O Velar é um dos automóveis mais valorizáveis do momento. Desde logo, por pertencer ao segmento com mais e melhor apreciação do consumidor, com o maior volume de vendas e o maior crescimento em todo o mundo, o dos SUV, e por ter um rol de qualidades que o tornam um dos mais versáteis, luxuosos e tecnologicamente evoluídos da atualidade.
Do design (de uma consensualidade referencial) à excelência das performances e do desempenho em estrada e em todo-terreno, garantidas pela robustez (estrutural e mecânica), o conforto e a estabilidade (ambos devidos à sofisticação do chassis, das suspensões e da tecnologia afeta à dinâmica), quiçá sem paralelo nesta indústria e fora do universo da marca Land Rover.
Provam estas virtudes, a compatibilidade entre a filtragem suave das irregularidades do piso e o dinamismo com que evolui no asfalto (surpreendente considerando o gabarito de tamanho e peso e o centro de gravidade elevado do carro) e a facilidade, solidez e a comodidade com que transpõe os caminhos e os obstáculos naturais mais agrestes.Características historicamente caras ao fabricante britânico atualmente nas mãos do construtor indiano Tata Motors de que o Velar não poderia descurar.
Mas é a estética que se impõe... ao primeiro olhar
Apesar das linhas exponencialmente puras do design exterior do novo SUV, cuja beleza é elevada aos píncaros na pintura especial em cinza (entre o mate e o metalizado que custa extraordinários 7427 euros) e por mais que queiramos mantê-la imaculada (tal como ao luxuoso habitáculo), a Land Rover não poderia fazer compromissos que pudessem sequer beliscar o seu prestígio no todo terreno.
O apuro do desenho, em que se realçam as superfícies lisas e arredondadas e elementos que juntam a forma à função, como os manípulos das portas retráteis eletricamente, de que resultou um coeficiente aerodinâmico do veículo de apenas 0,35 Cd e que o torna o Land Rover com maior eficiência na penetração ao ar de sempre.
No interior, a mesma sofisticação, através de uma nova construção do habitáculo que representa uma significativa melhoria da qualidade dos materiais (plásticos e de revestimento) e da tecnologia disponibilizada, que elevam o Velar a patamares superiores da gama Range Rover, com destaque para a estreia de um moderno e completíssimo sistema de infoentretenimento e telemática (Touch Pro) exibido e comandado por dois ecrãs táteis a cores integrados no tablier e na consola.
Conforto, requinte... luxo
O conforto é excecional e o requinte quase que transcende o nível do luxo, embora o espaço (para as pernas) no banco traseiro seja apenas satisfatório (não mais do que isso). Melhor a volumetria da bagageira, que é bastante ampla, com 673 litros, que pode ser ampliada até aos 1731 litros com o rebatimento dos bancos.
Em harmonia com a referida pureza das linhas, a leveza da carroçaria com estrutura de elevado conteúdo em alumínio, o chassis modular com distância entre eixos de 2,874 metros, entre a do Evoque (2,660 m) e a do Range Rover Sport (2,923 m) e suspensões independentes multibraços, a dianteira de triângulos duplos e a posterior com ligação integral ‘Integral Link’. Ambas têm molas helicoidais nos modelos de quatro cilindros (configuram uma distância ao solo máxima de 213 mm) e amortecedores pneumáticos (distância ao solo até 251 mm) com amortecimento adaptativo nas versões de seis cilindros.
Diesel de 300 cv
É o caso desta, com Diesel 3.0 V6 de 300 cv e 700 Nm. Mecânica que é um portento de força contra a inércia de uma massa rolante de quase duas toneladas, numa batalha que vence claramente, e em que beneficia de uma caixa automática de oito velocidades (de conversor de binário) com escalonamento naturalmente comprometido à dupla capacidade de utilização do automóvel, entre estrada e TT. E que desde que não se lhe exija desempenho do tipo desportivo, faz a transmissão a preceito das demais exigências do SUV.
Este, apesar de ser uma peça de design que merece manter imaculada e de se dirigir a um número crescente de condutores que nunca ou poucas vezes o retirarão das estradas asfaltadas ou, no máximo, de estradões de terra ou gravilha, não dispensa nem uma única peça do mais sofisticado manancial tecnológico de uma marca que nasceu fora de estrada, como a Land Rover. Tração integral permanente com bloqueio do diferencial central de série (e do diferencial traseiro opcional nas versões de 6 cilindros, e presente nesta em análise) garantem a transmissão de 100% do binário para um dos dois eixos e para qualquer roda, conforme as condições de aderência.
Ainda mais tecnologia
A distribuição do binário entre os eixos dianteiro e traseiro é gerida após a recolha de informação de diversos sensores do veículo, como o ângulo do volante, a posição do acelerador, a velocidade de viragem ou a aceleração lateral, e está ligado ao controlo de estabilidade, ao sistema de vectorização do binário através da travagem e ao bloqueio do diferencial traseiro.
O consagrado sistema eletrónico de controlo de tração Terrain Response 2 (em estreia num Land Rover, o comando deste dispositivo faz-se pelo seletor rotativo ou diretamente através do ecrã tátil inferior) faz o resto. Permite ao condutor configurar, com os modos de condução Eco, Comfort, Relva/Gravilha/Neve/Lama/Trilhos e Areia, para que o funcionamento/resposta do motor, da transmissão, do sistema de tração integral, da suspensão e do controlo de estabilidade seja ajustado automaticamente e em contínuo. Com todas estas ajudas, mesmo em condições do terreno mais adversas, o automóvel quase que se substitui ao seu condutor.