Skoda Kodiaq RS

Que atrevimento!

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 24-08-2019 12:50

Fotos: Gonçalo Martins

Em menos de duas décadas, a sigla desportiva RS tornou-se uma instituição na Skoda, com versões de altas performances dos compactos Fabia e Octavia resultantes do investimento do fabricante checo nos ralis. Agora, a marca checa do Grupo VW arrojou (muito!) ao aplicar a mesma fórmula racing num SUV, o Kodiaq, que é só o mais matulão da gama... Espécie de atrevimento que não se esgota nas formas insufladas de automóvel concebido para o transporte de famílias numerosas, com habitáculo tamanho XXL e lotação para sete ocupantes: na estreia da sigla RS em automóvel com o formato familiar da moda, mecânica Diesel! Se o mais espigado dos Kodiaq tem tudo o que poderá agradar a chefes de família que apreciam automóveis de segmento generalista desportivos: performances elevadas, dignas de um RS, compatibilizadas com o espaço e a versatilidade imensas? Sim; quem gosta deste tipo de automóveis, o que poderá querer mais?

Prazer de condução

No desenvolvimento da versão mais racing do Kodiaq, pontos técnicos, a favor do estatuto de candidato a espécie de desportivo: prestações bastante convincentes do 2.0 Diesel biturbo com robustos 240 cv e, acima de tudo, enérgicos 500 Nm a baixos regimes, estendendo-se à consagrada caixa de velocidades automática de dupla embraiagem DSG, na versão de sete marchas, agora apta a suportar binários superiores a 350 Nm, decidida e sem hiatos entre passagens, e acrescentando superior comodidade na condução sem esforços no pedal e no seletor. Um binómio perfeito. Mais, a transmissão da força motriz faz-se através de sistema de tração integral permanente (o mesmo com embraiagem multidiscos Haldex das versões 4x4 da restante gama, com a capacidade de encaminhar 85% da força até um dos eixos), tecnologia com assistência eletrónica que adequa o funcionamento daquela mecânica e do amortecimento adaptativo das suspensões às condições do piso. Também variados são os modos de condução oferecidos e diversas as personalizações dos mesmos, abrangendo tanto a resposta do motor ao pedal do acelerador, como a capacidade de amortecimento ou a sonoridade de escape – os dois últimos podem variar em três níveis.

A posição de condução, a mais alta de sempre num automóvel com a sigla RS, é ótima, devido à combinação da diversidade de regulações para o banco e o volante, com as opcionais bacquets, que muito contribuem para uma ideal sustentação lateral do corpo em curva, característica que acrescenta piada a toda a ação.

Nas medições dinâmicas que efetuámos, recurso ao launch control que garante aceleração de 0-100 km/h em 6,9 segundos. O Diesel, embora com ímpeto presente numa ampla faixa de rotação, acaba por ser o desempenho nos regimes elevados que mais surpreende. E, apesar de toda a estampa de um SUV, nomeadamente na altura exagerada para desportivo, o Kodiaq impressiona pela forma como sai disparado em aceleração e devora asfalto a toda a velocidade, mais parecendo contrariar as leis da Física. Ou quase...

Com o desenvolvimento da dinâmica através da afinação das suspensões para eficácia superior e ainda maior divertimento na condução, o comportamento do Kodiaq RS valoriza-se com as performances do motor Diesel biturbo, possibilitando uma eficácia em curva que chega a ter laivos de desportiva. Todavia, o seu mérito maior é o aperfeiçoamento do compromisso entre dinamismo e conforto (de rolamento), qualquer que seja o programa de condução selecionado, sobrando ainda elogios para a direção, precisa e muito direta, que contribui ativamente para que se consiga muito bom feedback e postura quase sempre certinha em estrada. Porém, o efeito negativo do peso não ajuda à obtenção de prazer dinâmico que se retira dos melhores desportivos... 

A ideia percebe-se: existindo procura, explore-se o filão. E o Kodiaq RS vem posicionar-se em categoria que está em verdadeira ebulição, a dos SUV de inspiração vincadamente racing. Problema: as excecionais prestações do Diesel de 240 cv e apuro das credenciais dinâmicas não chegam para sustentar o estatuto de desportivo. Boa notícia: a sigla RS não faz com que o Kodiaq perca pitada do sentido prático que está na génese deste SUV de 7 lugares, com muito espaço e ampla bagageira.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

SKODA KODIAQ

RS

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1968 cc
Alimentação Inj. direta CR, biturbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 240 cv/4000 rpm
Binário 500 Nm/1750-2500 rpm
Transmissão
Tração Integral
Caixa de velocidades Auto, dupla embraiagem, 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,699/1,882/1,685 m
Distância entre eixos 2,79m
Mala 230-(520-715)-1950 litros
Depósito de combustível 60 litros
Pneus F 235/45 R20
Pneus T 235/45 R20
Peso 1913 kg
Relação peso/potência 8 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 220 km/h
Acel. 0-100 km/h 7 s
Consumo médio 6,4 l/100 km
Emissões de CO2 167 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 2/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 258,78 €

Medições

SKODA

Acelerações
0-50 km/h 2 s
0-100 / 130 km/h 6,9 s
0-400 / 0-1000 m 14,5 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,3 s
60-100 km/h (D) 3,5 s
80-120 km/h (D) 4,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,9/9,3 m
Consumos
Consumo médio 7,8 l/100km
Autonomia 769 km

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