A Nissan, durante o voo de transição das mecânicas de combustão interna para os motores elétricos, manteve-se muito tempo abaixo da linha de deteção dos radares. A estratégia fê-la capitalizar o sucesso do Leaf, compacto pioneiro na massificação comercial e industrial de tecnologia cada vez mais importante, mas também representou a perda de lugares na frente da corrida à afirmação de paradigma novo no automóvel (indústria e mercado). Para arrepiar caminho, anúncio de 15,6 mil milhões de euros de investimentos durante os próximos 5 anos, que se somam aos 7,8 mil milhões aplicados até ao momento, além de ponto final no programa de desenvolvimento ou otimização de motorizações a gasolina e gasóleo para a Europa.

O plano tem calendarização tão ambiciosa como os objetivos: durante 2023, gama só com automóveis eletrificados, para 75% das matrículas no Velho Continente (leia-se dentro das fronteiras da União Europeia) com híbridos, híbridos Plug-In (PHEV) e elétricos; finalmente, em 2030, com o lançamento de geração nova de carros, nenhuma mecânica de combustão interna registada na região. Na rampa de lançamento, após a introdução do Ariya, mais dois EV: sucessor do Micra e SUV compacto.

No entanto, antes do futuro, o presente... A Nissan, para a 4.ª geração do X-Trail, SUV introduzido, originalmente, em 2000, adotou plataforma moderna da Aliança que mantém com a Renault, que também utiliza na edição mais recente do Qashqai, de 2021. A CMF-CD admite diversas fórmulas de eletrificação, nomeadamente a e-Power desenvolvida pelo construtor de Yokohama, Japão. A tecnologia foi revelada no mercado doméstico em 2016, no Note. O sucesso da fórmula explica o desenvolvimento da aplicação, indispensável para introduzi-la noutros automóveis e, sobretudo, comercializá-la em mercados tão exigentes como o europeu.

O X-Trail novo tem 4,680 m de comprimento e 2,705 m entre eixos. O Qashqai com 4,425 m e 2,665 m, respetivamente, é mais compacto. Estas diferenças não são substanciais, mas o aumento das dimensões permitiu aumentar a lotação do SUV maior para o máximo de 7 pessoas! A 3.ª fila de bancos (dois) não está disponível em todas as versões e penaliza a capacidade da mala: montando-a, o compartimento não disponibiliza mais de 120 litros; dispensando-a e arrumando assentos e encostos, solidariamente, no piso, 485 litros de volume; rebatendo-se os lugares centrais, 1298 litros. O Qashqai não admite esta versatilidade e, dispondo do sistema e-Power, tem bagageira com 479 litros.

O X-Trail, visualmente, diferencia-se do Qashqai. A Nissan, bem, manteve a silhueta do SUV, mas combinou-o com elementos de estilo novos que tornam a imagem mais atrativa e moderna. Encontramo-los na dianteira, no V da grelha ou na forma das luzes diurnas nos faróis, por exemplo, ou na base cromada dos para-choques, que proporciona apresentação robusta a carro com 201 mm de altura ao solo e capaz de movimentar-se fora do asfalto das autoestradas e estradas, também por contar com tração integral acionada eletricamente – o binário máximo instantâneo garante-lhe capacidade para rolar sobre areia, lama, pedras ou terra, mesmo apresentando-se equipado com rodas de 20’’ que desaconselham o off-road.
Todavia, antes do passo à frente, dois atrás... No novo X-Trail, o ângulo de abertura das portas traseiras é generoso (85 graus), o que torna mais fácil, por exemplo, os acessos aos três (ou cinco) lugares posteriores. Soma-se a regulação longitudinal (até 202 mm!) dos bancos da fila central, função que permite aumentar a capacidade da mala ou o espaço livre para pernas dos passageiros (impacto positivo no conforto). Reivindica-se a hipótese de transportar indivíduos até 1,60 m de altura nos bancos da terceira fila. Admitimos a possibilidade, mas faltou-nos já a agilidade para testá-lo, devido aos acessos muito estreitos a essa zona do habitáculo.

Também na Nissan, digitalização do automóvel tão prioritária como a eletrificação! No X-Trail novo, painel de bordo moderno, com monitores de 12,3’’ para a instrumentação e o sistema multimédia. Adicionalmente, Head-Up Display com 10,8’’. O ecrã central é tátil e as informações projetadas no para-brisas são a cores – o primeiro facilita a utilização, o segundo simplifica a leitura! Existem comandos físicos para a climatização e, na consola entre os bancos da frente, encontram-se o seletor da caixa, o comando dos programas de condução (Standard, Eco, Sport, Neve/Terra/Lama) e os botões do e-Pedal e do parqueamento automático integrado nos apoios eletrónicos combinados na tecnologia ProPilot.

Os híbridos, por norma, têm caixas automáticas (variação contínua) que elevam os regimes dos motores sempre que é exigida aceleração. No e-Power, funcionamento diferente. O 1.5 turbo a gasolina, por nunca acionar as rodas, não depende da transmissão nem das necessidades de mais velocidade. Este 3 cilindros, em vez de propulsão mecânica, gera a energia armazenada no acumulador de iões de lítio com 1,8 kWh de capacidade. O sistema de compressão variável permite-lhe selecionar regimes de funcionamento mais estáveis e eficientes. A bateria alimenta a máquina elétrica no eixo dianteiro (nas versões e-4orce, há uma segunda no traseiro). O dispositivo atua com discrição e suavidade, registando-se aumento progressivo da velocidade – e sem muito esforço, apesar da massa gorda do X-Trail. Todavia, acelerando o ritmo, menos silêncio e, sobretudo, mais consumo de combustível, devido à obrigatoriedade de a mecânica trabalhar em regimes maiores para satisfazer as necessidades de energia da bateria.
O funcionamento da mecânica térmica nota-se muito pouco, sobretudo conduzindo-se em cidade, a velocidade reduzida (ouve-se um ruído distante quando o 1.5 Turbo atua como gerador de energia para a bateria e produz eletricidade a bordo). A função e-Pedal pressupõe ativação (e adaptação...) e recomenda-se para o pára-arranca dos ambientes urbanos. Durante as desacelerações e travagens, recupera-se e regenera-se energia. No entanto, este programa nunca pára a marcha do X-Trail. Travão debaixo de olho!...

Dinamicamente, a firmeza do amortecimento da suspensão controla todos os movimentos da carroçaria nas transferências de massa (curvas ou mudanças de direção) e fá-lo sem penalização do conforto. Nas versões e-4orce, o motor elétrico posterior quase elimina a inclinação longitudinal habitual nas acelerações e travagens, ação valorizadora da experiência de condução.

Outros fabricantes pensaram-no e tentaram-no anteriormente (recorda-se a General Motors, no início da década de 2010, com o Chevrolet Volt), mas nenhum conseguiu executá-lo tão bem como a Nissan nesta geração 4 do X-Trail, que não é mais moderna apenas no desenho exterior e na apresentação interior. O SUV de 7 lugares combina tecnologia híbrida e-Power com sistema de tração integral e-4ORCE. No Nissan concorrente de Skoda Kodiaq, Toyota RAV4 e Hyundai Santa Fe, entre outros, há qualidade em quantidade e motor a gasolina para produção de eletricidade a bordo, recurso que elimina a ansiedade associada à autonomia limitada dos elétricos!
Preço (junho de 2023) - Inclui campanha em vigor para clientes particulares:
Nissan X-Trail e-Power e-4orce - Desde 51.250 €
Versão ensaiada:
Nissan X-Trail e-Power e-4orce Tekna+ : 59.210 €