. Bem melhor é a qualidade gráfica do head up display (de série) e do monitor do sistema multimédia (8,8’’, não sendo tátil), comandado unicamente via botão rotativo na consola central. Excelente é também a definição da projeção da câmara de ajuda ao estacionamento.

Recheadas de equipamentos, estas versões não dispensam extenso rol de ajudas à condução. Enquanto veículos elétricos, o Opel Mokka-e proporciona carregamentos mais rápidos, até 100 kW – o Mazda fica-se pelos 50.

Face à peculiar carroçaria do Mazda MX-30 (tem o seu encanto, marcando pontos pela diferença), o Opel Mokka resulta bem mais funcional. E ainda soma a versatilidade de percorrer mais quilómetros com uma carga de bateria. São dois SUV com pleno foco nas cidades, com o Mazda a surgir mais confortável, refinado e melhor acabado. O Opel apresenta interior mais vanguardista e digitalizado, sendo o melhor e mais completo enquanto veículo 100% elétrico.

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Ficha Técnica

Características

OPEL Mokka-e

Ultimate

MAZDA MX-30

e-Skyactiv Excellence

Motor
Tipo Elétrico, síncrono Elétrico, síncrono
Potência 136 cv 145 cv
Binário 260 Nm 271 Nm
Bateria Iões de lítio Iões de lítio
Capacidade útil 46 kWh 35,5 kWh
Tempo de carga (0-80%) - -
Transmissão
Tração Dianteira Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel. Automática de 1 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,1 m Elétrica/11,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,151/1,791/1,534 m 4,395/1,795/1,555 m
Distância entre eixos 2,561 m 2,655 m
Mala 310-1060 litros 366-1171 litros
Depósito de combustível - -
Pneus F 7jx18-215/55 R18 7jx18-215/55 R18
Pneus T 7jx18-215/55 R18 7jx18-215/55 R18
Peso 1598 kg 1720 kg
Relação peso/potência 11,75 kg/cv 11,8 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 150 km/h 140 km/h
Acel. 0-100 km/h 9 s 9,7 s
Consumo médio 17,7 kWh/100 km 19 kWh/100 km
Autonomia 319 200
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km 3 anos/100.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos 3/12 anos
Bateria - -
Imposto de circulação (IUC) 0 € 0 €

Medições

OPEL

Acelerações
0-50 km/h 3,3 s
0-100 / 130 km/h 9,2/15,9 s
0-400 / 0-1000 m 16,9/31,2 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,7 s
60-100 km/h (D) 5,1 s
80-120 km/h (D) 6,9 s
Travagem
100-0/50-0km/h 39/9,2 m
Consumos
Consumo médio 16,5 kWh/100km
Autonomia 310 km

Medições

MAZDA

Acelerações
0-50 km/h 3,5 s
0-100 / 130 km/h 9,4/15,9 s
0-400 / 0-1000 m 16,9/32,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,8 s
60-100 km/h (D) 5,0 s
80-120 km/h (D) 7,1 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37/9,3 m
Consumos
Consumo médio 15,5 kWh/100km
Autonomia 200 km