Com tanta e tão variada oferta no segmento dos SUV, é cada vez mais difícil aos fabricantes destacarem-se da multidão deste tipo de automóveis da moda que enche as estradas. Vai daí, a VW tentou fazer a diferença curiosamente através de uma solução já utilizada há bastante tempo pela concorrência, a personalização do automóvel. O T-Roc pode ter decoração bicolor (tejadilho e teto de cor diferente) e o interior é proposto em sete diferentes tonalidades. A imagem acima de tudo, e mais do que a tradicional mais-valia da VW, a qualidade perpetível (e efetiva) de construção, principalmente do interior.
Qualidade
No habitáculo, não gostámos alguns plásticos rijos do tablier e dos painéis das portas, pois esperávamos materiais mais nobres. É certo e assumido que o T-Roc foi feito para dar dinheiro, mas há princípios, sobretudo tratando-se de um automóvel importante de uma marca credenciada como a VW, que não devem ser esquecidos. A qualidade dos materiais é um deles. Contudo, a solidez da construção ameniza um pouco o menor cuidado na escolha dos plásticos, parecendo suficiente para impedir o aparecimento de ruídos parasitas com o avanço da idade. É um ponto a favor do T-Roc, tal como o é a boa insonorização, fundamental no conforto acústico dos ocupantes.
Habitabilidade
E por falar em ocupantes, há que elogiar a oferta de espaço generosa, quer à frente, quer atrás, onde cabem três adultos sem grandes apertos, sendo certo que o passageiro do meio viaja um pouco menos confortável que os ocupantes dos lugares laterais, culpa da estrutura do banco (assento e encosto mais salientes) e do túnel da transmissão que dificulta a arrumação dos pés. Ainda assim, é um dos automóveis mais amplos da sua classe, posicionando-se neste aspeto entre o Renault Captur e o Nissan Qashqai, os campeões das respetivas categorias. Nos lugares posteriores, em largura, o T-Roc tem mais nove centímetros que o Captur e iguala o Qashqai, superando ambos em altura (mais cinco centímetros em qualquer dos casos). Por fim, no comprimento para pernas, o SUV da VW tem mais 12 centímetros que o Renault e menos quatro que o Nissan. Números que deixam o T-Roc muito bem posicionado numa análise mais racional/familiar.
Bagageira
Sobre isso, não podemos deixar de fora a bagageira, simplesmente uma das maiores da sua classe, com 445 litros na configuração de cinco lugares, sendo que o valor sobe para 1290 litros com o rebatimento dos encostos dos bancos posteriores. É importante referir, ainda, que se trata de automóvel com alguma versatilidade e espaços de arrumação abundantes, além de importante vertente tecnológica, sendo alguns itens de série e outros, os melhores, como é habitual, opção.
Equipamento
Contudo, há que elogiar o generoso equipamento da versão Style da unidade que conduzimos, a qual já cumpre a maior o mínimo exigível a um automóvel nos dias que correm, quer em termos de conforto, quer de segurança. Ar condicionado bizona, sensores de chuva/luz, sensores de parque à frente e atrás, sistema de navegação, travagem automática e assistente de faixa de rodagem, entre outros, são de série.
Motor
A versão de entrada do T-Roc está equipada com 3 cilindros de 999 cc e 115 cv/200 Nm, acoplado a caixa manual de 6 velocidades. É óbvio que não torna o SUV da VW num foguete, mas confere-lhe virtude maior neste tipo de automóvel, oferecendo utilização fluida, silenciosa e sem necessidade de recorrer em demasia à caixa de velocidades. As correrias ficam para as mais potentes variantes a gasóleo, as quais porão à prova as muito convincentes capacidades dinâmicas do T-Roc, um SUV confortável, mas que não deixa de ser divertido de guiar, sem aquele adorno excessivo da carroçaria em curva que caracteriza a maioria dos SUV.