Como que em sinal da celebração dos 20 anos de aposta e desenvolvimento em soluções mecânicas híbridas (recorde-se que tudo começou na primeira geração do Prius), a Toyota preparou não uma, mas sim duas variantes para acompanhar o lançamento da 12.ª geração do Corolla: a mais conhecida 1.8 de 136 cv e esta novíssima unidade 2.0 a gasolina que, quando casada com o motor elétrico, permite um rendimento total de 180 cv.
Esta é a resposta da marca nipónica para quem não dispensa um veículo de características familiares capaz de lidar com ritmos mais acelerados, algo a que este conjunto não se nega, verdadeiramente. As acelerações podem ser, de facto, vigorosas, com arranque 0-100 km/h abaixo dos 8,5 s (12,6 s com o motor 1.8), bem como recuperações bem mais expeditas e espontâneas na resposta ao acelerador. Ativando o modo de condução Sport, esta carrinha Corolla 2.0 Hybrid despacha-se com grande desenvoltura, com impulsos instantâneos de binário a aligeirar o andamento – note-se que o conjunto motor elétrico/ /baterias é partilhado com o 1.8.
Além dos referidos e facilmente percebidos ganhos em performance pura (e com todos os acréscimos que tal possa trazer em matéria de segurança em estrada, por exemplo, aquando a realização de uma ultrapassagem), esta nova vertente híbrida tem o condão de fazer que a velocidade suba sem que ao habitáculo chegue ruído exagerado da mecânica a combustão, em particular pelo efeito criado pela transmissão do género CVT (variação contínua). No dia-a-dia, mesmo acelerando-se com ímpeto extra, este módulo híbrido apresenta-se realmente mais suave e de ruído atenuado, além de que se evidencia como escolha bem mais acertada em caso de necessidade de percorrer muitos quilómetros em autoestrada, pois além do menor ruído, este 2.0 tem superiores reservas de energia para mais facilmente manter velocidades de cruzeiro elevadas. Tudo sem que o consumo de gasolina aumente exponencialmente, com a nova carrinha Corolla a não exigir mais que 5,6 l/100 km.
Mas será no trânsito das cidades que os modelos híbridos sem recarga externa conseguem dar cartas, uma vez que o motor a combustão (neste caso, o novo 2.0) passará grande parte do tempo desligado, particularmente em cenários de pára-arranca. Depois, mesmo a rolar, mal se retire o pé do acelerador, o motor também prontamente se desliga, além de que a nova geração Corolla permite (e aguenta) rolar em modo puramente elétrico até perto dos 115 km/h.
Com todos estes dados, a condução resulta sempre ligeira e descontraída, aliada ao baixo ruído de todo o conjunto (seja pela dificuldade em percecionar o liga-desliga do motor térmico, seja pelo agora mais contido ruído de rolamento, mesmo com as jantes de 18’’ que equipam a versão Luxury), seja ainda pela superior rigidez da plataforma.
Com os modos de condução oferecidos, consegue-se amplificar a resposta da mecânica (Sport) ou desfrutar de condução pacata. Na verdade, mesmo que as performances sejam agora bem mais vigorosas face à versão 1.8 ou que o chassis seja cooperante nas movimentações em curva, o certo é que continua difícil conseguir associar a condução de um híbrido a algo que se aproxime a desportivo ou envolvente...
Por isso, nada melhor que desfrutar das verdadeiras iguarias de conforto e bem-estar propostas nesta versão, como sejam o caso dos bancos de formato específico (quase bacquets!) e dos cuidados revestimentos em pele, extensíveis às portas e tablier. Ou da cor clara (uma das quatro possíveis) que confere uma sensação de quase luxo, apadrinhada pela entrada de luz via tejadilho panorâmico. Para o condutor, head up display projetado no vidro dianteiro (mas que não descobrimos possibilidade de regular a altura da projeção); para a família, muito espaço no banco de trás e mala, além da sempre prática abertura elétrica da tampa. Na consola central, sistema de navegação a acompanhar as restantes funções do sistema multimédia, através de monitor tátil de 8’’, embora o grafismo pareça desatualizado para modelo tão recente. Carregador indutivo para smartphone ou wi-fi a bordo são outras das virtudes tecnológicas desta versão. Que também se faz acompanhar de vasta oferta de equipamento de segurança, caso de cruise control adaptativo (algo brusco a retomar a velocidade), assistente ativo de manutenção na faixa de rodagem e de ângulo morto ou ainda estacionamento inteligente com travagem autónoma que, além de alertar (e travar) para a presença de veículos a passar na traseira, à saída de um estacionamento, trava automaticamente a Corolla em situação de manobra de parqueamento, entre dois veículos, evitando pequenos toques!
Enquanto carrinha, além de mala generosa, conte-se com iluminação cuidada da mesma, rebatimento simplificado dos bancos e rede de separação de carga entre mala e habitáculo.
Com esta segunda opção na gama, a Toyota descobre o lado mais enérgico do híbrido, com os 180 cv a permitirem superior vivacidade dinâmica à carrinha Corolla, onde nem faltam comandos da caixa no volante para melhor segurar o veículo às curvas, nas reduções. Além de vivo e muito espontâneo, este novo conjunto híbrido garante superior suavidade e silêncio nas acelerações, mantendo os consumos reduzidos, quase sempre abaixo dos 6 litros/100 km.