Seja qual for a criação da Land/Range Rover, por mais modernos ou cosmopolitas que sejam os seus novos modelos, está garantida a manutenção do lado mais versátil da utilização, intimamente ligado às capacidades de uso no fora de estrada. O novo Evoque é peça chave nessa estratégia, pois embora não fuja a um estilo que depois de quase 10 anos ainda se consegue manter atrativo e na moda (o primeiro Evoque data de 2010), soma agora variadíssimos apontamentos tecnológicos e vanguardistas (que se tornaram numa das novas modas para conquistar a mais recente vaga de clientes) que servem de companhia no uso quotidiano.
A carroçaria nem atinge os 4,4 metros de comprimento, mas os quase 2 metros de largura ajudam a cimentar a ideia de veículo robusto e espaçoso, com identificação premium – por exemplo, agora, há possibilidade de encaixar rodas com jantes de até 21 polegadas.
As referidas dimensões participam no crescimento da bagageira (abertura elétrica do portão é um dos muitos opcionais disponíveis), mas a largura dificulta um pouco a socialização do Evoque com a cidade. As novas câmaras surround servem de forte ajuda à manobralidade, dando igualmente auxílio quando o Evoque sai de estrada, pois com esta tecnologia o condutor pode facilmente verificar por onde passa cada uma das rodas em percurso trialeiro, além de ter acesso à imagem do que se passa sob o capot do motor (Ground View). Ainda no campo das novidades tecnológicas de apoio à condução, o espelho retrovisor que se pode transformar num ecrã HD, projetando a imagem traseira, é útil particularmente em situações de fraca visibilidade ou parca iluminação, embora requeira habituação relativamente às distâncias aos veículos que nos seguem.
Nesta toada vanguardista, o interior pode agora surgir dominado por três ecrãs: opcional painel de instrumentos digital de 12,3’’ (cujas configurações e menus não são propriamente de fácil interação...) e dois monitores táteis na consola central (10’’), ambos de elevada definição gráfica. O superior permite acesso à maioria das funções de bordo e multimédia, estando o inferior reservado para a climatização e modos de condução. Mas também aqui a navegabilidade nem sempre é a mais intuitiva, dispersando-se entre vários modos de condução em estrada (Eco, Normal e Dinâmico, sendo que apenas este último permite ajustar alguns parâmetros, caso do amortecimento ou resposta do motor) e muitos ajustes para utilização fora de estrada, permitindo que a transmissão e toda a eletrónica ligada à condução se adapte ao género de piso para melhor progressão sobre o mesmo, quase fazendo do condutor um expert em todo-o-terreno, independentemente da situação e mesmo com pneus mais focados na estrada (Pirelli Scorpion Zero).
Independentemente do estilo de utilização, a condução do Evoque está focada no conforto e correto isolamento do habitáculo, resultando em domínio refinado sobre a estrada. Tal como a suspensão, também a direção tem tato sedoso e a presença do sistema híbrido de 48V contribuiu para a forma discreta de atuar do sistema start/stop do motor Diesel de 240 cv, o qual se desliga logo abaixo dos 17 km/h. A carroçaria larga ajuda a que o Evoque se foque na estabilidade a velocidades elevadas e só mesmo quando chegam algumas curvas mais apertadas vem ao cimo o efeito da superior altura da carroçaria, com resposta um pouco mais lenta de todo o conjunto face aos pedidos da direção. A travagem, estável, acaba por ser pouco potente em situação de emergência.
Associada ao motor 2 litros Diesel de 240 cv está a caixa automática de 9 velocidades, bastante desmultiplicada e quase sempre expedita e acertada nas decisões, mas que ainda assim não consegue fazer com que o consumo baixe dos 7,5 l/100 km – mesmo ativando-se o modo de condução Eco, que coloca o Evoque a rolar quase sempre apoiado só e apenas no eixo dianteiro. O elevado peso do conjunto não permite a melhor expressão dos 240 cv em performance pura, além de que querendo-se aumentar o ritmo, conte-se com rápida subida dos consumos para perto dos 10 litros aos 100 km.
Os revestimentos suaves aplicados no tablier e portas ajudam a fazer esquecer algumas falhas nos acabamentos e montagem. As cores claras presentes na unidade testada acabam por gerar alguns reflexos no vidro da frente – refira-se que os estofos em tecido igualmente claro podem sujar-se com facilidade. Os ocupantes dos lugares da frente podem sentir falta de espaços de arrumação, mas já a versatilidade do rebatimento do banco traseiro é acrescida, repartido em três partes (40:20:40). A capacidade de personalização do exterior e interior é a de um verdadeiro premium, tal como o preço, elevado face ao equipamento base...
Neste salto geracional, o Evoque continuará a ir ao encontro dos intentos dos fãs da marca, apoiado não só pelo estilo exterior, mas também pela qualidade da condução e capacidades para circular (com tranquilidade) em qualquer trilho fora de estrada. É um verdadeiro multiusos; talvez a melhor interpretação do conceito SUV... O preço é extremamente elevado face às dimensões, havendo também que contar com algumas imperfeições nos acabamentos do interior.