Nissan Qashqai dCi 110 Acenta

O SUV dos afetos

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 05-04-2018 10:00

Fotos: Gonçalo Martins

Em 2007, quando foi estreado, o Qashqai deparou-se-nos como o automóvel que poderia mudar a perspectiva desta indústria e as preferências do público em segmento maioritariamente marcado por berlinas de 5 portas e carrinhas. Expectativa que não só cumpriu, como excedeu largamente, quase sempre com lista de espera nas encomendas, quase sempre tido como a opção distinta, quase sempre a proposta que representava a possibilidade de se ter um SUV (que estava e ainda está na moda) a preços bem mais moderados aos modelos que na altura existiam – apenas de segmentos mais altos e dispendiosos.

Dez anos volvidos, a Nissan atualiza a segunda geração do Qashqai (no mercado desde 2014), focando-se em pontos-chave, a maioria apontados como os  menos apreciados pelos clientes (sim, a marca teve a coragem de trabalhar diretamente com quem lhes compra os automóveis), como que refinando uma receita já de si bastante saborosa para os números internos, expressa em mais de 2,3 milhões de unidades comercializadas desde 2007.

Novo 'design'

Não se poderá chamar-lhe de novo Nissan Qashqai, mas sim o MY 18 (Model Year 2018), marcado por vistosa alteração estética na dianteira, com nítidas inspirações nas linhas vincadas e joviais que estão, também, a colher sucesso no mais pequeno Micra. Toda a zona frontal é 100% nova, passando pela inclusão de distinta assinatura visual definida pelo filamento LED, cuja zona superior ganha cor laranja quando acionado o pisca. Ainda nas óticas, e focando já atenções na unidade testada, com o nível de equipamento Teckna, iluminação totalmente a cargo de tecnologia LED, com o Qashqai agora a estrear sistema de luzes direcionais (e comutação automática de máximos), ambos muito úteis em viagens durante a noite.

Na grelha central, o símbolo da marca surge coberto por uma camada plástica, protegendo os sensores aí colocados que fazem parte do apelidado Escudo de Proteção: o Qashqai Tekna alerta e trava autonomamente caso detete distração do condutor ao não travar em aproximação brusca ao veículo da frente, somando, agora, deteção de peões e iguais reações de alerta e travagem. A estas importantes funções de segurança ativa, junta-se, de série, o aviso de saída de faixa e de presença de veículo em ângulo morto, ou ainda a indicação do limite de velocidade na estrada e deteção de cansaço do condutor. Acrescente-se câmara com vista 360º para ajuda aos estacionamentos, além de útil aviso de aproximação de veículo em caso de marcha-atrás, à saída dos lugares de parqueamento.

O teto panorâmico fixo traz mais claridade a bordo e alia-se a completa oferta de equipamentos de série. Numa das que será das melhores relações preço/ /equipamento entre modelos concorrentes, para mais acrescentando-se as campanhas e descontos em vigor.

Interior modernizado

De entre as novidades mais marcante à vista estão, no interior, o novo volante herdado do Micra, com desenho não só mais atraente e jovial, mas também pega mais grossa, que liberta mais espaço para consulta da informação do painel de instrumentos. Volante que casa bem com os igualmente renovados e ergonómicos bancos dianteiros, neste caso com cuidados revestimentos a pele e tecido que muito ajudam a apurar o ambiente a bordo da versão Tekna (acima, ainda há lugar para o Teckna Premium, que estreia bancos monoform em pele com textura 3D). Para ajudar a encontrar a melhor posição ao volante, ajustes elétricos para o banco do condutor. Mais: a tampa do apoio de braços central dianteiro surge agora com acabamentos em costura, ao jeito dos premium.

O habitáculo não é  dos mais espaçosos do segmento, tendo a Nissan apostado na qualidade e quantidade de locais de arrumo e na modularidade da bagageira. Continuam, contudo, a faltar saídas de ventilação para os lugares da fila de trás.

Neste verdadeiro processo de refinar o Qashqai, a Nissan não esqueceu o aperfeiçoamento do sistema de infoentretenimento em monitor tátil colocado em posição central, embora com funcionamento muito idêntico ao da anterior geração, continuando com o problema de não ter a mais nítida das imagens, seja com as informações do GPS, ou a mostrar as ligações/aplicações com os smart- phone. A lista de opcionais passa a incluir sistema de som BOSE (que obriga a retirar o pneu suplente), mas do qual esperávamos superior apuro da qualidade sonora.

Condução 'melhor'

Embora de direção bem calibrada e com a ajuda do referido conjunto pneumático (aderentes Michelin Pilot Sport 4), a condução do Qashqai está agora ainda mais progressiva e serena, sem que se possa afirmar convictamente que as alterações na dinâmica sirvam qualquer pretensão mais desportiva, tal como atestam as intervenções do ESP na abordagem de algumas curvas mais fechadas: a segurança em estrada  foi levada ao extremo, até porque não chegam a existir sintomas de perdas de motricidade ou de vibrações no volante (estas sim, corrigidas aos modelos passados).

Por fora, jantes de 19’’, com novo e atrativo design, embora ajudem a subir a fatura na altura de trocar de pneus..., além dos anunciados acertos da suspensão (mais branda) e barras estabilizadoras (mais rígidas). Na verdade, mesmo com pneus de baixo perfil, o Qashqai mantém a atitude esperada de um SUV médio de aspirações familiares e cosmopolitas, oferecendo confortável contacto com a estrada e sem vacilar em pisos empedrados ou em mau estado. O ruído de rolamento foi minorado com a utilização de novos materiais isolantes.

Motor... eterno

Das heranças da anterior geração, o bloco motriz 1.5 dCi de 110 cv (de origem Renault) continua a ficar bem na fotografia, em particular pela disponibilidade revelada em regimes baixos, coadunando-se a uma (esperada) utilização citadina. E os consumos reduzidos são igualmente uma realidade, sendo muito fácil manter o computador de bordo abaixo da fasquia dos 6 l/100 km. O start-stop cumpre bem o seu papel em cidade, embora por vezes demore a acordar o motor depois de pisada a embraiagem para o arranque – travão de mão elétrico e hill holder de série.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

NISSAN QASHQAI

dCi 110 Acenta

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1598 cc
Alimentação Inj. Direta, TGV, intercooler
Distribuição 1 a.c.c./8v
Potência 110 cv/4000 rpm
Binário 260 Nm/1750-2500 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10.7 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,394/1,806/1,590 m
Distância entre eixos 2,646m
Mala 430 - 1598 litros
Depósito de combustível 55 litros
Pneus F 7jx19 - 225/45 R19
Pneus T 7jx19 - 225/45 R19
Peso 1507 kg
Relação peso/potência 13,7 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 182 km/h
Acel. 0-100 km/h 11,9 s
Consumo médio 3,8 l/100 km
Emissões de CO2 99 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 3 anos ou 100.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 143,17 €

Medições

NISSAN

Acelerações
0-50 km/h 3.9 s
0-100 / 130 km/h 11.9 s
0-400 / 0-1000 m 18.2/33.6 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 5.9 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 6.8/8.9/13.1 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 10.2/12.7/17 s
Travagem
100-0/50-0km/h 34.2/9.2 m
Consumos
Consumo médio 5.8 l/100km
Autonomia 948 km

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