O Stelvio está para a Alfa Romeo como o Macan para a Porsche? É provável. A comparação não é de todo gratuita, uma vez que ambos os SUV têm grande dinâmica, entre as melhores da sua categoria. Existem alternativas, como Q5 da Audi, Tiguan da VW, X3 da BMW ou GLC da Mercedes-Benz, por exemplo, mas Macan e Stelvio estão por cima nessa matéria.
O SUV da Alfa Romeo partilha plataforma técnica com o Giulia – modelo que é outro exemplo de bom dinamismo na marca italiana, mas este em formato de berlina executiva. O Stelvio, apesar de correta afinação do chassis, tem constrangimentos óbvios, resultantes das suas proporções. Desde logo, o centro de gravidade elevado (mais 3,5 cm de altura e mais 7 cm de distância ao chão do que o Giulia), sem que isso elimine a sensibilidade no trato com a estrada (de preferência asfaltada, como quase todos os congéneres modernos) e a rigidez estrutural. De resto, o peso não é lastro significativo, graças à utilização de materiais leves como o alumínio (capot, portas e guarda-lamas, por exemplo) e a fibra de carbono (no revestimento do veio da transmissão, e beneficiando ainda da repartição equilibrada da massa sobre os eixos). Acrescenta-se a afinação firme das suspensões, a restringir balanços da carroçaria em curva, e temos um comportamento dinâmico que é apanágio da Alfa Romeo. Impecável!
Não há amortecimento variável, mas todas as ligações ao solo são eficazes, com a tração integral Q4 a entregar potência às rodas traseiras nas condições normais, variando até 50% à frente, no máximo, caso seja necessário. A ação do ESP é tolerante, permitindo condução divertida até aos... limites. Outra virtude a refletir a prioridade à dinâmica do automóvel, é a elevada precisão da direção, muitíssimo direta (volante com duas voltas de topo a topo).
Até aqui nada a opor, até porque o conforto não é beliscado, apesar das jantes em liga leve de 20’’ desta unidade em teste (opcionais por 1100 €) e dos Michelin Latitude Sport3 de baixo perfil (225/45).
A caixa automática de oito velocidades aproveita bem a generosidade energética do motor a gasolina de 4 cilindros 2.0 turbo, com 280 cv, numa atuação célere, com passagens imediatas (incluindo patilhas do volante para permitir o comando manual). A acústica desportiva é evidente nas reduções e nas trocas à bruta, mais do que nas acelerações, existindo aí uma certa falta de entoação. De qualquer modo, o motor é bastante progressivo em todas as faixas de regime. Se se selecionar o modo D (Dynamic), as performances são ainda mais empenhadas e tudo se passa de forma acelerada, sem perda de eficácia, notabilizando-se também a capacidade da travagem (36,3 m desde 100 km/h).
Menos atraente é o consumo médio (entre 10 e 10,7 l/100 km reais) – e facilmente superior se se guiar depressa, o que não é... difícil.
Na versão B-Tech AT8 AWD testada, o Stelvio ganha mais equipamentos de série (de conforto e de segurança), assim como outras opções, ao mesmo tempo que usufrui de campanha em vigor com 8000 € de desconto, incluindo manutenção gratuita durante a garantia (4 anos). Não é pouco! De resto: ótimo chassis e suspensões, dinâmica exemplar e motor 2.0 turbo possante!