O formato SUV-Coupé (fórmula que a BMW estreou com o X6), era um exclusivo de marcas de ‘elite’, mas a Renault, com o Arkana, democratizou-o. Na VW esse papel cabe ao Taigo, a versão europeia do Nivus sul-americano, otimizada para satisfazer as expectativas mais exigentes dos consumidores do Velho Continente.
A importância dos crossovers e dos Sport Utility Vehicles (SUV) nos números dos construtores é cada vez maior, com aqueles formatos a conseguirem todos os meses quotas recorde nos principais mercados europeus. Na VW, entre as novidades, inédito SUV-Coupé para posicionar entre o T-Cross e imediatamente abaixo do T-Roc made in Portugal. O novo SUV alemão chama-se Taigo, é a versão europeia do Nivus sul-americano, necessariamente superotimizada para satisfazer as expectativas mais exigentes dos consumidores do Velho Continente e baseia-se na arquitetura MQB A0, a base de Polo, carro com que partilha a fábrica de Pamplona, Espanha.

O 3.º SUV da VW no segmento dos SUV subcompactos e compactos diferencia-se de T-Roc e T-Cross pela linha muito descendente do tejadilho dos pilares B para trás, para aproximação ao desenho dos coupés, apontando a clientela mais jovem, habitualmente adepta de Ford Puma, Nissan Juke & Cia. No fundo, para preencher a franja mais emocional que resta, com a imagem desempoeirada da moda e até alguns elementos de estilo inovadores na marca, mais e melhores soluções de modularidade no interior e aposta forte na personalização. Conceito igual ao que impulsionou o lançamento do Arkana, modelo importante no programa de reorientação da gama da Renault preconizado pelo diretor novo da marca, Luca De Meo. O italiano, que passou pela empresa antes de protagonizar carreira de sucesso no consórcio VW, nomeadamente na Seat, decidiu privilegiar os compactos, sublinhando-o com a democratização de formato até aqui reservado a uma elite. O SUV-Coupé da Renault assenta na mesma arquitetura técnica de Clio ou Captur (CMF-B) – privilegiaram-na à CMF-C/D por tratar-se de plataforma mais barata e modular –, com a distância entre eixos esticada para 2,720 m (mais 81 mm do que o Captur). O recurso a esta plataforma tem mão cheia de impactos positivos, desde logo na habitabilidade e na capacidade da bagageira (513 litros nas versões TCe, 480 na E-Tech).

No Taigo, mais forma, menos função. Comparado com o T-Cross (mais curto 16 cm), o SUV-Coupé perde quatro centímetros no espaço para as pernas na fila posterior, embora mantendo a altura livre ao teto – o banco traseiro do Taigo está colocado um pouco mais abaixo, para que a arquitetura SUV-Coupé não limite gravemente o sentido prático do automóvel, nomeadamente a liberdade de movimentos no interior. E também perde a possibilidade de poder avançar ou recuar longitudinalmente os bancos posteriores sobre calhas com 15 cm, beneficiando-se o espaço para bagagens. Ainda assim, quatro adultos viajam no seu interior em ótimas condições de conforto. Um quinto elemento a bordo, sentado atrás, no lugar do meio sentirá o aperto normal que resulta da presença de um intrusivo túnel no piso do automóvel, que ali está apenas para equilibrar o chassis, uma vez que na gama só estão disponíveis simplificadas versões de tração dianteira. Na mala, 438 litros.

A colocação do assento em relação ao volante e ao piso do habitáculo é a mesma do Polo, significando que a posição de condução do Taigo, mesmo mais alta em 3,6 centímetros, se assemelha à do utilitário alemão, com as pernas mais esticadas do que no T-Cross, cuja posição ao volante é tipicamente SUV. A altura livre ao solo do Taigo é de 18,4 centímetros, a mesma que o T-Cross.
O Renault, ligeiramente mais alto, parece automóvel mais matulão, surge com habitáculo bem espaçoso, à medida do que deve ser exigido a um SUV de aptidões urbanas, facilitando entradas e saídas do habitáculo, com a vantagem acrescida do banco traseiro estar em plano mais elevado face aos dianteiros, alargando a visibilidade a quem aí se sentar. Na apresentação, o Arkana R.S. Line deixa mais vincada a inspiração desportiva, quer pelas aplicações a imitar carbono, decoração que mistura o negro e o vermelho, ótima pega perfurada para o volante; quer pelos bancos excelentes e ergonómicos, revestidos num misto de Alcantara e pele, que somam ainda a funcionalidade dos ajustes elétricos. O painel de instrumentos multicenários é 100% digital e a consola central dominada pelo ecrã tátil vertical de 9,3’’ do sistema multimédia. O equipamento inclui modos de condução e caixa automática com patilhas no volante.

Menos exuberante o VW. No Taigo, upgrade qualitativo, com materiais mais suaves ao toque face ao T-Cross. De série, painel de instrumentos digital em monitor de 8’’, podendo ser adotada a disposição maior do Digital Cockpit Pro com visor de 10,25’’ e com superior variedade de funções projetadas. O sistema multimédia pode também ser da última geração, em ecrã tátil de 8’’ ou de 9,2’’ e admitindo já a adesão a novos serviços posteriormente à compra. Ou seja, se o cliente inicialmente optar por não incluir sistema de navegação, poderá adquiri-lo posteriormente através das funções On demand que definem um vasto leque de conectividade a bordo. A personalização exterior fica a cargo de uma paleta de oito cores que podem ser combinadas com o tejadilho preto.
Dinamicamente, Taigo competente. Direção e suspensão comportam-se de forma correta e encontrou-se especificação muito equilibrada para o chassis que beneficia a dinâmica do automóvel sem penalizar o conforto de rolamento exigido nos familiares. A gama de motorizações inclui a unidade 3 cilindros 1.0 TSI nas derivações de 95 cv (só para a versão base, que estará disponível apenas a partir de meados de abril) e 110 cv. No topo da gama está este 1.5 TSI. O motor é o conhecido, mas tecnologicamente sofisticado, turbo a gasolina de 150 cv, que desliga dois dos quatro cilindros a velocidades de cruzeiro com baixa carga ou em desaceleração para baixar o consumo e as correspondentes emissões de CO2. A mecânica de 4 cilindros com 250 Nm a partir das 1500 rpm assegura acelerações e retomas elásticas, promovendo o agrado da condução, para o que contribui sobremaneira a bem escalonada e eficaz caixa automática de dupla embraiagem (DSG) de sete velocidades.

O Arkana apresenta-se igualmente bem equipado, com 1.3 turbo de 140 cv, que tem na superior disponibilidade de binário a baixos regimes e no trabalho conjunto com a caixa de velocidades argumentos que contribuem para uma condução despachada e relaxada.
Novidade recente no portefólio da VW, para posicionar imediatamente entre o T-Cross e o T-Roc, o Taigo destaca-se destes com par de características que habitualmente não associamos à marca alemã: irreverência e uma relação interessante entre preço e equipamento. Prestações convincentes e dinâmica envolvente são outros trunfos. Só não tem as qualidades familiares do Renault Arkana, mais espaçoso e com bagageira ao nível de segmentos mais altos.