É rei e senhor dos automóveis do segmento do Luxo, enfatizando a tradição da Mercedes-Benz em querer o melhor dos melhores. É certo que nesta categoria de topo do mercado há poucos concorrentes diretos (BMW Série 7 e Audi A8), mas há já marcas com aspirações mais desportivas (caso de Porsche, Jaguar ou mesmo Maserati) que tentam fazer frente àquele trio de alemães, mas que continuam incapazes de atingir a popularidade e, acima de tudo, as vendas. No caso do Classe S, desde 2013, quando foi lançada esta geração, há muito que foi superada a fasquia das 300 mil unidades.
Talvez por essas razões, a Mercedes terá decidido pouco mexer na imagem do Classe S no mais recente restyling ao modelo. Destacam-se as óticas frontais dominadas pelos efeitos das luzes diurnas LED ou o grupo traseiro com distinta identificação visual; ou ainda a crescente aplicação de superfícies em preto lacado em elegante conjugação com alumínio.
Motor
O foco principal surgiu na reformulação da oferta Diesel (e ainda dizem que está para acabar, quando marcas como a Mercedes continuam a apostar no apuro da eficiência, conjugando elevadas performances a consumos cada vez mais baixos), com a Mercedes a voltar à arquitetura de 6 cilindros em linha em motor de 3 litros de capacidade, conferindo-lhe neste 400 d (também existe versão 350 d do mesmo motor, com 286 cv) um total de 340 cv e binário com teto de 700 Nm.
Dados que, na prática, ainda mais impressionam na forma serena e subtil com que o Classe S exprime as performances, acompanhado pela caixa automática de 9 velocidades e a tração integral que, para Portugal, pode não parecer de grande utilidade, mas que na prática representa acréscimo de segurança e descontração ao volante, e não só em pisos molhados. Faróis LED adaptativos são de série.
Basta passar os olhos na ficha técnica para perceber que não existem perdas de motricidade nas acelerações (1,9 s até aos 50 km/h é a prova maior) e que as retomas/ganhos de velocidade já em andamento exprimem a força imensa deste novo 6 em linha. A exaltação das performances tem o condão de surgir embalada pela serenidade suprema que se vive no habitáculo, em que o conforto é sublime, quase que isolando os ocupantes do mundo exterior.
Mesmo acelerando-se a fundo em berlina Diesel com mais de duas toneladas, os bancos como que absorvem a violência das performances, ou o sistema de som Burmester abafa a já de si contida e bem isolada sonoridade da estreante mecânica. O sistema de tração integral e as rodas de dimensões generosas contribuem para uma surpresa na dinâmica, ao encontro de quem busca a sensação de segurança, tirando partido dos 340 cv.
Comando Dynamic
Também é novidade o comando Dynamic nos Modos de Condução, regulando, em vários níveis, a capacidade de entrega do motor, do trabalho da caixa de velocidades, a resposta da direção e os (dois) graus de amortecimento da suspensão pneumática. Com estas novas funcionalidades, o Classe S passou a contar com a função velejar (inexistente no modelo anterior, mesmo na fase final do 350 d, já com a caixa automática de 9 velocidades) que ajuda à redução de consumos e emissões. E com uma nona relação deveras desmultiplicada, não é difícil obter-se consumos em autoestrada até abaixo dos 7 litros/100 km, registo de realce ao conjunto e às pretensões estradistas do modelo.
Interior de luxo
De facto, pode andar muito, devorar estradas a ritmos alucinantes, acelerar quase como um desportivo já de elevado calibre, mas o certo é que o Classe S nasceu para ser... saboreado. E como? No apreciar dos pormenores, no aprumo da riqueza qualitativa, no fino recorte dos curtumes, na aparência das superfícies em alumínio.
Claro que tudo passará por uma questão de gosto, a que a Mercedes atende na ainda mais ampla oferta de revestimentos e matérias decorativas possíveis de aplicar. Não só no toque dos bancos Comfort com encostos de cabeça almofadados, como na multiplicidade de massagens e ajustes elétricos não só para as poltronas dianteiras como nos cómodos lugares traseiros. Para tornar o Classe S um escritório sobre rodas, a Mercedes apostou na amplificação da oferta no plano da conectividade, passando até a existir opcional carregador wireless no apoio de braços traseiro ou a possibilidade de chave digital via smartphone.
Aos olhos do condutor sobressai todo um enquadramento deveras vanguardista na apresentação digital do painel de instrumentos (com três ambientes e diversas possibilidades de informação espelhada) em linha direta com o monitor de infoentretenimento que marca a consola central, agradando, especialmente, a qualidade das animações e definição da imagem, incluindo sistema de navegação 3D (3 anos de atualização grátis), 10 GB de memória interna para seleção musical e acesso à Internet (hotspot). No volante, integração de comandos táteis, solução tecnologicamente avançada e importada do Classe E. À noite, o Classe S parece ganhar ainda mais encanto, com a diversidade de apontamentos luminosos (e com 64 cores à escolha!).