Quando estrada, carro, condutor e sentidos ‘conspiram’ para o mesmo resultado final, é porque a ligação entre eles se chama... Porsche! O 911 GTS tem estreante motor de 3 litros biturbo com 450 cv, chassis afinado a preceito e talento emotivo que a distingue claramente dos Carrera ditos ‘normais’.
A Porsche soube fazer, e bem, esta transição, mesmo no GTS, conferindo especificidade à afinação da mecânica, cuja subida de binário máximo ao Carrera S é acompanhada por uma entrega a regime mais elevado, o que resulta em sensação de aceleração mais intensa acima das 2200 rpm.
Com suspensão rebaixada em 10 mm e amortecimento variável, sistema de escape desportivo de série, tração integral (no caso desta versão Carrera 4) e diferencial traseiro ativo em conjunto com a caixa automática de dupla embraiagem e 7 velocidades, ou ainda as jantes negras de 20 polegadas com porca de fixação central são elementos que caracterizam a família GTS, em conjunto com visual marcadamente definido por elementos escurecidos, como as grelhas ou fundo das óticas. Ou ainda o logo GTS inscrito nas portas a demarcar a especificidade da versão.
Eixo traseiro direcional em estreia num GTS
Pela primeira vez num GTS, possibilidade de incluir o opcional eixo traseiro direcional que tanto serve de auxílio às manobras como a incutir direccionalidade a alta velocidade. Mérito atrás de mérito, este 911 Carrera 4 GTS tem ainda o condão de exponenciar a emoção, devido ao formato cabrio, com tradicional e exímia capota de lona, que, quando recolhida, permite que o ronronar do escape desportivo chegue mais de perto aos ouvidos.
Aí, a resposta serve-se em verificada aceleração 0-100 km/h em escassos 3,3 segundos, exprimindo não apenas o potencial do assanhado motor boxer biturbo, mas também a conjugação perfeita do trabalho do sistema de tração integral e da rapidíssima caixa automática. Para tal, baste selecionar o modo de condução Sport Plus no botão rotativo colocado no volante (Sport, Normal e Individual são as restantes opções, com o último a permitir configuração preferida do condutor), dar um toque no botão do ESP para ativar o modo de ação intermédio Sport, travar com o pé esquerdo, acelerar a fundo, ver inscrito no painel de instrumentos o aviso de Launch Control, assistir ao ponteiro das rotações a roçar as 6000... e depois ser catapultado em momento de intensidade (que atinge pico instantâneo de 1,1 g) até aos 1000 metros em menos de 21 segundos, lá chegando a 252 km/h.
Por isso, afirma-se: este GTS, querendo ser radical (que é!), acaba por ser uma das mais acertadas escolhas na gama, aliando performances de outro mundo a uma condução fácil e intuitiva em cidade (só as dimensões do óculo traseiro são diminutas), em que nem o conforto é afetada por demais, mesmo quando as jantes de 20 polegadas têm de lidar com a afinação mais rígida da suspensão.
O que falta a este GTS?
Agressividade. E mais pureza, como o anterior nos habituou, e neste transformada em simplicidade de condução e em menos desafio ao condutor. Direção e chassis roçam a perfeição, mas também talvez devido ao corte de rigidez infligido por esta carroçaria cabriolet, a frente do carro apresenta alguma tendência subviradora em curvas muito fechadas.
Nada que não seja contornado com um ataque menos feroz às mesmas, acreditando-se, depois, no trabalho do sistema de tração integral que, deixando a traseira escorregar por privilégio de envio de força para o eixo posterior, tal acontece com efeitos de eficácia e sempre tendo em vista a progressão dinâmica que não se pode desassociar da diversão e do culto dinâmico que só um 911 consegue oferecer.
Cereja no topo do bolo: potentíssimo e resistente sistema de travagem, que mesmo sem recorrer ao opcional esquema de discos cerâmico, oferece consistência ao pedal e distâncias realmente curtas que permitem, mais uma vez, ao condutor apurar o estilo de condução à sensatez do chassis.