Entramos na nova geração de descapotável que completa em 2017 o seu 25.º aniversário, sentimos o peso da tradição da marca. O que está longe de ser uma crítica, muito pelo contrário, o que queremos dizer é que se mantém a identidade Mercedes nos novos produtos do fabricante alemão, que exibem bem conseguida ligação entre conceitos antigos e o polimento do século XXI que naturalmente se impõe. O resultado, no caso do Classe E Cabrio, é imagem elegante e requintada, onde destacamos o enorme cuidado nos pormenores. Veja-se, por exemplo, as saídas de ventilação, autênticas esculturas de arte contemporânea.
As marcas da contemporaneidade deste cabrio já com um quarto de século encontram-se também no aumento da habitabilidade, pois num descapotável de quatro lugares as exigências atuais são outras e já não chegam dois lugares traseiros fingidos. Face ao automóvel que substitui, este Classe E Cabrio tem mais 12,3 centímetros em comprimento, igualando os 4,83 metros do Coupé.
Ora, o aumento das dimensões repercute-se no maior espaço para pernas nos dois lugares traseiros. Há, todavia, que referir que os encostos são demasiado verticais, prejudicando um pouco a comodidade. Muito melhor é agora o acesso a estas posições com a capota colocada.
Sem a capota têxtil estar posicionada, (tem funcionamento automático, abre e fecha em 20 segundos até 50 km/h), os quatro ocupantes viajam razoavelmente bem protegidos graças aos defletores aerodinâmicos automáticos no topo do para-brisas e atrás dos bancos posteriores. Para maior proteção, há ainda defletor de vento adicional (em opção) para colocar atrás do condutor e do passageiro dianteiro, mas isso representa dois lugares a menos… Mas se a ideia for mesmo só um passeio a dois, o referido defletor, juntamente com o cachecol virtual (Airscarf, de série), são capazes de tornar ameno um passeio ao fim de tarde na ventosa e fresca praia do Guincho.
O Classe E Cabrio é um ótimo companheiro de viagens longas ou de plácidos passeios, pois garante elevadíssimos níveis de conforto aos seus ocupantes – mesmo nesta edição especial de aniversário equipada com jantes de 20 polegadas… –, não descurando, todavia, a vertente dinâmica. Não é o mais ágil dos automóveis, nem se esperava que fosse, mas também não envergonha o seu fabricante se o sujeitarmos a sequência de curvas a maior velocidade, onde demonstra estabilidade inabalável e grande certeza na forma como a dianteira entra nas viragens, seguindo obedientemente a trajetória traçada pelo condutor (uma eficácia a que não é alheia a suspensão desportiva regulável (opção).
Esta versatilidade é um dos grandes atrativos deste descapotável da Mercedes, pois longe vai o tempo em que se perdoava a menor eficácia dinâmica de automóveis sem estrutura rígida integral. Atualmente, há já diversos cabrios a competir quase de igual para igual com as respetivas versões fechadas (coupés), sendo preciso guiar quase ao limite para encontrar as diferenças. E convenhamos: o utilizador comum não pretenderá guiar um descapotável de quatro lugares em circuito. Há motivações para tudo, mas esse tipo de utilização será sempre a exceção, não a regra.
No caso da versão que testámos, E 220 d com 194 cv e 400 Nm, e sendo certo que as mecânicas a gasóleo não são habitualmente as que servem as propostas mais desportivas, há que aplaudir a suavidade de funcionamento, mas também as prestações, acelerando o pesado E Cabrio (1830 kg; relação peso/potência de 9,43 kg/cv) de 0 a 100 km/h em 8 segundos. Convincentes são também as retomas de velocidade. Em ambos os casos há que atribuir boa quota-parte da responsabilidade à caixa 9G-Tronic, exímia na gestão da potência e do binário que transmite às rodas traseiras. Independentemente do regime a que se encontra o motor, a transmissão tem sempre resposta adequada à pressão exercida no acelerador, o que contribui para grande agradabilidade e fluidez de condução.