Rápido, muito rápido e... fácil de guiar! Assim se descreve a matriz de condução do novo GTI com base na 7.ª geração do Golf, modelo que ganha outra consistência devido à adoção plataforma/arquitetura MQB, mesmo sem perder o sal e a pimenta de um automóvel com história quase mítica, apesar da sigla até ser transversal a outras marcas/construtores.
O que mais surpreende é a extrema agilidade em estrada e as performances atingidas pelo desportivo compacto da VW, sem que para isso seja exigido talento acima da média ou capacidade especial para manejar o volante. Dir-se-á que é um desportivo à medida dos dotes do automobilista comum, embora este seja, forçosamente, um privilegiado, uma vez que o preço do GTI não é para todos.
As trocas da caixa automática DSG são executadas perto das 6500 rpm, embora o red-line esteja colocado numa fasquia elevada: às 8000 rpm. Através das patilhas junto ao volante, o comando sequencial/manual também funciona com bastante rapidez e a referida transmissão (agora com 7 velocidades) está à altura do desafio, emprestando uma sonoridade expressiva a cada redução mais brusca ou nas acelerações ditas repentinas.
Motor 2.0 TSI de 245 cv
Basta pressionar o pedal do acelerador para entender, desde logo, a tamanha generosidade do bloco 2.0 TSI, cuja revisão acrescentou 15 cv em termos de potência à anterior versão Performance (230 cv), atingindo-se agora 245 cv. Sempre a somar! Os trejeitos do propulsor TSI (turbo, de injeção mista, direta/indireta) são bem notados a baixo regime, mesmo que se pudesse ter aliviado o ruído e certas ressonâncias nalguns regimes, aligeirando também o calor que se faz sentir no habitáculo devido aos fluxos mais quentes que saem das saídas de ventilação (nada que o ar condicionado automático não resolva). É a energia, senhores, é a energia!
A acústica é outro dos aspetos que se também altera nos momentos de maior adrenalina, sendo fácil ter uma mentalidade vencedora em quase todas as circunstâncias. Melhor do que no caso dalguns adversários emblemáticos, muito acima de vários parceiros/automóveis com os quais se cruzará no trânsito e, sem dúvida, mais rápido do que a anterior versão equipada com o pack Performance.
Dinâmica 'icónica'
O Golf GTI tem uma dinâmica peculiar, quase tão icónica como o compacto desportivo, garantindo uma quase incomparável harmonia entre eficácia e conforto que permite uma agradável utilização quotidiana. O GTI dispõe de diferencial autoblocante eletrónico XDS+ no eixo de tração (dianteiro) e de reforço do sistema de travagem com discos ventilados à frente e atrás. Tudo a favor da eficácia e da obtenção de maior controlo.
É ainda possível ajustar a dinâmica do veículo conforme as necessidades e de acordo com o estado de espírito de quem esteja ao volante. Desde o modo ECO ecológico (mais poupado e com o start-stop ativo), passando pelo Comfort (com a suspensão a trepidar menos), até aos mais entusiastas Sport e/ou Individual, estes com afinações um nadinha mais desportivas, embora não radicais e com um conforto muito aceitável, apesar da carroçaria rebaixada (15 mm) e da inclusão de jantes em liga leve de 19’’ (em opção).
A firmeza dos pneus Pirelli PZero 225/35 é notada (desenho/piso), mas o desempenho é muito bom, sem que a borracha possa dobrar ou dê quaisquer sinais de eventual fraqueza nos momentos quentes. Nada preocupante! A afinação Comfort é a melhor para as viagens em autoestrada, sendo preferível o perfil Sport (quase imprescindível!) para os trajetos enrolados e para as curvas pronunciadas.
O motor está sempre pronto a entrar num registo eufórico logo acima das 4000 rpm, por exemplo, sendo bastante fácil alcançar velocidades proibitivas, sem que para isso seja necessário grandes malabarismos ou pilotagem especial, como já se disse. Para a frente é que é o caminho! Com o Launch Control ativo os arranques à bruta nem parecem sê-lo e a gestão da motricidade é perfeita.
Com Launch Control fica-se colado ao banco
Explica-se esta função para arranques do tipo Fórmula 1: com o modo Sport ativado e o controlo de estabilidade nessa configuração (maior tolerância), acelerando a fundo e, simultaneamente, com o pé no travão, é dada a informação no painel de bordo de que a função Launch Control está ativa. Depois é só largar e atingir velocidade acima de 100 km/h em cerca de 6 segundos, ao mesmo tempo que as passagens das relações da caixa DSG (dupla embraiagem) são efetuadas num ápice.
Com o ESP no modo Sport os riscos são bem calculados, graças à boa precisão da direção (a assistência exige pouco esforço.) e à ótima resposta por parte do chassis e da suspensão. Isso também se vê nas reações tipicamente subviradoras de um tração à frente com tão grande potência, sendo fácil dominá-lo. Por vezes até a direito e nas acelerações fortes. Desligar o ESP a 100% não é possível, mas poderá ser selecionado no referido modo Sport que garante outra tolerância (através da pressão contínua na tecla da consola por mais alguns segundos).
Assim há maior margem e são permitidos outros excessos, sempre com a frente a sair, embora o referido dispositivo acorde assim que é detetado alguns desvios por inércia do eixo traseiro. Nada de perigoso, já agora, uma vez que este GTI é bom de guiar, fácil de inscrever nas curvas mais tramadas e muito previsível. Às vezes demais! Dá gosto, mesmo que se tenha de ter cuidado com os limites impostos pelo Código da Estrada, além da própria ética que está subjacente à condução de um modelo deste género.
GTI é... Golf
Já se sabe, o bom exemplo vem de cima e este é um Golf muito especial. Tem um caráter único que é plasmado ao nível da condução, claro, mas também adota alguns detalhes específicos ao nível da imagem, quer no lado de fora (grelha, siglas GTI a vermelho, luzes/óticas, pinças de travão, jantes e spoilers), quer no lado de dentro (volante, forro dos bancos e teto, painel de instrumentação e monitor tátil central).
Com muito juízo até é provável que o consumo médio se possa situar entre 6,4 litros por cada 100 km (imagine-se!) e 8,6 l/100 km. Mas para que isso seja plausível é necessário refrear o ímpeto (não, não é fácil!) e os impulsos de uma mecânica tão possante, quase sempre em frenesim, como se pode observar pela sonoridade grossa e voz rouca das saídas de escape (uma em cada extremo da carroçaria), mormente nas passagens de caixa dedilhadas junto das patilhas do volante. Um mimo!
O caráter da mecânica 2.0 TSI é assim abalado por esta bipolaridade, pelo que cada um decidirá acerca do ritmo que poderá impor em estrada, sendo certo que a maturidade do condutor também ajudará nesse propósito, mesmo que a intensidade possa baixar. Nada de grave, até porque a emoção pode ser desviada para alguns momentos únicos (num track-day, por exemplo), sublinhando-se o aumento das performances, e isto sem prejuízo da dinâmica adulta deste GTI. Rápido, mas com outra maturidade...!