Sem motores ‘pequenos’ que encaixem nos padrões europeus e ainda só com um ‘elétrico’ no catálogo, a Mazda entregou-se a parceria com a Toyota para dinamizar o segmento inferior: novo ‘2’ à imagem do Yaris com conceito híbrido que concorre (apenas?) com o Renault Clio E-Tech.
As motorizações Diesel estão cada vez mais ausentes entre novos lançamentos e foram como que erradicadas do segmento dos modelos de génese utilitária. No seu lugar, tomada de posse para soluções a gasolina e outras eletrificadas (total ou parcialmente) em que a hibridização, como a que surge no novo Mazda2 Hybrid e Renault Clio E-Tech, convence pelos consumos extremamente contidos e pela facilidade de utilização em ambientes urbanos, tem ainda como principal Calcanhar de Aquiles o preço algo elevado...

Como é facilmente visível nas fotos e depois comprovado durante os dias em teste, o novo Mazda2 Hybrid é uma cópia perfeita do Toyota Yaris Hybrid, da motorização ao exterior, passando pelo habitáculo, em que as diferenças quase se resumem... aos símbolos das marcas. Face ao Renault Clio, a carroçaria do Mazda é menos prática nos acessos, quer à mala, quer em particular ao banco traseiro, devido ao curto ângulo de abertura das pequenas portas posteriores. O interior do modelo nipónico deixa passar a sensação de ser mais estreito e apertado do que realmente é, mas na verdade as cotas aferidas são muito semelhantes às do Clio. Embora partilhem a natureza híbrida auto-recarregável, Mazda2 e Renault Clio diferenciam-se na forma de o ser. Enquanto o modelo nipónico se apoia em motor 1.5 três cilindros a gasolina acoplado a motor elétrico para uma potência máxima de 116 cv explorada por uma transmissão do tipo CVT, o Renault conta com unidade 1.6 de quatro cilindros (tal como o da Mazda, trabalha em eficiente ciclo Atkinson) e dois motores elétricos, em que um funciona como gerador e outro enquanto propulsor, estando o conjunto gerido por uma transmissão multimodo de princípios técnicos herdados da Fórmula 1.
Na prática, ambos os modelos funcionam de forma muito semelhante, entregando, sempre que possível, a ação às unidades elétricas, o que ocorre principalmente no arranque, a constantes e baixas velocidades ou na realização de manobras, contendo-se fortemente os gastos com gasolina. Caso haja carga nas pequenas baterias, será possível ao condutor forçar a ação apenas em modo elétrico (função EV).

O Mazda2 (tal como o Toyota Yaris) é o campeão dos consumos, com médias reais a rondar os 4,3 l/100 km, sendo mesmo possível rodar em 3,8 l/100. Mesmo sendo capaz de rolar com motor térmico desligado até a velocidades mais elevadas, o Clio acaba por pedir, em média, cerca de mais 0,5 litros de gasolina por cada 100 km percorridos. O Renault tem como principais óbices o facto de ser mais pesado e de manter o motor a gasolina ligado mais tempo nas fases de arranque, como que existindo preocupação em alcançar uma temperatura ótima de funcionamento.
Em aceleração, a mecânica de três cilindros do Mazda é mais ruidosa (e o veículo menos isolado acusticamente), além de que é sentida uma inferior sensação de robustez e envolvência com a carroçaria. Como tal, o Renault mostra sempre mais consistência e estabilidade na ligação com a estrada, também envolvendo os seus ocupantes numa cápsula de superior conforto e serenidade durante viagens mais longas.

No que o Renault Clio realmente se destaca é na apresentação interior, na ergonomia e na forma como acolhe os ocupantes. Existem superfícies com revestimentos macios e agradáveis ao toque, acabamentos mais cuidados e qualidade de montagem que nada fica a dever à que encontramos no Mazda. A versão R.S. Line, em análise, oferece bancos ótimos (confortáveis e com ótimos apoios) e volante de pega desportiva. Excelente é, também, a qualidade gráfica do sistema multimédia, bem como a quantidade informativa que aí é apresentada nos diversos menus e personalizações possíveis – no Clio E-Tech surge a informação mais detalhada sobre consumo, energia elétrica gasta e regenerada, bem como quilometragem realizada com o motor a combustão desligado.
No modelo nipónico encontramos um ambiente mais espartano, com aposta na simplicidade, e onde se destaca a instrumentação digital distribuída em três pontos de leitura. A zona mais central do painel de instrumentos está reservada para aglomerado de funções do computador de bordo (que no Renault foram transportadas para o monitor central), nem sempre fáceis de aceder através dos botões do volante.

Mais completo, o equipamento da versão Select do Mazda2 no que concerne a ajudas da condução, contando com úteis head up display e assistente de ângulo morto. Os bancos surgem igualmente forrados a pele e tecido e o monitor central tátil é de 8’’ (100% igual ao da Toyota) – no Renault, o que surge de série na versão R.S. Line é de 7’’. Por outro lado, o Mazda tem rodas mais pequenas que, aliadas a uma estrutura mais leve e um pouco menos robusta, traz ao cimo a sensação de inferior estabilidade e conforto no mau piso. Por outro lado, ser mais leve contribui para que o Mazda seja quase tão lesto a acelerar quanto o mais potente Renault Clio.
Embora o Estado português tenha abolido benefícios fiscais para modelos híbridos auto-recarregáveis, na verdade, estes são os que mais fidedignamente cumprem no dia-a-dia os valores de consumo e emissões homologados, uma vez que não estão dependentes de carregamentos externos... Nestes dois casos, é possível circular cerca de 80% do tempo em ambientes urbanos com o motor térmico desligado. E se o Mazda irmão do Toyota Yaris é campeão de consumos, o Renault Clio é o melhor enquanto utilitário.