É o momento da verdade na Renault. Luca de Meo assumiu a liderança da empresa em julho de 2020, depois do anúncio de prejuízo recorde no 1.º semestre desse ano – 7,29 mil milhões de euros! – e fê-lo determinado a mudar, rapidamente, o rumo de marca a caminho do abismo, talvez por privilegiar mais produção em vez de mais rentabilidade. Entre as prioridades do plano «Renaulution» anunciado em janeiro de 2021, renovação depois da ressurreição, com o foco no segmento dos compactos. O Austral é elemento fundamental no êxito da estratégia, desde logo por substituir o Kadjar, automóvel com carreira demasiado discreta em segmento muito importante, por assegurar margens de lucro maiores...

Baseado na plataforma CMF-CD da Aliança Renault-Nissan, o Sport Utility Vehicle novo mede 4,510 m de comprimento e 2,667 m entre eixos, dimensões que explicam quer a abundância de espaço que encontramos no habitáculo (os bancos traseiros admitem a regulação longitudinal dos assentos e ajuste da inclinação dos encostos), quer na mala, que tem 487 litros de capacidade mínima. O portão, nas versões de topo, apresenta-se com comando elétrico.
O Austral, visualmente, surpreende-nos pouco, porventura por aproximar-se muito do desenho da geração nova do Mégane, disponível somente com motorizações elétricas, mas isto não representa qualquer menos-valia. O SUV compacto da Renault tem linhas exteriores modernas e os acabamentos da versão de topo (Esprit Alpine) valorizam-nas sobremaneira. A apresentação do interior é muito sofisticada, qualidade que deve, por exemplo, ao programa multimédia OpenR Link com o Google Automotive Services, que inclui navegação e diversos serviços digitais – o júri do AUTOBEST atribuiu-lhe o prémio SMARTBEST, título que sublinha as capacidades do sistema com monitor de 12,3’’ no centro do painel de bordo. A instrumentação também é digital e o ecrã de 12’’ permite até quatro fórmulas de visualização das informações, incluindo uma muito minimalista para redução dos focos de distração. O Head-Up Display encontra-se inscrito na tabela de opcionais, mas recomenda-se, por aumentar o conforto e a segurança na condução.

Também no interior, igualmente pelas semelhanças com a geração nova do Megane, o Austral é pouco original e surpreendente, mas esta certeza não origina dúvidas sobre a qualidade de automóvel muito bem construído nem acerca do nível de sofisticação, de topo, devido à parafernália de equipamentos e tecnologias no SUV da Renault. Na lista de instrumentos à disposição, seletor do Multi-Sense, nome do programa de modos de condução (Eco, Comfort, Sport e Perso).

Dinamicamente, Austral muitíssimo melhor do que o Kadjar. A versão ensaiada tinha o sistema 4Control Advanced de quatro rodas direcionais, equipamento disponível só em combinação com direção mais rápida (logo, menos desmultiplicada) do que nos outros modelos da gama, jantes de 20’’, de liga leve e eixo traseiro independente (arquitetura do tipo multibraços). Este pacote melhora sobremaneira as aptidões dinâmicas do SUV compacto, que surpreende pelo comportamento ágil, estável e seguro. A qualidade do amortecimento explica o controlo otimizado dos movimentos da carroçaria em curva e a firmeza do sistema não penaliza o conforto nem a suavidade de rolamento.

No Austral E-TECH, geração 2 do sistema híbrido da Renault, que combina mecânica de 3 cilindros e 1,2 litros a gasolina sobrealimentada por turbo de geometria variável com dois motores elétricos alimentados por bateria com 2 kWh de capacidade (encontra-se arrumada sob os bancos dianteiros, posicionamento que não penaliza a bagageira!). A máquina mais potente (68 cv) coloca o SUV em movimento, enquanto a outra (34 cv) tem como missão carregar o acumulador de energia, arrancar a unidade de combustão interna e sincronizá-la com a caixa de velocidades, que tem características específicas.

O sistema desenvolvido pela Renault tem 2 relações reservadas para a atuação apenas com o motor elétrico, que permite acelerar até 80 km/h, em condições ideais, e 5 para a mecânica térmica. O mecanismo é merecedor de explicação técnica muito detalhada, sim, mas importa-nos mais sublinhar o facto de permitir condução suave e assegurar o recarregamento rápido da bateria, o que explica os muitos quilómetros percorridos de forma elétrica nos trajetos urbanos. Complementarmente, existem patilhas no volante para aumentar ou diminuir a capacidade de recuperação e regeneração de energia nas desacelerações e travagens.
A Renault, com o Austral, tem razões para recuperar o sorriso!... O SUV compacto novo apresenta-se com qualidades mais do que suficientes para conseguir impor-se num segmento muito competitivo, o que corrige lacuna importante na gama da marca francesa, devido ao fracasso comercial do Kadjar apresentado em 2015. O sistema híbrido com 1.2 Turbo a gasolina apoiado por dois motores elétricos trabalha de forma competente e permite percorrer muitos quilómetros em modo elétrico, conduzindo-se em ambientes urbanos. Dinamicamente, o mecanismo de quatro rodas direcionais e a suspensão asseguram-lhe agilidade e estabilidade sem penalização do conforto de rolamento.
Preço (junho 2023):
Renault Austral E-Tech Full Hybrid - Desde 41.700 €
Versão ensaiada:
Renault Austral E-Tech Full Hybrid iconic esprit Alpine - 46.200 €