O processo de renovação (quase) total das motorizações de (quase) toda a gama Renault, sejam gasolina ou Diesel, inclui a substituição do anterior bloco 1.6 turbo por mais moderna unidade 1.8 a gasolina, igualmente sobrealimentada, que a marca francesa estreou nas versões R.S. do Mégane e também no Alpine A110. Trata-se de motor de 4 cilindros em linha, dotado de filtro de partículas e de variador do tempo de abertura das válvulas para otimização do rendimento, surgindo agora no topo de gama Talisman em variante de 225 cv.
A acompanhá-lo está a caixa automática EDC de 7 velocidades, de dupla embraiagem, em casamento que privilegia mais os cenários de calmaria e serenidade do que propriamente a máxima exploração daquela potência. O motor surge refinado nos médios e baixos regimes e ótima companhia em ritmos de autoestrada, onde mal se ouve e se sente a trabalhar – rodando-se a velocidades próximas dos limites legais, o consumo médio em autoestrada rondará os 7 litros/100 km.
Menos simpática será a interação motor/caixa com situações de pára-arranca em cidade, existindo sempre um forte atraso na resposta do conjunto face ao pisar do acelerador, cenário que estará intimamente ligado com a performance da transmissão (e não do motor), a qual funciona de forma pouco fluida e arrastando bastante as trocas de relações.
O certo é que o Talisman não é carro feito para correrias (nem existem patilhas da caixa no volante) estando o seu feitio apontado ao de grande e rápido rolador, respondendo com ótimas performances e com motor rápido a subir de regime – veja-se o valor da aceleração até aos 1000 metros, onde apenas necessita de 28,1 segundos; mas veja-se também o valor menos positivo para alcançar os primeiros 50 km/h, em 3,3 segundos, e sem qualquer patinar das rodas da frente, devido à lentidão de reação da caixa.
O nível de equipamento topo de gama, Initiale Paris, encaixa bem no perfil prazenteiro deste Talisman TCe 225, onde se destacam os ótimos e largos bancos dianteiros com raça de poltrona (atente-se nos largos apoios de cabeça), onde não faltam todos os ajustes elétricos, aquecimento, ventilação e programas de massagem; o cuidado sistema de som Bose com 13 colunas, interior bem iluminado à noite (várias cores possíveis de selecionar), poderoso sistema de iluminação LED com comutação automática entre médios e máximos ou head up display com função de aviso de velocidade excedida (os limites da estrada).
Nas ligações ao solo, sistema de amortecimento variável e quatro rodas direcionais com atuação que se ajusta face aos modos de condução selecionados. Assim, em modo Sport, todo o conjunto fica mais reativo às ordens da direção, bastando pouco volante para curvar; mas o certo é que a direção é sempre bastante vaga, não providenciando a melhor ligação entre o condutor e a estrada, com o grande Talisman a flutuar mais do que a pisar.
O conjunto pneumático de qualidade (Continental SportContact5) ajuda na aderência e na travagem, não obstante o Talisman não apreciar os já mencionados ritmos apressados, particularmente se o piso não estiver nas melhores condições, cenário onde a estrutura tende a estremecer e a suspensão saltitar.
No interior de ótimas qualidades familiares, marcado por muito espaço para pessoas e bagagem, existem algumas pechas qualitativas nos acabamentos, além do volante estar um pouco desalinhado com o banco.
Mesmo neste momento de declínio (forçado) de mecânicas Diesel, e com esta motorização 1.8 turbo de 225 cv a surgir 5340 € mais acessível que o novo 2.0 dCi de 200 cv, e sensivelmente ao mesmo preço do também novo 1.7 dCi de 150 cv, terá dificuldades em impor-se, em particular pela flutuação de consumos. Mas é motor que casa bem com o feitio sereno do Talisman.